setembro 09, 2008

A Arte de Amar

A Arte de Amar foi escrito no ano 1 a.C. e permanece atual.O poeta romano Ovídio Nasão nasceu no ano 43 a.C. Vindo de uma família abastada de cavaleiros, poeta festejado, Ovídio era como um dom-juan do império de Augusto. Confessou ter amado todas as mulheres – "as altas ou baixas, louras ou morenas, esbeltas ou opulentas, instruídas ou ignorantes, contanto que fossem belas e não tivessem ultrapassado o sétimo lustro de vida". (Isto é, que tivessem entre 35 e 40 anos, a idade, segundo ele, em que as mulheres atingem o "mais alto grau da ciência amorosa".) Em 1 a.C., ele escreveu A Arte de Amar, uma espécie de poema didático em que ele compara a arte da conquista amorosa às estratégias usadas pelos militares nas guerras. O que se percebe ao ler Ovídio é que pouca coisa mudou entre o amor da Roma Antiga e o de hoje. O poeta ensina desde o modo como o apaixonado deve cuidar da aparência até os jogos que ele deve empreender para deixar a amante à sua inteira disposição. Com quase 50 anos, Ovídio, por razões nunca esclarecidas, foi exilado por Augusto. Morreu cerca de dez anos depois. Seus ensinamentos sobre a conquista do amor permanecem até hoje: "Se alguém desconhece a arte de amar, que leia este poema e, uma vez por ele instruído, ame".
1 "Tudo serve de pretexto para mostrar tua solicitude. (...) Será mais fácil que os pássaros emudeçam na primavera ou as cigarras no verão (...) do que uma mulher resistir à carinhosa solicitude de um homem."
2 "Tens de agir como apaixonado e tuas palavras devem dar a sensação de que estás perdido de amor. (...) Como toda mulher se julga digna de ser amada, ser-te-á fácil ser acreditado."
3 "Quando tiveres razão para julgar conveniente que vá sentir saudades tuas, e que a tua ausência lhe cause inquietação, dá-lhe um descanso. (...) Cuida, todavia, que a tua ausência seja breve; com o tempo a saudade diminui, apaga-se a lembrança do ausente e um novo amor se insinua."
4 "Não ostentes em vão teus recursos, nem faças alarde da eloqüência. Elimina do teu falar todo o acento de pedantismo. Poderá alguém que esteja no seu juízo declamar seu amor com palavras complicadas à sua amada? (...) Escreve de modo natural, com palavras comuns mas ternas, escreve como se estivesses falando."
5 "Nada tens a perder se a deixares convencida de que tem grande poder sobre ti."
6 "Promete sem timidez, pois as promessas prendem as mulheres!"
7 "Aos homens só convém uma beleza sem enfeites. (...) Devem agradar apenas pela elegância discreta. (...) Não cries o hábito de frisar o cabelo a ferro, nem alises com pedras-pomes as pernas."
8 "Se queres conservar o amor da tua amiga, faze-a acreditar que estás maravilhado com sua beleza. (...) Se te apresenta vestida com uma simples túnica, exclama: 'Tu me abrasas!"
9 "Lágrimas também são úteis; com elas amaciarás até o diamante. Cuida para que a tua amada veja o pranto no teu rosto. Se as lágrimas te faltarem (porque nem sempre obedecem à nossa vontade), molha os olhos com a mão."
10 "O amor é uma espécie de serviço militar. (...) Nos campos do prazer, nossas provações são a noite, o inverno, as longas marchas, os caminhos fragosos. Terás muitas vezes de suportar a copiosa chuva e, morto de frio, terás de dormir sobre a terra nua."
11 "O vinho dispõe os ânimos e torna-os propícios aos ardores amorosos. (...) Que a tua inteligência e os teus pés possam exercer prontamente o teu ofício. A embriaguez, se for verdadeira, te será danosa, mas, se for fingida, poderá te ser útil. Faz que a tua língua pronuncie artificialmente palavras balbuciantes, para que sejam atribuídas, se cometeres algum atrevimento em atos ou palavras, às abundantes libações do vinho."
12 "Queres tê-la? Pede. Ela espera por isso. Conta-lhe a causa e a origem do teu desejo."

