Este email recebi hoje. É de momentos como o que nele se descreve que a vida, e o que chamam de felicidade, é feita. Só disto. E é dessa maneira que continuo presente, na lembrança e na saudade! Vejam se nao é puro afeto!
"Querida Zélia, lembrei muito de ti nesta última noite. Convidei uns amigos para um jantar aqui no meu apartamento. Vieram a ***, o ***, a *** (meus dois professores de Gramática Grega) e a *** (professora de literatura inglesa). Faltou o ***, professor de espanhol. Pois bem, o convite de ontem, era bem em torno de uma vontade dele em rever a *** e presenteá-la com um DVD de um filme mexicano dos anos trinta que ele conseguiu baixar e, com a ajuda dos conhecimentos de francês dela, reproduzir a capa com os créditos em português.
Lembrei de ti também - ou principalmente - porque fiz um prato que queria ter podido fazer para ti durante tua estância fortalezense, mas as nossas vidas andaram tão cheias de compromissos entrechocantes que não consegui realizar meu intento. Sempre busco cobaias com sangue bom, ou seja, de quem eu goste tanto, que a comida certamente sairá boa. Jogo meu afeto dentro dela. Alguns percebem, outros são tão gulosos que só sentem o prazer da gula.
Ontem à tardinha debrucei-me sobre meu "talento" (?!) e escaldei o polvo numa água com cebola e um bouillon de lagosta que eu havia guardado no congelador para essas eventualidades. O molusco cefalópode octópode (acabo de vir da aula de Grego!!) ferveu e cozinhou durante mais ou menos uma hora, e, depois, quando já estava bem tenro, tratei-o (já o havia comprado sem a tinta) e em seguida cortei-lhe o corpo e os tentáculos em rodelas finas. Uma parte das rodelas, usei para fazer uma vinagrete que foi servida como uma das entradas, e a outra, reservei-a para o arroz, para que também compusesse a piéce de résistance.
Ao se trabalhar o polvo, sobretudo com as mãos e os olhos, não se pode deixar de pensar nas conotações eróticas que o bicho suscita. É muito viscoso e tem formas muito características. E é todo roxo, ainda por cima! Mas nada que remeta a políticos que afirmam ter aquilo roxo. Mais nobres são os polvos.
Lembro-me agora de um belo livro da escritora Isabel Allende que minha amiga Zélia me deu. Afrodite. É um passeio em que se degusta a cozinha, mas, ao mesmo tempo, o erótico, o sensual, as chamas do desejo de comida no mais lato senso. Lindo livro, cheio de belas gravuras (minha avó falaria em cromos!). Eu, que sou fã do livro "Como Água Para Chocolate", da escritora mexicana Laura Esquivel (assim como adoro o filme), acho que "Afrodite" ganha de mil a zero.
Cozinhei o arroz na água que havia sobrado daquela fervura de uma hora em que se debatera o polvo morto, ou seja, numa água que já estava bastante arroxeada pela cor da restante tinta que o organismo do polvo ainda liberara. Quando o arroz já estava secando, deitei-lhe (para lembrares do portuga!) dentro as rodelas de polvo devidamente temperadas com ervas frescas (alecrim, manjericão e hortelã) e gengibre fresco ralado na hora. Noz moscada, um pouco de cúrcuma e caril também não faltaram. Servi o arroz como acompanhamento de um frango que assei no forno, em pedaços também temperados com gengibre, pimentão de três cores, cebola, alho, manjericão e alecrim, antes submetidos a um processo de refogado. Como sobremesa, servi uma mousse de graviola com morangos, que eu mesmo fiz. Acho que, desta última, terias declinado, ainda que a contragosto. Para evitar o retrogosto!
Lembrei de ti pela comida, mas também pelas músicas aqui ouvidas que eu queria ter-te dado gravadas em CDs, mas que, devido a toda aquela azáfama em que me encontrava com a visita ludovicense chez moi, não pude fazer. Castiguei também nos clássicos, que reencontrei um pouco durante a visita brúnica, a começar por uma série de música barroca italiana, mas também Bach e belas Ave-Marias, que também pus a tocar, em parte, na noite em que jantaste conosco. (Adorei tua presença naquela noite, no jantar a três, gostei do teu bem à-vontade nas conversas com ***, que, por sua vez, não fez diferente.) Depois descambei para aqueles CDs novos da Ro Rô, da Zélia Duncan com a Simone (promessas vãs titolivianas, afirmo-o lívido!), os dois da Bethânia que eu adquiri no Rio e que se tornaram dois amigos de infância meus.
Enfim: foi uma bela noite! Pude ainda saborear um dos meus vinhos preferidos, o Flichman argentino, tinto e seco como eu gosto. Mas também respeitei o gosto dos outros (que preferiram, alguns, minha antologia de sucos, outros água, ou então foram obrigados a fazê-lo por medo do bafômetro; mas a ***, que é baquiana como eu – mas não mais balzaquiana, da mesma maneira que eu - preferiu curtir o "culto a Baco" comigo [infelizmente os teus concidadãos florianopolitanos ou barrigas-verdes em geral não devem conhecer este jogo de palavras, não é?]).
Tivemos também um breve sarau lítero-erótico com leituras das cantigas de maldizer e das cantigas obscenas escritas naquele galaico-português dos idos do século 13, que já conheces, além de um belo texto do João Ubaldo, que também já deves ter lido, em que ele descreve as aventuras e desventuras de Alandelão de La Patrie (assim mesmo! lembras do hilário conto?), um loiro touro reprodutor francês de caríssima estirpe, que, ao chegar na Terra Brasilis, resolve não querer trepar com as vacas que se enfileirariam para receber o benfazejo e suculento vergalhão. No decorrer do conto, não sei se te lembras, Ubaldo narra as mais inusitadas e diferentes formas de diversos bichos praticarem o ato sexual, a foda, a trepada, desde o calango com a calanga, passando pelos gatos, até a pata fazendo putaria de rosca com o pato.
Desculpe te incomodar desta vez com um e-mail bem diferente e, espero, leve. Mas saudade só é boa assim: quando a gente tem vontade de ter podido compartilhar um momento bom com mais uma pessoa amiga/querida. Cuja amizade a gente quer zelar, Zélia, porque faz bem. E é assim que vejo isso. Assim. E eu estou todo assim hoje. Não rias assim não, não penses que baixou um *** em mim. Também tenho meus momentos para ser assim. Ou assado.
Pena que não estivesses aqui!
Um abraço grande do amigo"
setembro 06, 2008
Lição de vida
Esta carta foi enviada ao diretor de uma escola que havia oferecido um almoço em homenagem às pessoas idosas da comunidade. Durante o almoço, uma das senhoras convidadas, de idade avançada, ganhou um rádio, num sorteio realizado com os cupons que foram entregues na porta.
Ela escreveu uma carta emocionada em agradecimento aos
promotores do evento. Este relato é uma homenagem a toda a humanidade, e serve para refletirmos sobre as relações humanas.
Veja que lição de vida:
"Caros alunos e membros da direção, Deus abençoe vocês pelo
lindo rádio que ganhei durante o almoço em homenagem aos idosos! Eu
tenho 84 anos e moro em um lar de velhinhos carentes. Toda a minha
família já faleceu, eu não tenho mais parentes. Por isso, foi muito
reconfortante saber que existem pessoas que ainda levam em consideração o meu bem estar e paz de espírito.
