Todo mundo quer parecer cinco 5 quilos mais magro (a), 10 anos mais jovem e 10 vezes melhor. É uma verdade incontestável da qual ninguém está conseguindo escapar. Assim, a partir de hoje e todas as quartas, sob o título futilidades , vou postar dicas, informações e notícias relacionadas.
Sobre BATOM (já me revelei dependente) é a primeira dica:
'Abandone o vermelho'! Após os 40 anos, a maquiagem deve ser clara. Batom escuro envelhece o rosto e deixa a expressão triste.Cores carregadas, além de causar a impressão de afinamento dos lábios, deixam as rachaduras mais evidentes. Utilize o rosa e outros tons claros que dão um ar jovem e tornam os lábios mais grossos. Tenha à mão, sempre, um brilho, pois eles iluminam o rosto. Outra dica é não contornar a boca toda com lápis escuro. Use-o apenas em lugares que precisam ser realçados. E, fundamental, não abra a boca, esticando os lábos, para passar batom. Ao fechá-la o batom que se acumulou nas rachaduras vão "escorrer".
(fonte:Charla Krupp-editora de moda)
setembro 17, 2008
Bireli Lagrene & Sylvain Luc
Quem sabe o título ou o compositor? Observem como lembra o nosso gostoso chorinho.
Quem não gosta de viajar?
Veja lugares que ainda não conhece ou relembre os bons momentos de onde você já esteve, clicando no título acima. Comece por "Home" para se inteirar das informações preliminares.Aguarde enquanto as fotos são carregadas e coloque o mouse sobre elas para informações adicionais.
BOA VIAGEM!
BOA VIAGEM!
setembro 16, 2008
DIÁRIO DE UM ANO RUIM
Após concluir A Cidade e as Serras que abandonara inacabado há pelo menos trinta anos,deliciosamente surpreendida com a sua atualidade, pela sátira que faz ao culto da tecnologia e à sociedade atual, comecei hoje a ler o Diário de um ano ruim , o novo romance de J.M. Coetzee (Nobel, em 2003).
Alternam-se a cada página os temas ensaísticos,que teriam sido encomendados por um editor, em que expõe suas opiniões hetedoxas sobre temas da atualidade (terrorismo, desastres ecológicos, histeria consumista, manipulação genética...) e os seus pensamentos íntimos na história do escritor (personagem) que contrata uma bela vizinha para ajuda-lo como secretária e digitadora e, naturalmente, acaba apaixonado por ela. É um "livro dentro do livro". Esta alternância permite uma leitura (como estou fazendo)do enredo da paixão do escritor (personagem) e suas reflexões sobre a velhice deprimente (parece pleonasmo!) que são completamente independentes dos ensaios, no conteúdo, na fonte e na diagramação.
Coetzee se aproxima de Montaigne* no interesse pela morte. (Montaigne celebrizou a frase de Cícero “filosofar é aprender a morrer”) e não teme desafiá-la com suas questões, resistindo a ela com o pensamento
A Velhice por Coetzee :
“Meu quadril doeu tanto que hoje não consegui andar e mal conseguia sentar. Inexoravelmente, dia a dia, o mecanismo físico se deteriora . Quanto ao mecanismo mental , estou continuamente alerta para as engrenagens quebradas, fusíveis queimados, esperando sem esperança que ele sobreviva ao seu hospedeiro corporal..
Do Envelhecimento por Montaigne: “Quanto a mim , considero como certo que, a partir dessa idade, tanto meu espírito como meu corpo mais diminuíram do que aumentaram, e mais recuaram do que avançaram . É possível que, para os que empregam bem o tempo , o conhecimento e a experiência cresçam com a vida; mas a vivacidade a prontidão , a firmeza e outras qualidades bem mais nossas, mais importantes e essenciais fenecem e enlanguescem”
* Michel de Montaigne : foi um nobre francês que no século XVI decidiu se trancar na torre de seu castelo onde permaneceu durante anos, criando uma abrangente compilação de textos que é considerada uma das mais importantes obras de literatura ENSAIOS tendo como base o mundo à sua volta, escreveu sobre si mesmo .