Da Folha Ilustrada de hoje:
O amor é uma arte

AH, OS CLÁSSICOS! Falamos deles e alguém boceja. Inevitável: um dos grandes crimes da nossa cultura é tratar os grandes livros da tradição ocidental com uma reverência provinciana, matando todo o prazer que temos em lê-los. Homero, para mim, sempre foi um dos melhores escritores de aventuras. O Júlio Verne da Grécia Antiga. E, ao ler as viagens de Ulisses e as fúrias de Aquiles, sempre imaginei Steven Spielberg dirigindo o filme. Só depois, muito depois, mergulhei nos mitos, na métrica, nas alegorias. Na filosofia. Primeiro, veio o prazer.
O mesmo para Ovídio, o poeta romano que o imperador César Augusto condenou ao exílio. Escreveram-se quilômetros de teses profundas sobre o vate. Mas nada substitui o prazer inocente e vital de o lermos com a cabeça limpa e a alma aberta.
Aconteceu comigo: sob um sol generoso, com o mar Mediterrâneo banhando-me os pés, li e ri com a sua "Arte de Amar" (tradução portuguesa de Carlos Ascenso André), o livrinho ultrajante que provavelmente o condenou à morte lenta. O livro é, como o título indica, um tratado sobre o amor. Mas não sobre o significado do amor; Ovídio não perde tempo com metafísicas. O amor é uma arte, ou seja, uma técnica que pode ser ensinada e apreendida. E o propósito de Ovídio é simples: escrever um manual que ensina homens e mulheres a conquistar e a conservar o amor.
Está tudo lá. Para os homens, um primeiro conselho: o amor não acontece; é preciso procurá-lo, de preferência onde há mulheres. E, se os leitores acham que os lugares ideais são as discotecas de sábado à noite, Ovídio discorda. Lugares de álcool prejudicam o julgamento. Melhor apostar nos lugares de cultura, como os teatros, onde há abundância e variedade. E sobriedade.
E depois do local, a estratégia: Ovídio ensina como os homens devem aproximar-se do alvo; como devem sentar-se ao lado dele; quais as primeiras palavras a serem ditas e trocadas (que devem ser simples e triviais, sem afetação ou vaidade); e, se vocês julgam que os metrossexuais levam vantagem no jogo, desenganem-se: Ovídio desaconselha pernas raspadas ou cabelos frisados. As mulheres gostam de homens com ar de homens. Só a limpeza é fundamental: das unhas à roupa, dos pêlos do nariz ao mau hálito, nada escapa à pena microscópica deste cupido letrado.
Mas o amor não se conquista apenas; é preciso conservá-lo depois da caçada. E não existe outra forma de conservá-lo que não passe pela amabilidade. Sê amável, diz o poeta, porque a tua beleza não será eterna; ela é um bem passageiro e frágil. Não sejas orgulhoso; não tenhas medo de ceder nas tempestades. E, se julgas que a tua amada se conserva com prendas caras, repensa: as verdadeiras prendas são aquelas que escolhemos com inteligência e entusiasmo. E ignora os defeitos: todos os defeitos da mulher que amas acabam por se suavizar com o tempo, até ao momento em que se tornam virtudes ou marcas íntimas e pessoais.
Por último, o equilíbrio frágil: o amor só sobrevive se, sobre ele, pairar uma sombra de perda. É necessário que a amada sinta, por vezes, que pode te perder: "Aquece-lhe o coração morno", diz Ovídio, "ateia as chamas, com a força de um sopro". Não existe maior verdade: a rotina é o veneno dos amantes; o ciúme é o sal que dá sabor ao prato.
E conselhos para as mulheres? A "Arte de Amar" é composto por três livros; só o último é dedicado ao público feminino. Existem repetições: evitar homens excessivamente cuidados, por exemplo. Ou, então, ter especial cuidado com a higiene do cabelo, do corpo, dos dentes. E alguns truques para disfarçar defeitos: se a mulher é pequena, que prefira estar sentada; se tem dedos gordos e unhas sujas, que evite gestos demorados; e, se os dentes são tortos ou grandes, que controle as risadas.
Mas a mensagem central é uma exortação libertária: a vida é veloz e breve; e o amor deve ser colhido nos verdes anos. As mulheres nada ganham se adiarem continuamente as paixões até que a velhice se instale. Devem, pelo contrário, ofertar os prazeres aos homens, mas nunca de forma descarada: a paixão vive da tensão constante entre a recusa e a entrega, uma dança que aguça o desejo. Mas, no fim, deve triunfar a entrega. De preferência com a luz apagada.
Moral da história? Eu prometo oferecer este livro às minhas amigas. E com as melhores passagens sublinhadas.
JOÃO PEREIRA COUTINHO