Aqui no nosso Lar, divido o quarto com uma companheira mais
idosa do que eu - ela tem 95 anos de idade - e não pode comparecer ao
almoço, por estar muito deprimida. Durante todos estes anos em que
convivemos ela teve um radinho como o meu, que lhe fazia companhia
constante. Ela nunca permitiu que eu ouvisse o rádio dela, mesmo quando
estava dormindo ou ausente. Há algum tempo, no entanto, o rádio dela
caiu do criado mudo e se espatifou no chão. Foi muito triste para ela,
que chorou muito.
Então eu ganhei este rádio e no dia seguinte ao almoço ela
pediu-me para ouvi-lo, e eu disse:
- Nem fudendo, sua velha filha da puta!!!
Obrigada por me proporcionarem essa inesquecível oportunidade!"
Ela escreveu uma carta emocionada em agradecimento aos
promotores do evento. Este relato é uma homenagem a toda a humanidade, e serve para refletirmos sobre as relações humanas.
Veja que lição de vida:
"Caros alunos e membros da direção, Deus abençoe vocês pelo
lindo rádio que ganhei durante o almoço em homenagem aos idosos! Eu
tenho 84 anos e moro em um lar de velhinhos carentes. Toda a minha
família já faleceu, eu não tenho mais parentes. Por isso, foi muito
reconfortante saber que existem pessoas que ainda levam em consideração o meu bem estar e paz de espírito.
Aqui no nosso Lar, divido o quarto com uma companheira mais
idosa do que eu - ela tem 95 anos de idade - e não pode comparecer ao
almoço, por estar muito deprimida. Durante todos estes anos em que
convivemos ela teve um radinho como o meu, que lhe fazia companhia
constante. Ela nunca permitiu que eu ouvisse o rádio dela, mesmo quando
estava dormindo ou ausente. Há algum tempo, no entanto, o rádio dela
caiu do criado mudo e se espatifou no chão. Foi muito triste para ela,
que chorou muito.
Então eu ganhei este rádio e no dia seguinte ao almoço ela
pediu-me para ouvi-lo, e eu disse:
- Nem fudendo, sua velha filha da puta!!!
Obrigada por me proporcionarem essa inesquecível oportunidade!"
CABRA MARCADO PARA BAILAR
Este é o título da reportagem da REVISTA TRIP sobre o trabalho de Flávio Sampaio. Um dançarino que poderia ter uma aposentadoria tranqüila depois de se consagrar como bailarino e professor de algumas das principais companhias do Brasil e do mundo, mas optou por voltar a sua terra natal, a pequena Paracuru (CE), para montar a segunda maior escola de balé masculino do país e desafiar o velho preconceito de que dança não é coisa de homem.Vejam que interessante clicando no título acima.
Famílias nada tradicionais
"Os romanos não tinham um termo específico para designar o que chamamos “família”. A palavra familia englobava todos aqueles que viviam sob a autoridade do pater familias, crianças e adultos, homens e mulheres, livres e escravos. Empregavam também a palavra domus (casa) que representava todos que moravam em uma mesma habitação.Em Roma existiam três estruturas distintas: a família nuclear, a tríade pai-mãe-filho; a família ampliada – várias gerações que coabitavam sob a autoridade do patriarca; e finalmente a família múltipla, que congregava pessoas e outras famílias nucleares unidas por contratos de casamento.
Nas classes médias e populares as famílias eram muito mais estáveis do que na aristocracia. Nas inscrições funerárias há elogios freqüentes às mulheres que viveram em paz com seus maridos durante 20, 30, até 60 anos. Mas também existiram famílias reconstituídas. A morte de um dos cônjuges levava o sobrevivente a assumir uma nova união. Alguns documentos mencionam mulheres que foram casadas várias vezes."
Este é apenas um trecho da interessante reportagem da historiadora Catherine Salles, especialista em história romana, publicada na revista História Viva, cuja leitura recomendo. Para tanto, basta clicar no título da postagem.
setembro 05, 2008
Envelhecer não é obrigatório?!
Ninguém diria hoje que ser velho equivale a estar doente, apesar de nenhum remédio poder evitar os cabelos brancos e as rugas, nem a perda de agilidade e de vigor. Envelhecer não é um imperativo da evolução, mas um processo alterável. Seria possível retardá-lo muito? Inclusive evitá-lo? São perguntas que até há pouco tempo ficavam no plano da fantasia, mas hoje geram pesquisas de primeira linha.
As descobertas dos últimos anos fizeram com que até os cientistas mais ortodoxos, que vêem na proliferação das terapias antivelhice apenas um produto de marketing, se perguntem como podem prolongar a vida humana.
O envelhecimento biológico não é uma conseqüência inevitável da passagem do tempo. Há evidências, segundo os pesquisadores de que não é obrigatório envelhecer, do ponto de vista evolutivo: “ O envelhecimento não é como a mudança da dentição, que claramente traz vantagens, ou a puberdade, que prepara o organismo para se reproduzir. Para a evolução, dá na mesma que nos apareçam cabelos brancos e rugas. Daí se deduz que o envelhecimento não é imutável.”
No entanto, talvez a maior mudança ainda esteja por vir. Segundo a revista "Nature", "a questão não é se a duração média da vida humana aumentará modestamente nas próximas décadas. Isso acontecerá quase com certeza. A questão é, principalmente, se é factível adiar o envelhecimento humano e a morte natural por muitas décadas, inclusive de forma indefinida".
Décadas de vida a mais? Imortalidade? Parece ambicioso, mas os autores deixam claro que sua análise não tem nada a ver com as terapias antienvelhecimento atualmente em voga. Eles partem de uma pergunta muito básica: por que a partir de certa idade o organismo começa a funcionar de modo menos perfeito? A resposta está na evolução.
"O envelhecimento não é um programa genético selecionado e conservado pela evolução; seria mais um colapso do organismo". O envelhecimento ocorreria por defeito, por assim dizer, e não porque confira uma vantagem ao indivíduo.
Há vários argumentos. Um é que “o envelhecimento é muito raro na natureza. Outro é que, no caso de envelhecer, isso acontece depois que o indivíduo se reproduziu e criou sua descendência, e, portanto o que lhe acontecer a partir desse momento não terá transcendência (em termos genéticos, não será transmitido a nenhum descendente). "Para a evolução, os velhos não importam".
O que acontece com um corpo que envelhece? Quais são os mecanismos biológicos que contribuem para seu colapso? Vale a pena descobrir isso, principalmente se quiser combater esses mecanismos. Além disso, há aqui um elemento interessante: a relação do envelhecimento com a doença. Ganha força a idéia de que as doenças mais freqüentes na idade avançada, como o câncer ou o Alzheimer, são faces diferentes de um mesmo problema: o envelhecimento. Isso implica que convém elucidar a biologia do envelhecimento para atacar conjuntamente doenças que hoje são pesquisadas em separado.
"As mudanças biológicas que nos predispõem a doenças fatais e incapacitadoras são causadas pelo processo de envelhecimento. Por isso devemos transformar em prioritárias as intervenções para retardar esses processos. Aceita-se em geral que o organismo vai acumulando danos, por exemplo, no material genético das células, na medida em que passa o tempo. São danos devidos a processos como a liberação dos famosos radicais livres, inevitável subproduto de nossa respiração.
E agora a grande pergunta: quais são as possibilidades reais de conter ou mesmo reverter o envelhecimento? Os autores do artigo de "Nature" lembram que hoje se conhecem centenas de mutações genéticas capazes de prolongar a vida - às vezes em até 40% - em lagartas, levedos, moscas da fruta e ratos.