Alternam-se a cada página os temas ensaísticos,que teriam sido encomendados por um editor, em que expõe suas opiniões hetedoxas sobre temas da atualidade (terrorismo, desastres ecológicos, histeria consumista, manipulação genética...) e os seus pensamentos íntimos na história do escritor (personagem) que contrata uma bela vizinha para ajuda-lo como secretária e digitadora e, naturalmente, acaba apaixonado por ela. É um "livro dentro do livro". Esta alternância permite uma leitura (como estou fazendo)do enredo da paixão do escritor (personagem) e suas reflexões sobre a velhice deprimente (parece pleonasmo!) que são completamente independentes dos ensaios, no conteúdo, na fonte e na diagramação.
Coetzee se aproxima de Montaigne* no interesse pela morte. (Montaigne celebrizou a frase de Cícero “filosofar é aprender a morrer”) e não teme desafiá-la com suas questões, resistindo a ela com o pensamento
A Velhice por Coetzee :
“Meu quadril doeu tanto que hoje não consegui andar e mal conseguia sentar. Inexoravelmente, dia a dia, o mecanismo físico se deteriora . Quanto ao mecanismo mental , estou continuamente alerta para as engrenagens quebradas, fusíveis queimados, esperando sem esperança que ele sobreviva ao seu hospedeiro corporal..
Do Envelhecimento por Montaigne: “Quanto a mim , considero como certo que, a partir dessa idade, tanto meu espírito como meu corpo mais diminuíram do que aumentaram, e mais recuaram do que avançaram . É possível que, para os que empregam bem o tempo , o conhecimento e a experiência cresçam com a vida; mas a vivacidade a prontidão , a firmeza e outras qualidades bem mais nossas, mais importantes e essenciais fenecem e enlanguescem”
* Michel de Montaigne : foi um nobre francês que no século XVI decidiu se trancar na torre de seu castelo onde permaneceu durante anos, criando uma abrangente compilação de textos que é considerada uma das mais importantes obras de literatura ENSAIOS tendo como base o mundo à sua volta, escreveu sobre si mesmo .
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Assista ao trailer (legendado).
Acabo de sair do ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA , o filme do Fernando Meirelles. Já era possível imaginar a dificuldade que seria adaptar para o cienema um livro do Saramago. Quem já leu algum sabe o quanto é prolixo, tem um estilo deliberadamente reiterativo, lança mil idéias e sentimentos em frases enormes, resultando em estruturas narrativas complexas, pautadas pelo fluxo da consciência, que exigem do leitor uma disposição incomum.Como se isto não bastasse, usa uma pontuação esdrúxula, milhões de vírgulas seguidas de períodos iniciados por letras maiúsculas. Dizendo isto, quem não leu pode até se desinteressar...No entanto,o filme é imperdível!Convém deixar claro que não se trata de um filme de entretenimento, agradável de ser visto.....É um filme que nos remete a uma séria reflexão sobre a condição humana. A cegueira, no caso, é uma metáfora que cai ainda melhor hoje do que na época em que o livro foi lançado. Estaríamos cada vez mais “cegos”? Ou será que somos os mesmos cegos de sempre?
O filme, assim como o livro, discute isso de maneira inteligente e original. Há momentos em que a tela se cobre de branco (a cegueira do livro é branca) e é esta imagem que nos leva ao núcleo do sofrimento dos personagens.
Outro detalhe é que a grande personagem do filme, (Julianne Moore deverá ser indicada ao Oscar pelo papel), como as demais, não têm nome. Ela é simplesmente a mulher do médico que lidera (metaforicamente) a humanidade e numa abordagem isenta de qualquer maniqueisno prova que nós fazemos o que temos de fazer quando se trata da sobrevivência, deixando a moral em segundo plano.
SARAMAGO já escreveu: "Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus”. Para o escritor, a humanidade – leia-se a civilização ocidental capitalista – vive tempos sombrios, perdida num caos labiríntico, marcado pela miséria e pela injustiça, pela crueldade e pelo egoísmo, pelo medo e pela culpa. Segundo ele, seu objetivo é chamar a atenção do leitor para a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Mas em que consistiria essa responsabilidade? Não somente em registrar e ter consciência do horror que nos cerca, mas, sobretudo, em ser capaz de conservar a lucidez, resgatar a solidariedade. Ser capaz de amar mesmo sob as mais terríveis pressões - tarefas que ele compartilha com os leitores. O paralelo evidente é com o romance A peste, de Albert Camus, já que nos dois livros uma epidemia misteriosa provoca o desmoronamento completo da sociedade, de tudo aquilo que se associa à idéia de civilização, ao mesmo tempo em que traz à tona as facetas mais primitivas da condição humana.
setembro 15, 2008
A França em polvorosa
Entre 10 de setembro e 14 de dezembro, o Château de Versailles, sede do poder político e símbolo do esplendor da França no século XVI, está abrigando a exposição do artista americano Jeff Koons, cujas obras nunca passam despercebidas e, não raro, criam polêmica.