setembro 08, 2008

O SEGREDO DO GRÃO

O Segredo do Grão é uma brilhante crônica da vida de uma família árabe vivendo numa cidade portuária da França. O sonho de construir um restaurante dentro de um barco motiva o patriarca da família de imigrantes a mobilizar todos seus familiares e amigos para essa dura missão. Centrado na descrição pormenorizada das relações internas dessa grande família, suas dores, alegrias, desentendimentos, desencontros, mágoas e anseios – o filme mostra as difículdades que enfrentam os que tentam fixar raízes em terra estrangeira. O diretor Kechiche, através dessa envolvente história familiar, explora o tema da vida dos imigrantes árabes norte-africanos na França atual, como fez Fatih Akin com relação aos turcos na Alemanha, no filme Contra a Parede, que já recomendei a muitos amigos.
Ainda não assiti ao O Segredo do Grão mas, semana que passou, adquiri um livro cujo tema (falo do "tema" pois não posso confiar na memória para assegurar seja este o título) é o cinema vai à mesa. Só li um pouco dele na livraria porque comprei para dá-lo de presente e pedi para fazerem a embalagem própria. Fiquei impedida de tirar a dúvida.O livro é muito interessante.Traz, além das ilustrações dos pratos, cenas dos respectivos filmes. Tomara que ela goste, tanto quanto eu.
Embora só vá à cozinha para dar “apoio moral”aos amigos(uma grande falha), gosto muito de comer (outra!) e de cinema (será que que já deu para perceber?). Assim, a combinação gastronomia e cinema me pareceu das melhores. Convidar os amigos para um jantarzinho, seguido do filme correspondente, é um programa e tanto!
Tempos atrás, (ainda nem sabia da existência do livro sobre cinema e gastronomia), guardei nos meus alfarrábios (ops!) esta matéria, da FSP, sobre cinema, que trazia,além da descrição do clima em torno da mesa,a receita de cuscuz com ingredientes do mar d’ O SEGREDO DO GRÃO (título original La Graine et le Mulet, premiado com o Cesar 2008). Provavelmente, de tão novo, o filme não integra o livro.
Em uma mesa grande e farta, uma família almoça. Todos falam muito alto e ao mesmo tempo. Não se trata de uma casa italiana. É uma cena da comunidade árabe mostrada no filme "O Segredo do Grão", do tunisiano Abdel Kechiche.Na emocionante história, o restaurador de barcos Slimane Beiji decide abrir um restaurante flutuante cuja especialidade é o cuscuz. O prato, que tem origem no Norte da África, na região do Magreb, tem o poder de unir as pessoas em torno da cozinha e da mesa".
Inspirada pelo filme, a chef Dinah Doctors criou uma receita de cuscuz com ingredientes do mar. Um prato para comer com os olhos e com os dedos - mas só os três primeiros, como manda a tradição árabe.
Vamos ao Couscous marinho:
Ingredientes:
Cuscuz
1 pacote de cuscuz médio
Molho
100 ml de azeite
2 cebolas médias picadas
1 pimentão vermelho bem picado
6 tomates médios sem sementes e sem pele, picados
500 g de camarões médios sem casca
300 g de lula em anéis
Sal e azeite extravirgem a gosto
Infusão de açafrão
4 pistilos de açafrão
100 ml de água
Preparo
Faça o cuscuz de acordo com as instruções da embalagem e reserve. Prepare, então, a infusão de açafrão: aqueça a água e acrescente os pistilos, deixando-os descansar por 10 minutos, até que a água fique tingida. Reserve. Coloque os 100 ml de azeite numa panela com a cebola picada e refogue rapidamente. Ponha o pimentão e deixe por mais 5 minutos. Acrescente os tomates e a infusão reservada, mexa e deixe no fogo até um pouco da água evaporar. Em seguida, coloque os camarões e deixe por mais cinco minutos. Por último, acrescente a lula, acerte o sal e deixe por mais dois minutos.
Montagem
Disponha o cuscuz no centro de cada prato formando uma pirâmide. Coloque o molho em volta e, depois, regue tudo com um pouco de azeite.
Me convida que eu levo o vinho.

SUPERINTERESSANTE

A Revista Superinteressante liberou para leitura e consulta todo o conteúdo das suas edições antigas, de 1987 a 2007. 20 ANOS!!!
Se você tem filhos, netos, sobrinhos...não deixe de indicá-los a leitura deste post! Sem dúvida, um rico material para pesquisa escolar.
Clicar no título

setembro 07, 2008

Buon appetito!

Clique no título acima e MOVIMENTE O MOUSE (sempre apertado) para visualizar.
Quando quiser parar, para conferir os detalhes, basta soltar.
Movimente para cima e para baixo, para esquerda e direita, etc...
Faça um giro de 360ª.
Veja o teto!!!
Viva a Italia!
Já estou achando isto melhor do que cenas de sexo...:) :)

Alma carioca

Se vc gostava dos simpáticos personagens criados pelo inesquecível Walt Disney, clique no título da postagem para se deleitar com o desenho animado Aquarela do Brasil!
Uma maravilha!!!