São genes envolvidos no crescimento, no metabolismo, na nutrição e na reprodução. Muitos têm efeitos bioquímicos semelhantes aos que são provocados por um comportamento que, segundo já sabe há um século, prolonga a vida dos ratos no laboratório: a restrição calórica. Isto é, comer muito pouco, mas sem cair na desnutrição.A restrição calórica é de fato a única coisa que, fora as manipulações genéticas, se mostrou eficaz em ratos - não em humanos - para prolongar a vida.
Seria possível conseguir resultados igualmente interessantes com pessoas?
Ninguém sabe. E a manipulação genética? Os autores do citado artigo advertem que o aumento da longevidade devido a mutações é menor na medida em que aumenta a complexidade dos organismos. Talvez nos seres mais complexos os circuitos genéticos envolvidos no prolongamento da vida sejam regulados por outros circuitos ainda desconhecidos.
Para tornar realidade algo assim seria preciso primeiro resolver também o problema do cérebro: os neurônios que armazenam as recordações, as experiências vitais, não se regeneram. Quem gostaria de ter um cérebro jovem, mas em branco?
Assim, os cientistas da "Nature" respondem com um "ainda não sabemos" à pergunta de se o homem poderá um dia ser imortal, mas mostram-se otimistas em relação à possibilidade de ampliar nossa existência e também conseguir que seja melhor.
É ter paciência. Os que acreditaram na fonte da juventude estão esperando até hoje!
Trecho de "Contendo a velhice" do El Pais.
As descobertas dos últimos anos fizeram com que até os cientistas mais ortodoxos, que vêem na proliferação das terapias antivelhice apenas um produto de marketing, se perguntem como podem prolongar a vida humana.
O envelhecimento biológico não é uma conseqüência inevitável da passagem do tempo. Há evidências, segundo os pesquisadores de que não é obrigatório envelhecer, do ponto de vista evolutivo: “ O envelhecimento não é como a mudança da dentição, que claramente traz vantagens, ou a puberdade, que prepara o organismo para se reproduzir. Para a evolução, dá na mesma que nos apareçam cabelos brancos e rugas. Daí se deduz que o envelhecimento não é imutável.”
No entanto, talvez a maior mudança ainda esteja por vir. Segundo a revista "Nature", "a questão não é se a duração média da vida humana aumentará modestamente nas próximas décadas. Isso acontecerá quase com certeza. A questão é, principalmente, se é factível adiar o envelhecimento humano e a morte natural por muitas décadas, inclusive de forma indefinida".
Décadas de vida a mais? Imortalidade? Parece ambicioso, mas os autores deixam claro que sua análise não tem nada a ver com as terapias antienvelhecimento atualmente em voga. Eles partem de uma pergunta muito básica: por que a partir de certa idade o organismo começa a funcionar de modo menos perfeito? A resposta está na evolução.
"O envelhecimento não é um programa genético selecionado e conservado pela evolução; seria mais um colapso do organismo". O envelhecimento ocorreria por defeito, por assim dizer, e não porque confira uma vantagem ao indivíduo.
Há vários argumentos. Um é que “o envelhecimento é muito raro na natureza. Outro é que, no caso de envelhecer, isso acontece depois que o indivíduo se reproduziu e criou sua descendência, e, portanto o que lhe acontecer a partir desse momento não terá transcendência (em termos genéticos, não será transmitido a nenhum descendente). "Para a evolução, os velhos não importam".
O que acontece com um corpo que envelhece? Quais são os mecanismos biológicos que contribuem para seu colapso? Vale a pena descobrir isso, principalmente se quiser combater esses mecanismos. Além disso, há aqui um elemento interessante: a relação do envelhecimento com a doença. Ganha força a idéia de que as doenças mais freqüentes na idade avançada, como o câncer ou o Alzheimer, são faces diferentes de um mesmo problema: o envelhecimento. Isso implica que convém elucidar a biologia do envelhecimento para atacar conjuntamente doenças que hoje são pesquisadas em separado.
"As mudanças biológicas que nos predispõem a doenças fatais e incapacitadoras são causadas pelo processo de envelhecimento. Por isso devemos transformar em prioritárias as intervenções para retardar esses processos. Aceita-se em geral que o organismo vai acumulando danos, por exemplo, no material genético das células, na medida em que passa o tempo. São danos devidos a processos como a liberação dos famosos radicais livres, inevitável subproduto de nossa respiração.
E agora a grande pergunta: quais são as possibilidades reais de conter ou mesmo reverter o envelhecimento? Os autores do artigo de "Nature" lembram que hoje se conhecem centenas de mutações genéticas capazes de prolongar a vida - às vezes em até 40% - em lagartas, levedos, moscas da fruta e ratos.
São genes envolvidos no crescimento, no metabolismo, na nutrição e na reprodução. Muitos têm efeitos bioquímicos semelhantes aos que são provocados por um comportamento que, segundo já sabe há um século, prolonga a vida dos ratos no laboratório: a restrição calórica. Isto é, comer muito pouco, mas sem cair na desnutrição.A restrição calórica é de fato a única coisa que, fora as manipulações genéticas, se mostrou eficaz em ratos - não em humanos - para prolongar a vida.
Seria possível conseguir resultados igualmente interessantes com pessoas?
Ninguém sabe. E a manipulação genética? Os autores do citado artigo advertem que o aumento da longevidade devido a mutações é menor na medida em que aumenta a complexidade dos organismos. Talvez nos seres mais complexos os circuitos genéticos envolvidos no prolongamento da vida sejam regulados por outros circuitos ainda desconhecidos.
Para tornar realidade algo assim seria preciso primeiro resolver também o problema do cérebro: os neurônios que armazenam as recordações, as experiências vitais, não se regeneram. Quem gostaria de ter um cérebro jovem, mas em branco?
Assim, os cientistas da "Nature" respondem com um "ainda não sabemos" à pergunta de se o homem poderá um dia ser imortal, mas mostram-se otimistas em relação à possibilidade de ampliar nossa existência e também conseguir que seja melhor.
É ter paciência. Os que acreditaram na fonte da juventude estão esperando até hoje!
Trecho de "Contendo a velhice" do El Pais.
MPBJAZZ
Esta é uma sugestão para quem gosta de música. O blog, além de comentários e notícias atualizadas, permite ouvir músicas (que não estão no youtube).
Para abrir, clique no título da postagem ou se o link não funcionar, copie e cole no seu navegador: http://mpbjazz.blogspot.com/
E tem mais este, só para ouvir http://blognoblat.com.br/oglobo_globo_com_pais_noblat_index.html
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E tem mais este, só para ouvir http://blognoblat.com.br/oglobo_globo_com_pais_noblat_index.html
Dor- de- corno brega
A gente mais simples, com acesso a poucos prazeres, tem no radinho para ouvir uma música de dor-de-corno básica, um alento para a vida sofrida. "E não é Dorival Caymmi nem João Gilberto que ouvem. Já foi Vicente Celestino, Orlando Dias, Anísio Silva, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, José Augusto, mas também Waldick Soriano, o símbolo máximo do gênero brega".De tão brega é quase cult, com o seu Eu não sou cachorro não que tem até versão em inglês, regravada em inglês macarrônico pelo Falcão. Foram também sucessos seus : "Paixão de um Homem", "A Carta", "A Dama de Vermelho" e "Se Eu Morresse Amanhã". Waldick era um brega estiloso. Com seu inseparável chapéu, óculos grandes, "a voz rascante do corno transtornado" ele fez escola. Tem até cover. Depois da que é considerada sua obra-prima Tortura de Amor,de 1962, seguiram-se muitas músicas mais ou menos iguais. Afinal, dor de corno não varia muito. Fica comigo esta noite, gravada pela Nubia Lafayete é inesquecível (acho que vou parar por aqui, estou me entregando). O legal mesmo é o clima de cabaré, os metais e sua voz marcante deixando os românticos incuráveis a sonhar com uma noite de amor ou apenas um chamego. Dizem (os intelectuais) que Waldick é o lado B do Brasil. Na verdade, é o lado A, pela imensa popularidade, ainda que dificilmente suas músicas cheguem às futuras gerações, pois outros Waldicks já estão cumprindo este papel.