Entre os mais conservadores, há quem veja em colocar no Salão Hercules um balão rosa magenta em forma de cachorro ou uma enorme lagosta de plástico, no Salão de Marte do mais esplendoroso dos palácios, um verdadeiro ultraje!
Além de considerar Versalhes como um lugar de memória e não de exposição, a França não é simpática as vanguardas que contrapõem o seu passado glorioso. Louis XIV nos trajes do imperador romano Julio César ao lado de porcelana representando Michael Jackson apoiado no ombro de um macaco, é demais para eles.
Enquanto no Versalhes de Louis XIV a mitologia greco-romana está por toda parte, Koons serve-se dos códigos de Hollywood, da publicidade e do kitsch.
A vaidade do rei francês, o egocentrismo do artista americano não estão longe um do outro. Os que são a favor declaram não haver melhor palco para a extravagância, arrogância e ostentação do que Versalhes. Koons não cria nada, se apropria do que está à mão. Louis XIV tampouco. Os artistas do monarca francês também se apoderaram do que havia de melhor na época para celebrar o mecenato real.
Por que não em Versailles?
PS: clicando no título da postagem, uma visita ao Château.
Entre os mais conservadores, há quem veja em colocar no Salão Hercules um balão rosa magenta em forma de cachorro ou uma enorme lagosta de plástico, no Salão de Marte do mais esplendoroso dos palácios, um verdadeiro ultraje!
Além de considerar Versalhes como um lugar de memória e não de exposição, a França não é simpática as vanguardas que contrapõem o seu passado glorioso. Louis XIV nos trajes do imperador romano Julio César ao lado de porcelana representando Michael Jackson apoiado no ombro de um macaco, é demais para eles.
Enquanto no Versalhes de Louis XIV a mitologia greco-romana está por toda parte, Koons serve-se dos códigos de Hollywood, da publicidade e do kitsch.
A vaidade do rei francês, o egocentrismo do artista americano não estão longe um do outro. Os que são a favor declaram não haver melhor palco para a extravagância, arrogância e ostentação do que Versalhes. Koons não cria nada, se apropria do que está à mão. Louis XIV tampouco. Os artistas do monarca francês também se apoderaram do que havia de melhor na época para celebrar o mecenato real.Por que não em Versailles?
PS: clicando no título da postagem, uma visita ao Château.
setembro 13, 2008
P.S.: Beijo tua boquinha gulosa
"Olhe bem para a boca da bela mulher do retrato. Para esses lábios, um dos maiores nomes da literatura brasileira escreveu: “Antes e depois, beijar, longamente, a tua boquinha. Essa tua boca sensual e perversamente bonita, expressiva, quente, sabida, sabidíssima, suavíssima, ousada, ávida, requintada, ‘rafinierte’, gulosa, pecadora, especialista, perfumada, gostosa, tão gostosa como você toda inteira, meu anjo de Aracy bonita, muito minha, dona do meu coração”. Sim, ele mesmo. João Guimarães Rosa, o autor de Grande Sertão: Veredas, entre outras obras-primas da língua portuguesa, o diplomata sempre refinado do Itamaraty, escreveu essas linhas condimentadas e centenas de outras para a grande companheira de sua vida, num estilo que em nada lembra a prosa de Riobaldo e Diadorim. Quando “Joãozinho” escrevia para “Ara” (era assim que eles chamavam um ao outro ), era direto, rasgado, explícito. Só pensava em “boquinha sabida”, “pintazinha do pé esquerdo”, “camisolinha cor-de-rosa”.
O acervo – grande parte dele inédito – é composto por 107 cartas, 44 postais, bilhetes e telegramas, escritos por Rosa para Aracy entre 24 de agosto de 1938 e 18 de agosto de 1960. A pesquisa da correspondência foi confiada a duas estudiosas da obra do escritor, Neuma Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará, e Elza Miné, da Universidade de São Paulo. Elas se dedicam agora a escrever a biografia de Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, uma personagem extraordinária por motivos que vão muito além da condição de mulher de grande homem.