setembro 06, 2008

Sem açucar e com afeto

Este email recebi hoje. É de momentos como o que nele se descreve que a vida, e o que chamam de felicidade, é feita. Só disto. E é dessa maneira que continuo presente, na lembrança e na saudade! Vejam se nao é puro afeto!
"Querida Zélia, lembrei muito de ti nesta última noite. Convidei uns amigos para um jantar aqui no meu apartamento. Vieram a ***, o ***, a *** (meus dois professores de Gramática Grega) e a *** (professora de literatura inglesa). Faltou o ***, professor de espanhol. Pois bem, o convite de ontem, era bem em torno de uma vontade dele em rever a *** e presenteá-la com um DVD de um filme mexicano dos anos trinta que ele conseguiu baixar e, com a ajuda dos conhecimentos de francês dela, reproduzir a capa com os créditos em português.
Lembrei de ti também - ou principalmente - porque fiz um prato que queria ter podido fazer para ti durante tua estância fortalezense, mas as nossas vidas andaram tão cheias de compromissos entrechocantes que não consegui realizar meu intento. Sempre busco cobaias com sangue bom, ou seja, de quem eu goste tanto, que a comida certamente sairá boa. Jogo meu afeto dentro dela. Alguns percebem, outros são tão gulosos que só sentem o prazer da gula.
Ontem à tardinha debrucei-me sobre meu "talento" (?!) e escaldei o polvo numa água com cebola e um bouillon de lagosta que eu havia guardado no congelador para essas eventualidades. O molusco cefalópode octópode (acabo de vir da aula de Grego!!) ferveu e cozinhou durante mais ou menos uma hora, e, depois, quando já estava bem tenro, tratei-o (já o havia comprado sem a tinta) e em seguida cortei-lhe o corpo e os tentáculos em rodelas finas. Uma parte das rodelas, usei para fazer uma vinagrete que foi servida como uma das entradas, e a outra, reservei-a para o arroz, para que também compusesse a piéce de résistance.
Ao se trabalhar o polvo, sobretudo com as mãos e os olhos, não se pode deixar de pensar nas conotações eróticas que o bicho suscita. É muito viscoso e tem formas muito características. E é todo roxo, ainda por cima! Mas nada que remeta a políticos que afirmam ter aquilo roxo. Mais nobres são os polvos.
Lembro-me agora de um belo livro da escritora Isabel Allende que minha amiga Zélia me deu. Afrodite. É um passeio em que se degusta a cozinha, mas, ao mesmo tempo, o erótico, o sensual, as chamas do desejo de comida no mais lato senso. Lindo livro, cheio de belas gravuras (minha avó falaria em cromos!). Eu, que sou fã do livro "Como Água Para Chocolate", da escritora mexicana Laura Esquivel (assim como adoro o filme), acho que "Afrodite" ganha de mil a zero.
Cozinhei o arroz na água que havia sobrado daquela fervura de uma hora em que se debatera o polvo morto, ou seja, numa água que já estava bastante arroxeada pela cor da restante tinta que o organismo do polvo ainda liberara. Quando o arroz já estava secando, deitei-lhe (para lembrares do portuga!) dentro as rodelas de polvo devidamente temperadas com ervas frescas (alecrim, manjericão e hortelã) e gengibre fresco ralado na hora. Noz moscada, um pouco de cúrcuma e caril também não faltaram. Servi o arroz como acompanhamento de um frango que assei no forno, em pedaços também temperados com gengibre, pimentão de três cores, cebola, alho, manjericão e alecrim, antes submetidos a um processo de refogado. Como sobremesa, servi uma mousse de graviola com morangos, que eu mesmo fiz. Acho que, desta última, terias declinado, ainda que a contragosto. Para evitar o retrogosto!
Lembrei de ti pela comida, mas também pelas músicas aqui ouvidas que eu queria ter-te dado gravadas em CDs, mas que, devido a toda aquela azáfama em que me encontrava com a visita ludovicense chez moi, não pude fazer. Castiguei também nos clássicos, que reencontrei um pouco durante a visita brúnica, a começar por uma série de música barroca italiana, mas também Bach e belas Ave-Marias, que também pus a tocar, em parte, na noite em que jantaste conosco. (Adorei tua presença naquela noite, no jantar a três, gostei do teu bem à-vontade nas conversas com ***, que, por sua vez, não fez diferente.) Depois descambei para aqueles CDs novos da Ro Rô, da Zélia Duncan com a Simone (promessas vãs titolivianas, afirmo-o lívido!), os dois da Bethânia que eu adquiri no Rio e que se tornaram dois amigos de infância meus.
Enfim: foi uma bela noite! Pude ainda saborear um dos meus vinhos preferidos, o Flichman argentino, tinto e seco como eu gosto. Mas também respeitei o gosto dos outros (que preferiram, alguns, minha antologia de sucos, outros água, ou então foram obrigados a fazê-lo por medo do bafômetro; mas a ***, que é baquiana como eu – mas não mais balzaquiana, da mesma maneira que eu - preferiu curtir o "culto a Baco" comigo [infelizmente os teus concidadãos florianopolitanos ou barrigas-verdes em geral não devem conhecer este jogo de palavras, não é?]).
Tivemos também um breve sarau lítero-erótico com leituras das cantigas de maldizer e das cantigas obscenas escritas naquele galaico-português dos idos do século 13, que já conheces, além de um belo texto do João Ubaldo, que também já deves ter lido, em que ele descreve as aventuras e desventuras de Alandelão de La Patrie (assim mesmo! lembras do hilário conto?), um loiro touro reprodutor francês de caríssima estirpe, que, ao chegar na Terra Brasilis, resolve não querer trepar com as vacas que se enfileirariam para receber o benfazejo e suculento vergalhão. No decorrer do conto, não sei se te lembras, Ubaldo narra as mais inusitadas e diferentes formas de diversos bichos praticarem o ato sexual, a foda, a trepada, desde o calango com a calanga, passando pelos gatos, até a pata fazendo putaria de rosca com o pato.
Desculpe te incomodar desta vez com um e-mail bem diferente e, espero, leve. Mas saudade só é boa assim: quando a gente tem vontade de ter podido compartilhar um momento bom com mais uma pessoa amiga/querida. Cuja amizade a gente quer zelar, Zélia, porque faz bem. E é assim que vejo isso. Assim. E eu estou todo assim hoje. Não rias assim não, não penses que baixou um *** em mim. Também tenho meus momentos para ser assim. Ou assado.
Pena que não estivesses aqui!
Um abraço grande do amigo"