Afinal, quem não é corno, foi ou será.
PS: O post foi inspirado no RODRIGO FAOUR que é produtor e pesquisador musical. No seu comentário, ele esclarece que "Fica comigo esta noite" é do Nelson Gonçalves.
setembro 04, 2008
Na memória dos outros
"Encontrei, depois de muitos anos, uma antiga colega de faculdade. Não a reconheci quando veio ao meu encontro.
O rosto era familiar, olhar e voz eram conhecidos, mas demorei um pouco para me lembrar.
Como meu nome estava pronto na sua boca, e o seu me faltava, usei pronomes genéricos até que ela e o nome me voltassem à mente. Alívio. Não há algo pior do que não se lembrar de quem se lembra da gente.
Já vivi situação contrária, mas o outro não se lembrou mesmo de mim. Diante do seu esquecimento, minha existência sobrou, suspensa. Não me parecia que sua memória falhara, mas que eu não tinha sido suficiente para deixar nele qualquer marca.
A memória do outro tem poder infinito na confirmação da nossa existência! É nela que persistimos durante a vida e perduramos depois de partir deste mundo. Sábios os gregos antigos, que viam na lembrança das gerações futuras a garantia de sua imortalidade.
A memória dos outros é um arquivo do nosso passado, de atos realizados e palavras ditas.
Mas atos e palavras que podem se projetar no futuro. Se os outros não mudarem sua memória de quem somos, estaremos condenados a permanecer sendo os mesmos, imutáveis.
A memória dos outros é senhora do conceito da pessoa que somos. Não será esse o poder que os outros exercem sobre nós e a razão dos esforços para causar boa impressão?
Talvez esteja aí o motivo do incômodo de quando encontramos antigos conhecidos e a conversa não corre. De quando dizemos que não temos mais interesses comuns. Sentimo-nos estranhos à procura de algo, entre nós, esquecido.
A memória precisa de tempo para atualizar vínculos. Não só para recobrar acontecidos, mas para restaurar os sentimentos que os acompanharam.
Como a memória não conserva consigo apenas fatos, mas versões, cada cena registrada é a síntese de uma história. Um balão caindo no quintal, a mordida de um cachorro, um cheiro, um sentimento aparentemente sem explicação... Tudo o que a memória guarda é apenas um pedaço de um quadro imenso.
Lembrar, portanto, é descongelar essas sínteses. Restaurar experiências. Recuperar histórias. No esquecimento, os outros estão perdidos para nós, e nós, perdidos para eles.
Quando esquecemos o que nos unia aos outros, parte da nossa existência escoa de nós.
Resta sempre algum constrangimento diante da memória dos outros sobre nós. Embora Hannah Arendt afirme que nós, homens, somos as únicas criaturas que podem interferir no modo como queremos aparecer para os outros, essa interferência tem limites e não passa de um esforço incerto. O resultado escapa de nossas mãos: está na memória que os outros conservam de nós.
Habitamos a memória dos outros em retratos cuja pose não escolhemos. Apesar de todo o empenho, é improvável que os outros tenham registrado só nossos melhores momentos. Eles podem preservar o rosto de que não gostamos, podem nos fazer maiores ou menores do que somos. Apropriando-se de nós, a memória dos outros tem o poder de nos tornar aqueles que não somos ou que acreditamos não ser.
Diante da memória dos outros, perco a posse de mim mesma. Ela é o único lugar onde, irremediavelmente, meu destino corre à minha revelia".
--------------------------------------------------------------------------------
DULCE CRITELLI , terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP,
O rosto era familiar, olhar e voz eram conhecidos, mas demorei um pouco para me lembrar.
Como meu nome estava pronto na sua boca, e o seu me faltava, usei pronomes genéricos até que ela e o nome me voltassem à mente. Alívio. Não há algo pior do que não se lembrar de quem se lembra da gente.
Já vivi situação contrária, mas o outro não se lembrou mesmo de mim. Diante do seu esquecimento, minha existência sobrou, suspensa. Não me parecia que sua memória falhara, mas que eu não tinha sido suficiente para deixar nele qualquer marca.
A memória do outro tem poder infinito na confirmação da nossa existência! É nela que persistimos durante a vida e perduramos depois de partir deste mundo. Sábios os gregos antigos, que viam na lembrança das gerações futuras a garantia de sua imortalidade.
A memória dos outros é um arquivo do nosso passado, de atos realizados e palavras ditas.
Mas atos e palavras que podem se projetar no futuro. Se os outros não mudarem sua memória de quem somos, estaremos condenados a permanecer sendo os mesmos, imutáveis.
A memória dos outros é senhora do conceito da pessoa que somos. Não será esse o poder que os outros exercem sobre nós e a razão dos esforços para causar boa impressão?
Talvez esteja aí o motivo do incômodo de quando encontramos antigos conhecidos e a conversa não corre. De quando dizemos que não temos mais interesses comuns. Sentimo-nos estranhos à procura de algo, entre nós, esquecido.
A memória precisa de tempo para atualizar vínculos. Não só para recobrar acontecidos, mas para restaurar os sentimentos que os acompanharam.
Como a memória não conserva consigo apenas fatos, mas versões, cada cena registrada é a síntese de uma história. Um balão caindo no quintal, a mordida de um cachorro, um cheiro, um sentimento aparentemente sem explicação... Tudo o que a memória guarda é apenas um pedaço de um quadro imenso.
Lembrar, portanto, é descongelar essas sínteses. Restaurar experiências. Recuperar histórias. No esquecimento, os outros estão perdidos para nós, e nós, perdidos para eles.
Quando esquecemos o que nos unia aos outros, parte da nossa existência escoa de nós.
Resta sempre algum constrangimento diante da memória dos outros sobre nós. Embora Hannah Arendt afirme que nós, homens, somos as únicas criaturas que podem interferir no modo como queremos aparecer para os outros, essa interferência tem limites e não passa de um esforço incerto. O resultado escapa de nossas mãos: está na memória que os outros conservam de nós.
Habitamos a memória dos outros em retratos cuja pose não escolhemos. Apesar de todo o empenho, é improvável que os outros tenham registrado só nossos melhores momentos. Eles podem preservar o rosto de que não gostamos, podem nos fazer maiores ou menores do que somos. Apropriando-se de nós, a memória dos outros tem o poder de nos tornar aqueles que não somos ou que acreditamos não ser.
Diante da memória dos outros, perco a posse de mim mesma. Ela é o único lugar onde, irremediavelmente, meu destino corre à minha revelia".
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DULCE CRITELLI , terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP,
setembro 03, 2008
Você quer ser um diamante?
Por que passar o sono eterno debaixo da terra ou então espalhar as cinzas da cremação? Ao custo de alguns milhares de euros e graças a uma sofisticada transformação química, uma empresa suíça agora garante ao falecido reservar seu lugar na eternidade sob a forma de um 'diamante humano'. Na pequena cidade de Coire, na Suíça, a empresa Algordanza recebe a cada mês entre 40e 50 urnas funerárias procedentes de todo o mundo. Seu conteúdo será pacientemente transformado em pedra preciosa.
'Quinhentos gramas de cinzas bastam para fazer um diamante, enquanto o corpo humano deixa uma média de 2,5 a 3 kg depois da cremação', explica Rinaldo Willy, um dos co-fundadores do laboratório onde as máquinas funcionam sem interrupção 24 horas por dia.