O livro será lançado ainda no ano do centenário de Aracy, que se encerra em 20 de abril. “Quando comecei a ler as cartas, fiquei muito tímida, como sempre acontece quando lemos a correspondência de alguém”, diz Neuma. “Fiquei muito emocionada com a vida deles. Aos poucos, senti como se fossem da família.”
A pesquisa foi iniciada no fim da década de 90. Em 2006, Neuma e Elza publicaram um artigo analisando a correspondência amorosa, nos Anais do Seminário Internacional em comemoração aos 50 anos de Grande Sertão: Veredas. Na biografia que preparam, as cartas serão reveladas e ganharão sentido no contexto da vida e da época de Aracy.
..................
E prossegue:
Grande Amor: Veredas Trechos de cartas escritas por Guimarães Rosa para Aracy entre 1938 e 1960:
”Mas meu amorzinho, para mim você não é só corpo, se bem que você é e será sempre a minha Vênus, a minha cocaína, o diabinho carnal que se apoderou da minha pele e penetrou em mim até a medula dos ossos.”
”Quando é que irás compreender que eu sou mais teu do que é tua aquela pintazinha que tens no pé esquerdo, ou do que aquela verrugazinha que tens no flanco?”
”Será que você está nesta hora também pensando em mim? Agora vou para a cama, para dormir com a camisolinha cor-de-rosa, depois de conversar um pouco com os chinelinhos chineses, que me falarão dos lindos pezinhos de sua dona.” (25/8/1938)
A continuação desta interessantíssima matéria da jornalista Eliane Brum pode ser lida na seção Mente Aberta da revista Época acessando no título da postagem.
O encontro entre café e vinho

O café na Arábia era qahwah que signiificava vinho. Conhecido como vinho da Arábia, desde sua descoberta tinha um caráter inebriante, conquistador, requintado, capaz de dar energia e estimular os sentidos. A pronúncia da palavra assemelha-se ao que passamos a chamar café: qahveh.
Vinho e café, modernamente, estão em pé de igualdade quando falamos de sabor, aroma e esmero na produção. O vinho criou uma cultura de apreciação importante e cativou amantes há décadas. O café, por sua vez, vem atualmente formando esse hábito e acompanha a rota percorrida pelo primeiro.

Se vc é um apreciador de vinhos, de café, ou de ambos, poderá acessar o portal espresso pelo título deste post. É no mínimo curioso. Mas só se vc não achar bobagem saber o que faz um barista...
OS HÁBITOS DA "JAMAISLÂNDIA"
O REINO DA Jamaislândia nunca andou tão alvoroçado.
Cardiologistas alertavam, nas emissoras do reino, para os riscos da hipertensão provocada pelo abuso do pré-sal, um sal que se usa como pré-tempero, antes mesmo de saber se dará gosto à comida. Nem se haverá comida para o pré-tempero.
Não bastasse esse problema público de saúde, muitos lamentaram saber que o investimento por súdito em educação era um dos menores do mundo. O reizinho, contudo, não perdeu tempo: subiu à sacada e anunciou o aumento do investimento, não em educação, mas em propaganda. E dá-lhe pré-sal nos banquetes da corte.
Ainda não era o período da folia pagã do reino, que ocorria em fevereiro, mas havia um novo tipo de festividade: o avanço no pré-cheque especial. Isso mesmo, os jamaislandeses eram estranhos, pois se divertiam queimando dinheiro nos fornos do agiobanco, quando poderiam poupar seus pré-salários, adiar compras supérfluas ou usar outras formas de crédito, menos incendiárias.
Em um período em que a seca na maior cidade do reino fazia arder os olhos e sangrar os narizes, eles empestavam o ar com cheiro de pré-dinheiro queimado.
O Código de Defesa dos Súditos nada podia contra esse hábito nocivo. O que fazer quando alguém entra em uma das agências do agiobanco, pega um talão de pré-cheques especiais e se prepara para a caça às liquidações? Efetivamente, nada. Jamaislândia é um reino abençoado e bonito por natureza.