Lição de vida

Esta carta foi enviada ao diretor de uma escola que havia oferecido um almoço em homenagem às pessoas idosas da comunidade. Durante o almoço, uma das senhoras convidadas, de idade avançada, ganhou um rádio, num sorteio realizado com os cupons que foram entregues na porta.
Ela escreveu uma carta emocionada em agradecimento aos
promotores do evento. Este relato é uma homenagem a toda a humanidade, e serve para refletirmos sobre as relações humanas.
Veja que lição de vida:
"Caros alunos e membros da direção, Deus abençoe vocês pelo
lindo rádio que ganhei durante o almoço em homenagem aos idosos! Eu
tenho 84 anos e moro em um lar de velhinhos carentes. Toda a minha
família já faleceu, eu não tenho mais parentes. Por isso, foi muito
reconfortante saber que existem pessoas que ainda levam em consideração o meu bem estar e paz de espírito.
Aqui no nosso Lar, divido o quarto com uma companheira mais
idosa do que eu - ela tem 95 anos de idade - e não pode comparecer ao
almoço, por estar muito deprimida. Durante todos estes anos em que
convivemos ela teve um radinho como o meu, que lhe fazia companhia
constante. Ela nunca permitiu que eu ouvisse o rádio dela, mesmo quando
estava dormindo ou ausente. Há algum tempo, no entanto, o rádio dela
caiu do criado mudo e se espatifou no chão. Foi muito triste para ela,
que chorou muito.
Então eu ganhei este rádio e no dia seguinte ao almoço ela
pediu-me para ouvi-lo, e eu disse:
- Nem fudendo, sua velha filha da puta!!!
Obrigada por me proporcionarem essa inesquecível oportunidade!"

CABRA MARCADO PARA BAILAR

Este é o título da reportagem da REVISTA TRIP sobre o trabalho de Flávio Sampaio. Um dançarino que poderia ter uma aposentadoria tranqüila depois de se consagrar como bailarino e professor de algumas das principais companhias do Brasil e do mundo, mas optou por voltar a sua terra natal, a pequena Paracuru (CE), para montar a segunda maior escola de balé masculino do país e desafiar o velho preconceito de que dança não é coisa de homem.
Vejam que interessante clicando no título acima.

Famílias nada tradicionais

"Os romanos não tinham um termo específico para designar o que chamamos “família”. A palavra familia englobava todos aqueles que viviam sob a autoridade do pater familias, crianças e adultos, homens e mulheres, livres e escravos. Empregavam também a palavra domus (casa) que representava todos que moravam em uma mesma habitação.
Em Roma existiam três estruturas distintas: a família nuclear, a tríade pai-mãe-filho; a família ampliada – várias gerações que coabitavam sob a autoridade do patriarca; e finalmente a família múltipla, que congregava pessoas e outras famílias nucleares unidas por contratos de casamento.
Nas classes médias e populares as famílias eram muito mais estáveis do que na aristocracia. Nas inscrições funerárias há elogios freqüentes às mulheres que viveram em paz com seus maridos durante 20, 30, até 60 anos. Mas também existiram famílias reconstituídas. A morte de um dos cônjuges levava o sobrevivente a assumir uma nova união. Alguns documentos mencionam mulheres que foram casadas várias vezes."