Os restos humanos são submetidos a várias etapas de transformação. Primeiro, viram carbono, depois grafite. Expostos a temperaturas de 1.700 graus, finalmente se transformam em diamantes artificiais num prazo de quatro a seis semanas. Na natureza, o mesmo processo leva milênios.
'Cada diamante é único. A cor varia do azul escuro até quase branco. É um reflexo da personalidade' , comenta Willy.
Uma vez obtido, o diamante bruto é polido e talhado na forma desejada pelos familiares do falecido para depois ser usado num anel ou num cordão.
O preço desta alma translúcida oscila entre 2.800 e 10.600 euros, segundo o peso da pedra (de 0,25 a um quilate), o que, segundo Willy, vale a pena, já que um enterro completo custa, por exemplo, 12.000 euros na Alemanha.
A indústria do 'diamante humano' está em plena expansão, com empresas instaladas na Espanha, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.
A mobilidade da vida moderna é propícia para o setor, explica Willy, que destaca a dificuldade de se deslocar com uma urna funerária ou o melindre provocado por guardar as cinzas de um falecido na própria casa.
O PAPAGAIO DE FLAUBERT

Estou terminando de ler o livro mais incensado do ingles Julian Barnes: O Papagaio de Flaubert, um dos títulos europeus mais premiados dos anos 80. A história de um médico que procura o sentido de sua vida nos escritos de Gustave Flaubert, a ponto de tornar-se obcecado por tudo que se refira ao escritor, começa com a sua viagem à França. O que seria uma peregrinação literária à terra de Flaubert e o encontro com o papagaio que serviu de modelo a um dos seus contos — acaba por ser um jogo delirante sobre a própria natureza da literatura, sobre a paixão dos livros e sobre o mito do autor.
lactação, orgasmo e afeto
O que teriam em comum estas coisas tão especiais? A oxitocina que é conhecida como o hormônio do amor. Trata-se de um hormônio com papel fundamental em momentos específicos da vida do ser humano, particularmente na das mulheres. As contrações do parto e a lactação são resultado da secreção de grandes quantidades desse peptídeo, produzido no cérebro e liberado na corrente sangüínea. A substância também tem ação fundamental durante o orgasmo de pessoas de ambos os sexos – e também atua como neurotransmissor. Está relacionada ao afeto, à confiança e, obviamente, ao comportamento maternal. A novidade é que, investigando como funcionam as células produtoras de oxitocina no cérebro, pesquisadores europeus chegaram a conclusões surpreendentes, e que podem ajudar a entender novas facetas do processamento neural.Para mim amamentar foi um prazer quase sexual.Então, era a tal da oxitocina?!
setembro 02, 2008
VINGANÇA
A revista Veja desta semana traz na sua matéria de capa o tema VINGANÇA.Vi a revista casualmente na academia e fiquei curiosa. Quem me conhece sabe que este tema sempre me interessou na teoria e, algumas vezes, na prática. Por que não?
Mas a abordagem da revista é voltada para violências, mortes e guerras geradas pela vingança ou a necessidade dela. Vista assim, a vingança é perniciosa e condenável. Da vingança a que me refiro só fazemos uso em casos extremos e ela objetiva tão somente restabelecer o equilíbrio de uma siituação que nos afetou.
E, no caso, é o único remédio eficaz para nos recompor, lavar a alma e retomar a vida. Não interessa se falso ou verdadeiro, o relato abaixo é emblemático de uma vingança tipicamente feminima...Cá para nós, acho que ela é escorpiana!!!
Vamos reconhecer, muito bem feita!!!
"Ela passou o primeiro dia empacotando todos os seus pertences em
caixas, engradados e malas.
No segundo dia, os homens da transportadora levaram a mudança.
No terceiro dia, ela se sentou pela última vez na bela mesa da sala de
jantar, à luz de velas, pôs uma música suave e se deliciou com uns
camarões, um pote de caviar e um Chardonnay.
Quando terminou, foi a cada um dos aposentos e colocou alguns pedaços
de casca de camarão, besuntados com caviar, nas cavidades dos varões
das cortinas.
Depois, limpou a cozinha e se foi.
Quando o marido retornou com a nova namorada, tudo estava um brinco
nos primeiros dias.
Depois, pouco a pouco, a casa começou a feder. Eles tentaram de tudo:
limpando, lavando e arejando a casa.
Todas as aberturas de ventilação foram verificadas à procura de
possíveis ratos mortos e os tapetes foram limpos com vapor.
Desodorantes de ar e ambiente foram pendurados em todos os lugares.
A empresa de combate a insetos foi chamada para colocar gás em todos
os encanamentos, durante alguns dias, tiveram de sair da casa, e no
fim ainda tiveram de pagar para substituir o caríssimo carpete de lã.
Nada funcionou. As pessoas pararam de visitá-los...
Os funcionários das empresas de consertos se recusavam a trabalhar na casa..
A empregada se demitiu.
Finalmente, eles não suportavam mais o fedor e decidiram se mudar.
Um mês depois, apesar de terem reduzido o valor da casa ,eles
não conseguiam um comprador para a casa fedorenta.
A notícia se espalhava e nem mesmo corretores de imóveis locais
retornavam as ligações.
Finalmente, eles tiveram de fazer um empréstimo no banco para
comprar uma casa nova.
A ex-esposa ligou para o marido e perguntou como andavam as coisas.
Ele disse a ela que estava de mudança, omitindo os problemas.
Ela escutou, pacientemente, e disse que sentia muitas saudades da casa
antiga e que estaria disposta a reduzir a parte que lhe caberia no
acordo de separação dos bens em troca da casa, se houvesse um
acordo...
Sabendo que a ex-mulher não tinha idéia de como estava o fedor, ele
concordou com um preço que era cerca de 1/5 do que valeria a casa...
Mas só, se ela assinasse os papéis naquele dia mesmo.
Ela concordou e em menos de uma hora, os advogados deles entregavam os
documentos.
Uma semana depois, o homem e sua namorada assistiam, com um sorriso
malicioso, os homens da mudança empacotando tudo da casa para levar
para a sua linda nova casa...
incluindo os varões das cortinas!!!"
-
Mas a abordagem da revista é voltada para violências, mortes e guerras geradas pela vingança ou a necessidade dela. Vista assim, a vingança é perniciosa e condenável. Da vingança a que me refiro só fazemos uso em casos extremos e ela objetiva tão somente restabelecer o equilíbrio de uma siituação que nos afetou.
E, no caso, é o único remédio eficaz para nos recompor, lavar a alma e retomar a vida. Não interessa se falso ou verdadeiro, o relato abaixo é emblemático de uma vingança tipicamente feminima...Cá para nós, acho que ela é escorpiana!!!
Vamos reconhecer, muito bem feita!!!
"Ela passou o primeiro dia empacotando todos os seus pertences em
caixas, engradados e malas.
No segundo dia, os homens da transportadora levaram a mudança.
No terceiro dia, ela se sentou pela última vez na bela mesa da sala de
jantar, à luz de velas, pôs uma música suave e se deliciou com uns
camarões, um pote de caviar e um Chardonnay.
Quando terminou, foi a cada um dos aposentos e colocou alguns pedaços
de casca de camarão, besuntados com caviar, nas cavidades dos varões
das cortinas.
Depois, limpou a cozinha e se foi.
Quando o marido retornou com a nova namorada, tudo estava um brinco
nos primeiros dias.
Depois, pouco a pouco, a casa começou a feder. Eles tentaram de tudo:
limpando, lavando e arejando a casa.