Agora, cruzam os dedos para que os consumidores de gás não fiquem desabastecidos por causa de uma disputa em um pequeno reino vizinho. Que, embora tratado a pão-de-ló pelo rei e pelos nobres de Jamaislândia, sempre que pode ameaça com um corte de gás ali, uma desfeita acolá.
Tudo isso ocorre quando faltam algumas semanas para as eleições dos vizires municipais. Que prometem canalizar os rios de leite e mel, para que os súditos não tenham de enfrentar longas filas, enquanto esperam, também, o maná cair do céu.
A temporada do pré-cheque especial está fazendo vítimas, os jornais do reino explicam os riscos que todos correm, mas quem está preocupado com isso? Gaste hoje e pense em como pagar amanhã é o lema dessa peculiar festividade.
Não vão longe os dias em que os idosos ficavam em maus lençóis, devendo suas murchas pensões no jogo do pré-empréstimo consignado. Nessa época ainda não se falava em pré-sal, caso contrário, a pressão deles teria ido para as nuvens, e eles já não estariam entre nós.
Súditos de Jamaislândia, não usem o pré-cheque especial, exceto em emergências, ou quando faltarem alguns dias para o pré-salário. Como forma de financiar compras, nunca em Jamaislândia.
MARIA INÊS DOLCI [tem um blog sobre defesa do consumidor que vc acessa no título deste post)
Cardiologistas alertavam, nas emissoras do reino, para os riscos da hipertensão provocada pelo abuso do pré-sal, um sal que se usa como pré-tempero, antes mesmo de saber se dará gosto à comida. Nem se haverá comida para o pré-tempero.
Não bastasse esse problema público de saúde, muitos lamentaram saber que o investimento por súdito em educação era um dos menores do mundo. O reizinho, contudo, não perdeu tempo: subiu à sacada e anunciou o aumento do investimento, não em educação, mas em propaganda. E dá-lhe pré-sal nos banquetes da corte.
Ainda não era o período da folia pagã do reino, que ocorria em fevereiro, mas havia um novo tipo de festividade: o avanço no pré-cheque especial. Isso mesmo, os jamaislandeses eram estranhos, pois se divertiam queimando dinheiro nos fornos do agiobanco, quando poderiam poupar seus pré-salários, adiar compras supérfluas ou usar outras formas de crédito, menos incendiárias.
Em um período em que a seca na maior cidade do reino fazia arder os olhos e sangrar os narizes, eles empestavam o ar com cheiro de pré-dinheiro queimado.
O Código de Defesa dos Súditos nada podia contra esse hábito nocivo. O que fazer quando alguém entra em uma das agências do agiobanco, pega um talão de pré-cheques especiais e se prepara para a caça às liquidações? Efetivamente, nada. Jamaislândia é um reino abençoado e bonito por natureza.
Agora, cruzam os dedos para que os consumidores de gás não fiquem desabastecidos por causa de uma disputa em um pequeno reino vizinho. Que, embora tratado a pão-de-ló pelo rei e pelos nobres de Jamaislândia, sempre que pode ameaça com um corte de gás ali, uma desfeita acolá.
Tudo isso ocorre quando faltam algumas semanas para as eleições dos vizires municipais. Que prometem canalizar os rios de leite e mel, para que os súditos não tenham de enfrentar longas filas, enquanto esperam, também, o maná cair do céu.
A temporada do pré-cheque especial está fazendo vítimas, os jornais do reino explicam os riscos que todos correm, mas quem está preocupado com isso? Gaste hoje e pense em como pagar amanhã é o lema dessa peculiar festividade.
Não vão longe os dias em que os idosos ficavam em maus lençóis, devendo suas murchas pensões no jogo do pré-empréstimo consignado. Nessa época ainda não se falava em pré-sal, caso contrário, a pressão deles teria ido para as nuvens, e eles já não estariam entre nós.
Súditos de Jamaislândia, não usem o pré-cheque especial, exceto em emergências, ou quando faltarem alguns dias para o pré-salário. Como forma de financiar compras, nunca em Jamaislândia.