Este é apenas um trecho da interessante reportagem da historiadora Catherine Salles, especialista em história romana, publicada na revista História Viva, cuja leitura recomendo. Para tanto, basta clicar no título da postagem.

setembro 05, 2008

Envelhecer não é obrigatório?!

Ninguém diria hoje que ser velho equivale a estar doente, apesar de nenhum remédio poder evitar os cabelos brancos e as rugas, nem a perda de agilidade e de vigor. Envelhecer não é um imperativo da evolução, mas um processo alterável. Seria possível retardá-lo muito? Inclusive evitá-lo? São perguntas que até há pouco tempo ficavam no plano da fantasia, mas hoje geram pesquisas de primeira linha.
As descobertas dos últimos anos fizeram com que até os cientistas mais ortodoxos, que vêem na proliferação das terapias antivelhice apenas um produto de marketing, se perguntem como podem prolongar a vida humana.
O envelhecimento biológico não é uma conseqüência inevitável da passagem do tempo. Há evidências, segundo os pesquisadores de que não é obrigatório envelhecer, do ponto de vista evolutivo: “ O envelhecimento não é como a mudança da dentição, que claramente traz vantagens, ou a puberdade, que prepara o organismo para se reproduzir. Para a evolução, dá na mesma que nos apareçam cabelos brancos e rugas. Daí se deduz que o envelhecimento não é imutável.”
No entanto, talvez a maior mudança ainda esteja por vir. Segundo a revista "Nature", "a questão não é se a duração média da vida humana aumentará modestamente nas próximas décadas. Isso acontecerá quase com certeza. A questão é, principalmente, se é factível adiar o envelhecimento humano e a morte natural por muitas décadas, inclusive de forma indefinida".
Décadas de vida a mais? Imortalidade? Parece ambicioso, mas os autores deixam claro que sua análise não tem nada a ver com as terapias antienvelhecimento atualmente em voga. Eles partem de uma pergunta muito básica: por que a partir de certa idade o organismo começa a funcionar de modo menos perfeito? A resposta está na evolução.
"O envelhecimento não é um programa genético selecionado e conservado pela evolução; seria mais um colapso do organismo". O envelhecimento ocorreria por defeito, por assim dizer, e não porque confira uma vantagem ao indivíduo.
Há vários argumentos. Um é que “o envelhecimento é muito raro na natureza. Outro é que, no caso de envelhecer, isso acontece depois que o indivíduo se reproduziu e criou sua descendência, e, portanto o que lhe acontecer a partir desse momento não terá transcendência (em termos genéticos, não será transmitido a nenhum descendente). "Para a evolução, os velhos não importam".
O que acontece com um corpo que envelhece? Quais são os mecanismos biológicos que contribuem para seu colapso? Vale a pena descobrir isso, principalmente se quiser combater esses mecanismos. Além disso, há aqui um elemento interessante: a relação do envelhecimento com a doença. Ganha força a idéia de que as doenças mais freqüentes na idade avançada, como o câncer ou o Alzheimer, são faces diferentes de um mesmo problema: o envelhecimento. Isso implica que convém elucidar a biologia do envelhecimento para atacar conjuntamente doenças que hoje são pesquisadas em separado.
"As mudanças biológicas que nos predispõem a doenças fatais e incapacitadoras são causadas pelo processo de envelhecimento. Por isso devemos transformar em prioritárias as intervenções para retardar esses processos. Aceita-se em geral que o organismo vai acumulando danos, por exemplo, no material genético das células, na medida em que passa o tempo. São danos devidos a processos como a liberação dos famosos radicais livres, inevitável subproduto de nossa respiração.
E agora a grande pergunta: quais são as possibilidades reais de conter ou mesmo reverter o envelhecimento? Os autores do artigo de "Nature" lembram que hoje se conhecem centenas de mutações genéticas capazes de prolongar a vida - às vezes em até 40% - em lagartas, levedos, moscas da fruta e ratos.
São genes envolvidos no crescimento, no metabolismo, na nutrição e na reprodução. Muitos têm efeitos bioquímicos semelhantes aos que são provocados por um comportamento que, segundo já sabe há um século, prolonga a vida dos ratos no laboratório: a restrição calórica. Isto é, comer muito pouco, mas sem cair na desnutrição.A restrição calórica é de fato a única coisa que, fora as manipulações genéticas, se mostrou eficaz em ratos - não em humanos - para prolongar a vida.
Seria possível conseguir resultados igualmente interessantes com pessoas?
Ninguém sabe. E a manipulação genética? Os autores do citado artigo advertem que o aumento da longevidade devido a mutações é menor na medida em que aumenta a complexidade dos organismos. Talvez nos seres mais complexos os circuitos genéticos envolvidos no prolongamento da vida sejam regulados por outros circuitos ainda desconhecidos.
Para tornar realidade algo assim seria preciso primeiro resolver também o problema do cérebro: os neurônios que armazenam as recordações, as experiências vitais, não se regeneram. Quem gostaria de ter um cérebro jovem, mas em branco?
Assim, os cientistas da "Nature" respondem com um "ainda não sabemos" à pergunta de se o homem poderá um dia ser imortal, mas mostram-se otimistas em relação à possibilidade de ampliar nossa existência e também conseguir que seja melhor.
É ter paciência. Os que acreditaram na fonte da juventude estão esperando até hoje!
Trecho de "Contendo a velhice" do El Pais.