Todas as aberturas de ventilação foram verificadas à procura de
possíveis ratos mortos e os tapetes foram limpos com vapor.
Desodorantes de ar e ambiente foram pendurados em todos os lugares.
A empresa de combate a insetos foi chamada para colocar gás em todos
os encanamentos, durante alguns dias, tiveram de sair da casa, e no
fim ainda tiveram de pagar para substituir o caríssimo carpete de lã.
Nada funcionou. As pessoas pararam de visitá-los...
Os funcionários das empresas de consertos se recusavam a trabalhar na casa..
A empregada se demitiu.
Finalmente, eles não suportavam mais o fedor e decidiram se mudar.
Um mês depois, apesar de terem reduzido o valor da casa ,eles
não conseguiam um comprador para a casa fedorenta.
A notícia se espalhava e nem mesmo corretores de imóveis locais
retornavam as ligações.
Finalmente, eles tiveram de fazer um empréstimo no banco para
comprar uma casa nova.
A ex-esposa ligou para o marido e perguntou como andavam as coisas.
Ele disse a ela que estava de mudança, omitindo os problemas.
Ela escutou, pacientemente, e disse que sentia muitas saudades da casa
antiga e que estaria disposta a reduzir a parte que lhe caberia no
acordo de separação dos bens em troca da casa, se houvesse um
acordo...
Sabendo que a ex-mulher não tinha idéia de como estava o fedor, ele
concordou com um preço que era cerca de 1/5 do que valeria a casa...
Mas só, se ela assinasse os papéis naquele dia mesmo.
Ela concordou e em menos de uma hora, os advogados deles entregavam os
documentos.
Uma semana depois, o homem e sua namorada assistiam, com um sorriso
malicioso, os homens da mudança empacotando tudo da casa para levar
para a sua linda nova casa...
incluindo os varões das cortinas!!!"
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agosto 31, 2008
La soledad
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Encerrando o domingo: Frederic Chopin/Pink Martini e belas praias.
Pink Martini é uma banda de 12 membros formada em Portland, Oregon. A banda foi criada pelo pianista Thomas M. Lauderdale em 1994. Eles misturam diversos gêneros musicais como a música latina, lounge, música clássica européia e jazz.
Encerrando o domingo: Frederic Chopin/Pink Martini e belas praias.
Pink Martini é uma banda de 12 membros formada em Portland, Oregon. A banda foi criada pelo pianista Thomas M. Lauderdale em 1994. Eles misturam diversos gêneros musicais como a música latina, lounge, música clássica européia e jazz.
Aos cinéfilos de plantão
Sabe aquele filme de que você gostou muito, mas cujo título você não lembra, nem dos nomes dos atores e das atrizes e daí fica parecendo que está gagá ou com esclerose galopante?
Seus problemas acabaram! Tudo o que você quiser saber (ou lembrar) sobre filmes estrangeiros em 65 anos está catalogado e ao seu alcance.
Antes de pegar filmes na locadora, consulte este site feito por uma pessoa detalhista, cinéfilo de carteirinha, que fez um trabalho de alta qualidade!
Clique no título da postagem e comprove.
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BONS TEMPOS RUINS
Este recebi do meu amigo Artunani...
Na época da ditadura, podíamos acelerar nossos mavericks a 120km/h sem a delação dos radares,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos cortar a goiabeira do quintal, empesteada de taturanas,
sem que isso constituísse crime ambiental,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos tomar nossa redentora cerveja após o expediente,
sem o risco de sermos jogados à vala da delinqüência,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Não usávamos eufemismos hipócritas para fazer referências a raças, credos ou preferências sexuais, e não éramos processados por isso,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Íamos a bares e restaurantes cujas mesas mais pareciam Cubatão
em razão de tantos fumantes, os quais não eram alocados entre o
banheiro e a coluna que separa a chapa,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Galanteava a menina do contas a pagar e não sofria processo judicial por assédio,
mas não podia falar mal do presidente.
Hoje a única coisa que podemos fazer
é falar mal do presidente!
Mais nada! Que droga!
(Autor desconhecido)
Na época da ditadura, podíamos acelerar nossos mavericks a 120km/h sem a delação dos radares,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos cortar a goiabeira do quintal, empesteada de taturanas,
sem que isso constituísse crime ambiental,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos tomar nossa redentora cerveja após o expediente,
sem o risco de sermos jogados à vala da delinqüência,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Não usávamos eufemismos hipócritas para fazer referências a raças, credos ou preferências sexuais, e não éramos processados por isso,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Íamos a bares e restaurantes cujas mesas mais pareciam Cubatão
em razão de tantos fumantes, os quais não eram alocados entre o
banheiro e a coluna que separa a chapa,
mas não podíamos falar mal do presidente.
Galanteava a menina do contas a pagar e não sofria processo judicial por assédio,
mas não podia falar mal do presidente.
Hoje a única coisa que podemos fazer
é falar mal do presidente!
Mais nada! Que droga!
(Autor desconhecido)
O ano que vem em Marienbad
Um sonho!
"Para começar, uma charada. O que existe em comum entre Goethe, Chopin, Wagner, Mark Twain, Alfred Nobel e Freud? Resposta: todos eles visitaram algum dia Marianske Lazne, pequena cidade encravada entre as serras do noroeste da República Tcheca, para usufruir de suas águas minerais e de seus banhos, famosos pelas capacidades curativas.
Era um tempo em que os balneários não serviam apenas para as pessoas passarem as férias mas também para que elas se tratassem de diversos males, dos superficiais, à flor da pele, aos mais profundos, nas entranhas do corpo.
Médicos e casas de saúde aplicavam receituários complexos, que demandavam estadias regulares e, às vezes, longas: doses precisas de água mineral, dietas controladas, passeios ao ar livre com hora marcada, banhos de vários tipos...
Tudo pedia tempo ao tempo, o ócio e a natureza eram aliados da medicina, o tratamento não dispensava um "savoir vivre", com as clínicas próximas de hotéis ou situadas dentro deles, as fontes miraculosas instaladas em parques que convidavam à "flânerie", orquestras e teatros preparados para espantar a melancolia do final de noite.
Era o auge da vida burguesa -e os balneários também procuravam reproduzir o fausto e o conforto das elites.
Assim ocorreu em Marianske Lazne. A cidade foi um dos destinos preferidos de milionários, aristocratas e personalidades ilustres da política e da cultura que buscavam algum tratamento -ou que apenas queriam combinar as férias com certo proveito para a saúde.
Para recebê-los, ao longo do século 19, foram construídos hotéis e prédios que reproduziam em escala provinciana, mas elegante, a arquitetura do período, do neoclássico ao art nouveau. As construções ainda estão todas lá -mesmo depois de duas guerras mundiais, do ocaso da grande era burguesa, da ocupação soviética da República Tcheca e do fim do comunismo-, aguardando agora a invasão do turismo de massa.
Arranjado num minúsculo espaço entre colinas e bosques, o conjunto de palacetes muito delicados oferece uma visão emocionante a quem chega a Marianske Lazne. A maioria está restaurada, e suas fachadas em tons claros faíscam aos olhos, emolduradas pelo azul firme do céu no início da primavera européia.
A história hesita fortemente na cidade, entre o passado e o presente. Dentro dos hotéis, o estilo antigo e luxuoso convive com os recursos de conforto do século 21. As clínicas, com sua decoração oitocentista, viraram spas atualizados, que buscam conciliar os tratamentos seculares com as novidades e tecnologias contemporâneas.