MARIA INÊS DOLCI [tem um blog sobre defesa do consumidor que vc acessa no título deste post)
setembro 12, 2008
Prazer, sou deprimida
Ao ler este artigo da psicanalista Maria Rita Kehl, publicado na Revista Mente&Cérebro (agosto/2008), pensei em apenas comentá-lo aqui no blog. Talvez por ter passado um tempo como deprimida de carteirinha, acreditando que, quem não é, foi ou será, me pareceu melhor trazê-lo na íntegra, o que permitirá que cada um tire suas próprias conclusões. Seja como for, não resisto a chamar atenção para "...o estranho conluio entre a medicina e a doença: a auto-identificação do deprimido responde às novas estratégias de vendas dos laboratórios farmacêuticos." . O resto é com você... "Muito prazer, sou uma F34.1”. Assim a jornalista Cátia Moraes, autora de Eu tomo antidepressivo, graças a Deus!, lançado pela editora Record, manifestou o alívio que sentiu ao encontrar, na lista de sintomas elaborada pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) da Organização Mundial de Saúde (OMS), a descrição dos transtornos de humor que “explicavam” sua depressão.
A frase não é tão irônica quanto parece. A depressão, que muitos analistas e sociólogos consideram o sintoma mais expressivo das contradições sociais do século XXI, tornou-se, com o aval da ciência, uma prótese de identidade para os sujeitos perdidos entre as referências voláteis do mundo contemporâneo.
Do ponto de vista da psicanálise, a depressão resulta do empobrecimento da vida psíquica, sobretudo no que se refere à possibilidade de enfrentamento de conflitos. O abuso de soluções medicamentosas acaba por ser cúmplice desse encolhimento subjetivo. Daí que o avanço mercadológico dos antidepressivos não corresponda a uma diminuição dos casos de depressão. Bem ao contrário: a supressão química do sujeito do inconsciente só faz aumentar o mal-estar. A introspecção, a tristeza, o recolhimento, a contemplação – a vida do espírito, enfim – são desvios que atrapalham o rendimento de uma vida cuja qualidade se mede por critérios de eficiência, competência e disponibilidade para a diversão.
......
Para ler o texto integral clique no título.
setembro 11, 2008
A doença da curiosidade
Do Blog do Noblat, a crônica do L F Veríssimo:"Santo Agostinho escreveu que entre as tentações, uma das mais perigosas era a "doença da curiosidade", que nos levava a tentar descobrir os segredos da natureza, "aqueles segredos que estão além da nossa compreensão, que em nada nos beneficiarão e que o Homem não deve tentar saber". Foi, em outras palavras, o mesmo conselho que Deus deu a Adão e Eva no Paraíso, advertindo-os a não comer o fruto da árvore do saber para não contrair a doença. Eva - sempre elas - não se agüentou e comeu o fruto proibido.
Resultado: o Homem perdeu o paraíso da ignorância satisfeita e está, desde então, tentando descobrir que diabo de lugar é este em que lhe meteram, esta bola girando entre outras bolas num espaço imensurável, sem manual de instrução. Santo Agostinho e outros tentaram nos convencer a aceitar os limites da fé como os limites do conhecimento. Tentar compreender mais longe só nos traria perplexidade e angústia e nenhum benefício. Mas a doença já estava adiantada demais.
A fase mais aguda da doença da curiosidade chegou com a inauguração, esta semana, num subterrâneo na fronteira da Suíça com a França, do tal acelerador gigante que jogará prótons contra prótons em condições inéditas para tentar reproduzir a origem de tudo, liberar uma subpartícula atômica que até agora só existe em teoria e chegar mais perto de descobrir como funciona o Universo. Quer dizer, os descendentes de Adão e Eva pretendem levar a rebeldia do casal ao máximo e espiar por baixo do camisolão de Deus. Segundo alguns, o que o novo acelerador também pode trazer é um castigo terminal pela desobediência humana: o desaparecimento num buraco negro não só dos cientistas envolvidos e de alguns suíços e franceses na superfície mas do mundo todo. Com você e eu, que não temos nada a ver com a história, atrás.
O cataclismo é improvável, mas mesmo que a insubmissão do Homem não seja punida, resta a outra questão posta por Santo Agostinho, a do benefício. Que proveito, salvo para a vaidade científica, trará descobrir o que pretendem? Quanto mais se sabe sobre o funcionamento do Universo mais aumentam a perplexidade e a angústia por não se saber mais, por jamais se poder compreender tudo - pelo menos não com este cérebro que mal compreende a si mesmo.
Mas a toxina daquela fruta era forte e ainda age no organismo. E a doença é incurável".
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