MPBJAZZ

Esta é uma sugestão para quem gosta de música. O blog, além de comentários e notícias atualizadas, permite ouvir músicas (que não estão no youtube).
Para abrir, clique no título da postagem ou se o link não funcionar, copie e cole no seu navegador: http://mpbjazz.blogspot.com/
E tem mais este, só para ouvir http://blognoblat.com.br/oglobo_globo_com_pais_noblat_index.html

Dor- de- corno brega

A gente mais simples, com acesso a poucos prazeres, tem no radinho para ouvir uma música de dor-de-corno básica, um alento para a vida sofrida. "E não é Dorival Caymmi nem João Gilberto que ouvem. Já foi Vicente Celestino, Orlando Dias, Anísio Silva, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, José Augusto, mas também Waldick Soriano, o símbolo máximo do gênero brega".
De tão brega é quase cult, com o seu Eu não sou cachorro não que tem até versão em inglês, regravada em inglês macarrônico pelo Falcão. Foram também sucessos seus : "Paixão de um Homem", "A Carta", "A Dama de Vermelho" e "Se Eu Morresse Amanhã". Waldick era um brega estiloso. Com seu inseparável chapéu, óculos grandes, "a voz rascante do corno transtornado" ele fez escola. Tem até cover. Depois da que é considerada sua obra-prima Tortura de Amor,de 1962, seguiram-se muitas músicas mais ou menos iguais. Afinal, dor de corno não varia muito. Fica comigo esta noite, gravada pela Nubia Lafayete é inesquecível (acho que vou parar por aqui, estou me entregando). O legal mesmo é o clima de cabaré, os metais e sua voz marcante deixando os românticos incuráveis a sonhar com uma noite de amor ou apenas um chamego. Dizem (os intelectuais) que Waldick é o lado B do Brasil. Na verdade, é o lado A, pela imensa popularidade, ainda que dificilmente suas músicas cheguem às futuras gerações, pois outros Waldicks já estão cumprindo este papel.
Afinal, quem não é corno, foi ou será.

PS: O post foi inspirado no RODRIGO FAOUR que é produtor e pesquisador musical. No seu comentário, ele esclarece que "Fica comigo esta noite" é do Nelson Gonçalves.

setembro 04, 2008

Na memória dos outros

"Encontrei, depois de muitos anos, uma antiga colega de faculdade. Não a reconheci quando veio ao meu encontro.
O rosto era familiar, olhar e voz eram conhecidos, mas demorei um pouco para me lembrar.
Como meu nome estava pronto na sua boca, e o seu me faltava, usei pronomes genéricos até que ela e o nome me voltassem à mente. Alívio. Não há algo pior do que não se lembrar de quem se lembra da gente.
Já vivi situação contrária, mas o outro não se lembrou mesmo de mim. Diante do seu esquecimento, minha existência sobrou, suspensa. Não me parecia que sua memória falhara, mas que eu não tinha sido suficiente para deixar nele qualquer marca.
A memória do outro tem poder infinito na confirmação da nossa existência! É nela que persistimos durante a vida e perduramos depois de partir deste mundo. Sábios os gregos antigos, que viam na lembrança das gerações futuras a garantia de sua imortalidade.
A memória dos outros é um arquivo do nosso passado, de atos realizados e palavras ditas.
Mas atos e palavras que podem se projetar no futuro. Se os outros não mudarem sua memória de quem somos, estaremos condenados a permanecer sendo os mesmos, imutáveis.
A memória dos outros é senhora do conceito da pessoa que somos. Não será esse o poder que os outros exercem sobre nós e a razão dos esforços para causar boa impressão?
Talvez esteja aí o motivo do incômodo de quando encontramos antigos conhecidos e a conversa não corre. De quando dizemos que não temos mais interesses comuns. Sentimo-nos estranhos à procura de algo, entre nós, esquecido.
A memória precisa de tempo para atualizar vínculos. Não só para recobrar acontecidos, mas para restaurar os sentimentos que os acompanharam.
Como a memória não conserva consigo apenas fatos, mas versões, cada cena registrada é a síntese de uma história. Um balão caindo no quintal, a mordida de um cachorro, um cheiro, um sentimento aparentemente sem explicação... Tudo o que a memória guarda é apenas um pedaço de um quadro imenso.
Lembrar, portanto, é descongelar essas sínteses. Restaurar experiências. Recuperar histórias. No esquecimento, os outros estão perdidos para nós, e nós, perdidos para eles.
Quando esquecemos o que nos unia aos outros, parte da nossa existência escoa de nós.
Resta sempre algum constrangimento diante da memória dos outros sobre nós. Embora Hannah Arendt afirme que nós, homens, somos as únicas criaturas que podem interferir no modo como queremos aparecer para os outros, essa interferência tem limites e não passa de um esforço incerto. O resultado escapa de nossas mãos: está na memória que os outros conservam de nós.
Habitamos a memória dos outros em retratos cuja pose não escolhemos. Apesar de todo o empenho, é improvável que os outros tenham registrado só nossos melhores momentos. Eles podem preservar o rosto de que não gostamos, podem nos fazer maiores ou menores do que somos. Apropriando-se de nós, a memória dos outros tem o poder de nos tornar aqueles que não somos ou que acreditamos não ser.
Diante da memória dos outros, perco a posse de mim mesma. Ela é o único lugar onde, irremediavelmente, meu destino corre à minha revelia".
--------------------------------------------------------------------------------
DULCE CRITELLI , terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP,