As fontes estão por toda a parte. São mais de 50! Até o hotel Esplanade, um dos mais chiques da cidade, tem a sua, que na abertura da temporada é benzida por um padre, como se fazia no passado.
Mas é no parque central que ficam as principais fontes. Ali, além de bebericar das águas, o turista passeia pelo maravilhoso pavilhão de vidro e aço, descansa diante da fonte cantora, com seus jatos de água sincronizados com música, pára num dos gostosos cafés da Hlavni trida, a rua principal, encostada no parque.
Tempo em conta-gotas
Como os tchecos estiveram longo tempo sob a tutela soviética, afastados das modernidades e facilidades do capitalismo, as adaptações atuais, às vezes, flertam com o kitsch. Mas o turista quase não percebe, tamanha a simpatia das pessoas e a graça dos locais. Além do que, esse anacronismo acaba acrescentando um encanto a mais.
A tranqüilidade e o bucolismo de Marianske Lazne, com cerca de 15 mil habitantes, convidam o turista a cuidar muito bem de si mesmo.
Você acorda rodeado pelo verde dos bosques onipresentes, toma o café com calma na varanda do hotel, vai ao parque colher sua dose de água, senta no banco da praça Goethe (onde há uma estátua do gênio alemão), almoça (se quiser, um faustoso bufê da vigorosa cozinha tcheca), volta ao centro à tardinha para um drinque (as cervejas do país estão entre as melhores do mundo), passeia pelas lojas até o jantar (os excelentes cristais tchecos tentam os olhos e o bolso), assiste ao concerto de uma orquestra de câmara no Casino.
O tempo parece escorrer de um conta-gotas, lentamente. Esportistas agitados podem fazer caminhadas ou corridas pelos bosques, jogar golfe ou cavalgar. Mas a principal aventura na cidade é mesmo escolher as atividades diárias nos spas.
Muito bem aparelhados, eles oferecem dezenas de opções: oxigenoterapia, eletroterapia, pneumoacupuntura, exercícios de reabilitação, ioga, tratamento com jatos de água, cuidados faciais e do corpo (peeling, linfodrenagem, hidratação etc.), banhos (herbais, carbônicos, sulfúricos, vulcânicos!), várias ginásticas e massagens.
Há métodos e lugares especializados em doenças musculares, urinárias, dermatológicas, ginecológicas, digestivas, respiratórias e até mentais. Para tratamentos específicos, é preciso aconselhamento médico especializado, o que pode ser feito na própria cidade.
Maria, Francisco e Carlos
Marianske Lazne (nome que significa "termas de Maria") é apenas uma das pontas do chamado "triângulo" das termas da República Tcheca. Frantiskovy Lazne (termas de Francisco) domina uma das outras pontas. E na terceira fica Karlovy Vary (águas de Carlos).
Todas as três se expandiram na mesma época e têm características semelhantes. Mas Karlovy Vary acabou se tornando a maior e a mais famosa cidade da região. Com suas fontes de águas quentes (elas chegam a ter 70ºC), é bem maior que Marianske Lazne (cerca de 55 mil habitantes), mais agitada e também mais rica e variada do ponto de vista arquitetônico.
Tanto assim que, em meio às interessantes construções do século 19, aparecem aqui e ali edifícios do século 20, inclusive da época comunista, como o prédio onde se realiza anualmente o Festival de Cinema de Karlovy Vary. Criado em 48, é a competição mais tradicional do Leste Europeu, onde vários brasileiros já foram premiados, como Glauber Rocha e Andrucha Waddington.
Mas Karlovy Vary não é a única cidade do "circuito das águas" tcheco que deixou sua marca no cinema. A pequena Marianske Lazne também fez a sua parte. O nome alemão da cidade, além de aparecer num maravilhoso e fundamental poema da velhice de Goethe ("Elegia de Marienbad"), surge também no título de uma obra-prima cinematográfica, o intrigante "O Ano Passado em Marienbad", de 1961.
No filme de Alain Resnais, não há nenhuma cena passada em Marianske Lazne -ou Marienbad. A cidade é citada por um dos protagonistas como um dos lugares onde o misterioso casal de amantes teria (talvez) se encontrado no "ano passado". E foi assim que Marienbad, essa encantadora relíquia da idade de ouro européia, acabou se tornando também uma das mais belas charadas da história do cinema."
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Alcino Leite Neto na Revista da FSP
"Para começar, uma charada. O que existe em comum entre Goethe, Chopin, Wagner, Mark Twain, Alfred Nobel e Freud? Resposta: todos eles visitaram algum dia Marianske Lazne, pequena cidade encravada entre as serras do noroeste da República Tcheca, para usufruir de suas águas minerais e de seus banhos, famosos pelas capacidades curativas.Era um tempo em que os balneários não serviam apenas para as pessoas passarem as férias mas também para que elas se tratassem de diversos males, dos superficiais, à flor da pele, aos mais profundos, nas entranhas do corpo.
Médicos e casas de saúde aplicavam receituários complexos, que demandavam estadias regulares e, às vezes, longas: doses precisas de água mineral, dietas controladas, passeios ao ar livre com hora marcada, banhos de vários tipos...
Tudo pedia tempo ao tempo, o ócio e a natureza eram aliados da medicina, o tratamento não dispensava um "savoir vivre", com as clínicas próximas de hotéis ou situadas dentro deles, as fontes miraculosas instaladas em parques que convidavam à "flânerie", orquestras e teatros preparados para espantar a melancolia do final de noite.
Era o auge da vida burguesa -e os balneários também procuravam reproduzir o fausto e o conforto das elites.
Assim ocorreu em Marianske Lazne. A cidade foi um dos destinos preferidos de milionários, aristocratas e personalidades ilustres da política e da cultura que buscavam algum tratamento -ou que apenas queriam combinar as férias com certo proveito para a saúde.
Para recebê-los, ao longo do século 19, foram construídos hotéis e prédios que reproduziam em escala provinciana, mas elegante, a arquitetura do período, do neoclássico ao art nouveau. As construções ainda estão todas lá -mesmo depois de duas guerras mundiais, do ocaso da grande era burguesa, da ocupação soviética da República Tcheca e do fim do comunismo-, aguardando agora a invasão do turismo de massa.
Arranjado num minúsculo espaço entre colinas e bosques, o conjunto de palacetes muito delicados oferece uma visão emocionante a quem chega a Marianske Lazne. A maioria está restaurada, e suas fachadas em tons claros faíscam aos olhos, emolduradas pelo azul firme do céu no início da primavera européia.
A história hesita fortemente na cidade, entre o passado e o presente. Dentro dos hotéis, o estilo antigo e luxuoso convive com os recursos de conforto do século 21. As clínicas, com sua decoração oitocentista, viraram spas atualizados, que buscam conciliar os tratamentos seculares com as novidades e tecnologias contemporâneas.
As fontes estão por toda a parte. São mais de 50! Até o hotel Esplanade, um dos mais chiques da cidade, tem a sua, que na abertura da temporada é benzida por um padre, como se fazia no passado.
Mas é no parque central que ficam as principais fontes. Ali, além de bebericar das águas, o turista passeia pelo maravilhoso pavilhão de vidro e aço, descansa diante da fonte cantora, com seus jatos de água sincronizados com música, pára num dos gostosos cafés da Hlavni trida, a rua principal, encostada no parque.
Tempo em conta-gotas
Como os tchecos estiveram longo tempo sob a tutela soviética, afastados das modernidades e facilidades do capitalismo, as adaptações atuais, às vezes, flertam com o kitsch. Mas o turista quase não percebe, tamanha a simpatia das pessoas e a graça dos locais. Além do que, esse anacronismo acaba acrescentando um encanto a mais.