setembro 03, 2008

Você quer ser um diamante?

Por que passar o sono eterno debaixo da terra ou então espalhar as cinzas da cremação? Ao custo de alguns milhares de euros e graças a uma sofisticada transformação química, uma empresa suíça agora garante ao falecido reservar seu lugar na eternidade sob a forma de um 'diamante humano'.
Na pequena cidade de Coire, na Suíça, a empresa Algordanza recebe a cada mês entre 40e 50 urnas funerárias procedentes de todo o mundo. Seu conteúdo será pacientemente transformado em pedra preciosa.
'Quinhentos gramas de cinzas bastam para fazer um diamante, enquanto o corpo humano deixa uma média de 2,5 a 3 kg depois da cremação', explica Rinaldo Willy, um dos co-fundadores do laboratório onde as máquinas funcionam sem interrupção 24 horas por dia.
Os restos humanos são submetidos a várias etapas de transformação. Primeiro, viram carbono, depois grafite. Expostos a temperaturas de 1.700 graus, finalmente se transformam em diamantes artificiais num prazo de quatro a seis semanas. Na natureza, o mesmo processo leva milênios.
'Cada diamante é único. A cor varia do azul escuro até quase branco. É um reflexo da personalidade' , comenta Willy.
Uma vez obtido, o diamante bruto é polido e talhado na forma desejada pelos familiares do falecido para depois ser usado num anel ou num cordão.
O preço desta alma translúcida oscila entre 2.800 e 10.600 euros, segundo o peso da pedra (de 0,25 a um quilate), o que, segundo Willy, vale a pena, já que um enterro completo custa, por exemplo, 12.000 euros na Alemanha.
A indústria do 'diamante humano' está em plena expansão, com empresas instaladas na Espanha, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.
A mobilidade da vida moderna é propícia para o setor, explica Willy, que destaca a dificuldade de se deslocar com uma urna funerária ou o melindre provocado por guardar as cinzas de um falecido na própria casa.

Não resisti....

O PAPAGAIO DE FLAUBERT


Estou terminando de ler o livro mais incensado do ingles Julian Barnes: O Papagaio de Flaubert, um dos títulos europeus mais premiados dos anos 80. A história de um médico que procura o sentido de sua vida nos escritos de Gustave Flaubert, a ponto de tornar-se obcecado por tudo que se refira ao escritor, começa com a sua viagem à França. O que seria uma peregrinação literária à terra de Flaubert e o encontro com o papagaio que serviu de modelo a um dos seus contos — acaba por ser um jogo delirante sobre a própria natureza da literatura, sobre a paixão dos livros e sobre o mito do autor.

lactação, orgasmo e afeto

O que teriam em comum estas coisas tão especiais? A oxitocina que é conhecida como o hormônio do amor. Trata-se de um hormônio com papel fundamental em momentos específicos da vida do ser humano, particularmente na das mulheres. As contrações do parto e a lactação são resultado da secreção de grandes quantidades desse peptídeo, produzido no cérebro e liberado na corrente sangüínea. A substância também tem ação fundamental durante o orgasmo de pessoas de ambos os sexos – e também atua como neurotransmissor. Está relacionada ao afeto, à confiança e, obviamente, ao comportamento maternal. A novidade é que, investigando como funcionam as células produtoras de oxitocina no cérebro, pesquisadores europeus chegaram a conclusões surpreendentes, e que podem ajudar a entender novas facetas do processamento neural.
Para mim amamentar foi um prazer quase sexual.Então, era a tal da oxitocina?!