A tranqüilidade e o bucolismo de Marianske Lazne, com cerca de 15 mil habitantes, convidam o turista a cuidar muito bem de si mesmo.
Você acorda rodeado pelo verde dos bosques onipresentes, toma o café com calma na varanda do hotel, vai ao parque colher sua dose de água, senta no banco da praça Goethe (onde há uma estátua do gênio alemão), almoça (se quiser, um faustoso bufê da vigorosa cozinha tcheca), volta ao centro à tardinha para um drinque (as cervejas do país estão entre as melhores do mundo), passeia pelas lojas até o jantar (os excelentes cristais tchecos tentam os olhos e o bolso), assiste ao concerto de uma orquestra de câmara no Casino.
O tempo parece escorrer de um conta-gotas, lentamente. Esportistas agitados podem fazer caminhadas ou corridas pelos bosques, jogar golfe ou cavalgar. Mas a principal aventura na cidade é mesmo escolher as atividades diárias nos spas.
Muito bem aparelhados, eles oferecem dezenas de opções: oxigenoterapia, eletroterapia, pneumoacupuntura, exercícios de reabilitação, ioga, tratamento com jatos de água, cuidados faciais e do corpo (peeling, linfodrenagem, hidratação etc.), banhos (herbais, carbônicos, sulfúricos, vulcânicos!), várias ginásticas e massagens.
Há métodos e lugares especializados em doenças musculares, urinárias, dermatológicas, ginecológicas, digestivas, respiratórias e até mentais. Para tratamentos específicos, é preciso aconselhamento médico especializado, o que pode ser feito na própria cidade.
Maria, Francisco e Carlos
Marianske Lazne (nome que significa "termas de Maria") é apenas uma das pontas do chamado "triângulo" das termas da República Tcheca. Frantiskovy Lazne (termas de Francisco) domina uma das outras pontas. E na terceira fica Karlovy Vary (águas de Carlos).
Todas as três se expandiram na mesma época e têm características semelhantes. Mas Karlovy Vary acabou se tornando a maior e a mais famosa cidade da região. Com suas fontes de águas quentes (elas chegam a ter 70ºC), é bem maior que Marianske Lazne (cerca de 55 mil habitantes), mais agitada e também mais rica e variada do ponto de vista arquitetônico.
Tanto assim que, em meio às interessantes construções do século 19, aparecem aqui e ali edifícios do século 20, inclusive da época comunista, como o prédio onde se realiza anualmente o Festival de Cinema de Karlovy Vary. Criado em 48, é a competição mais tradicional do Leste Europeu, onde vários brasileiros já foram premiados, como Glauber Rocha e Andrucha Waddington.
Mas Karlovy Vary não é a única cidade do "circuito das águas" tcheco que deixou sua marca no cinema. A pequena Marianske Lazne também fez a sua parte. O nome alemão da cidade, além de aparecer num maravilhoso e fundamental poema da velhice de Goethe ("Elegia de Marienbad"), surge também no título de uma obra-prima cinematográfica, o intrigante "O Ano Passado em Marienbad", de 1961.
No filme de Alain Resnais, não há nenhuma cena passada em Marianske Lazne -ou Marienbad. A cidade é citada por um dos protagonistas como um dos lugares onde o misterioso casal de amantes teria (talvez) se encontrado no "ano passado". E foi assim que Marienbad, essa encantadora relíquia da idade de ouro européia, acabou se tornando também uma das mais belas charadas da história do cinema."
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Alcino Leite Neto na Revista da FSP
O Discreto Charme da Burguesia
É o filme, vencedor do Oscar em 1973, que acaba de ser lançado em DVD.
É Luis Buñuel em sua melhor forma: na linguagem fluida e livre dos sonhos, um ataque implacável aos donos do poder político, material e moral.
O roteiro (em parceria com Jean-Claude Carrière) não conta propriamente uma história, mas esboça uma série de tramas que se desfazem. Sonhos dentro de sonhos, anedotas e lendas enxertadas, pistas falsas, elipses bruscas.
A primeira seqüência dá a senha da situação que se repetirá com variações, como um pesadelo recorrente: amigos burgueses chegam para jantar na casa de um casal e descobrem que os anfitriões os esperavam apenas para a noite seguinte.
Dali partem todos, incluindo a dona da casa, para um restaurante nas redondezas, onde, quando estão prestes a fazer seus pedidos, descobrem que, num canto do salão, desenrola-se o velório do proprietário. Daí até o final, serão inúmeras as refeições frustradas, pelos motivos mais diversos: batida policial, manobras militares, ataque terrorista.
A figura-chave do grupo de grã-finos é Rafael Acosta (Fernando Rey), embaixador da republiqueta sul-americana de Miranda. Traficante de cocaína em conluio com seus amigos burgueses e com o establishment local, Acosta é o elo entre a Europa supostamente civilizada e o Terceiro Mundo miserável, corrupto e atrasado. Um não vive sem o outro.
Buñuel é impiedoso com o teatro de máscaras das elites.
Numa cena memorável, um homem (Julien Bertheau) passa de bispo a jardineiro numa simples troca de roupa. O hábito desfaz o monge.
Questionado sobre a presença de um antigo chefe de campo de concentração nazista em seu país, Acosta diz: "Chamá-lo de carniceiro é um exagero. Estive com ele um par de vezes e constatei que é um homem simpático e distinto".
São todos simpáticos e distintos nesse grupo de discretos monstros, com a roupa certa, o vinho adequado e as fórmulas de conveniência na ponta da língua.
Buñuel ri deles, de nós e de si próprio.
Pretendo revê-lo!
Resenha da FSP
É Luis Buñuel em sua melhor forma: na linguagem fluida e livre dos sonhos, um ataque implacável aos donos do poder político, material e moral.
O roteiro (em parceria com Jean-Claude Carrière) não conta propriamente uma história, mas esboça uma série de tramas que se desfazem. Sonhos dentro de sonhos, anedotas e lendas enxertadas, pistas falsas, elipses bruscas.
A primeira seqüência dá a senha da situação que se repetirá com variações, como um pesadelo recorrente: amigos burgueses chegam para jantar na casa de um casal e descobrem que os anfitriões os esperavam apenas para a noite seguinte.
Dali partem todos, incluindo a dona da casa, para um restaurante nas redondezas, onde, quando estão prestes a fazer seus pedidos, descobrem que, num canto do salão, desenrola-se o velório do proprietário. Daí até o final, serão inúmeras as refeições frustradas, pelos motivos mais diversos: batida policial, manobras militares, ataque terrorista.
A figura-chave do grupo de grã-finos é Rafael Acosta (Fernando Rey), embaixador da republiqueta sul-americana de Miranda. Traficante de cocaína em conluio com seus amigos burgueses e com o establishment local, Acosta é o elo entre a Europa supostamente civilizada e o Terceiro Mundo miserável, corrupto e atrasado. Um não vive sem o outro.
Buñuel é impiedoso com o teatro de máscaras das elites.
Numa cena memorável, um homem (Julien Bertheau) passa de bispo a jardineiro numa simples troca de roupa. O hábito desfaz o monge.
Questionado sobre a presença de um antigo chefe de campo de concentração nazista em seu país, Acosta diz: "Chamá-lo de carniceiro é um exagero. Estive com ele um par de vezes e constatei que é um homem simpático e distinto".
São todos simpáticos e distintos nesse grupo de discretos monstros, com a roupa certa, o vinho adequado e as fórmulas de conveniência na ponta da língua.
Buñuel ri deles, de nós e de si próprio.
Pretendo revê-lo!
Resenha da FSP
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