agosto 31, 2008

La soledad

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Encerrando o domingo: Frederic Chopin/Pink Martini e belas praias.
Pink Martini é uma banda de 12 membros formada em Portland, Oregon. A banda foi criada pelo pianista Thomas M. Lauderdale em 1994. Eles misturam diversos gêneros musicais como a música latina, lounge, música clássica européia e jazz.

Aos cinéfilos de plantão

Sabe aquele filme de que você gostou muito, mas cujo título você não lembra, nem dos nomes dos atores e das atrizes e daí fica parecendo que está gagá ou com esclerose galopante?
Seus problemas acabaram! Tudo o que você quiser saber (ou lembrar) sobre filmes estrangeiros em 65 anos está catalogado e ao seu alcance.
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BONS TEMPOS RUINS

Este recebi do meu amigo Artunani...

Na época da ditadura, podíamos acelerar nossos mavericks a 120km/h sem a delação dos radares,
mas não podíamos falar mal do presidente.

Podíamos cortar a goiabeira do quintal, empesteada de taturanas,
sem que isso constituísse crime ambiental
,
mas não podíamos falar mal do presidente.

Podíamos tomar nossa redentora cerveja após o expediente,
sem o risco de sermos jogados à vala da delinqüência
,
mas não podíamos falar mal do presidente.

Não usávamos eufemismos hipócritas para fazer referências a raças, credos ou preferências sexuais, e não éramos processados por isso,
mas não podíamos falar mal do presidente.

Íamos a bares e restaurantes cujas mesas mais pareciam Cubatão
em razão de tantos fumantes, os quais não eram alocados entre o
banheiro e a coluna que separa a chapa,

mas não podíamos falar mal do presidente.

Galanteava a menina do contas a pagar e não sofria processo judicial por assédio,
mas não podia falar mal do presidente.

Hoje a única coisa que podemos fazer
é falar mal do presidente!
Mais nada! Que droga!

(Autor desconhecido)

O ano que vem em Marienbad

Um sonho!

"Para começar, uma charada. O que existe em comum entre Goethe, Chopin, Wagner, Mark Twain, Alfred Nobel e Freud? Resposta: todos eles visitaram algum dia Marianske Lazne, pequena cidade encravada entre as serras do noroeste da República Tcheca, para usufruir de suas águas minerais e de seus banhos, famosos pelas capacidades curativas.
Era um tempo em que os balneários não serviam apenas para as pessoas passarem as férias mas também para que elas se tratassem de diversos males, dos superficiais, à flor da pele, aos mais profundos, nas entranhas do corpo.
Médicos e casas de saúde aplicavam receituários complexos, que demandavam estadias regulares e, às vezes, longas: doses precisas de água mineral, dietas controladas, passeios ao ar livre com hora marcada, banhos de vários tipos...
Tudo pedia tempo ao tempo, o ócio e a natureza eram aliados da medicina, o tratamento não dispensava um "savoir vivre", com as clínicas próximas de hotéis ou situadas dentro deles, as fontes miraculosas instaladas em parques que convidavam à "flânerie", orquestras e teatros preparados para espantar a melancolia do final de noite.
Era o auge da vida burguesa -e os balneários também procuravam reproduzir o fausto e o conforto das elites.
Assim ocorreu em Marianske Lazne. A cidade foi um dos destinos preferidos de milionários, aristocratas e personalidades ilustres da política e da cultura que buscavam algum tratamento -ou que apenas queriam combinar as férias com certo proveito para a saúde.
Para recebê-los, ao longo do século 19, foram construídos hotéis e prédios que reproduziam em escala provinciana, mas elegante, a arquitetura do período, do neoclássico ao art nouveau. As construções ainda estão todas lá -mesmo depois de duas guerras mundiais, do ocaso da grande era burguesa, da ocupação soviética da República Tcheca e do fim do comunismo-, aguardando agora a invasão do turismo de massa.
Arranjado num minúsculo espaço entre colinas e bosques, o conjunto de palacetes muito delicados oferece uma visão emocionante a quem chega a Marianske Lazne. A maioria está restaurada, e suas fachadas em tons claros faíscam aos olhos, emolduradas pelo azul firme do céu no início da primavera européia.
A história hesita fortemente na cidade, entre o passado e o presente. Dentro dos hotéis, o estilo antigo e luxuoso convive com os recursos de conforto do século 21. As clínicas, com sua decoração oitocentista, viraram spas atualizados, que buscam conciliar os tratamentos seculares com as novidades e tecnologias contemporâneas.
As fontes estão por toda a parte. São mais de 50! Até o hotel Esplanade, um dos mais chiques da cidade, tem a sua, que na abertura da temporada é benzida por um padre, como se fazia no passado.
Mas é no parque central que ficam as principais fontes. Ali, além de bebericar das águas, o turista passeia pelo maravilhoso pavilhão de vidro e aço, descansa diante da fonte cantora, com seus jatos de água sincronizados com música, pára num dos gostosos cafés da Hlavni trida, a rua principal, encostada no parque.
Tempo em conta-gotas
Como os tchecos estiveram longo tempo sob a tutela soviética, afastados das modernidades e facilidades do capitalismo, as adaptações atuais, às vezes, flertam com o kitsch. Mas o turista quase não percebe, tamanha a simpatia das pessoas e a graça dos locais. Além do que, esse anacronismo acaba acrescentando um encanto a mais.
A tranqüilidade e o bucolismo de Marianske Lazne, com cerca de 15 mil habitantes, convidam o turista a cuidar muito bem de si mesmo.
Você acorda rodeado pelo verde dos bosques onipresentes, toma o café com calma na varanda do hotel, vai ao parque colher sua dose de água, senta no banco da praça Goethe (onde há uma estátua do gênio alemão), almoça (se quiser, um faustoso bufê da vigorosa cozinha tcheca), volta ao centro à tardinha para um drinque (as cervejas do país estão entre as melhores do mundo), passeia pelas lojas até o jantar (os excelentes cristais tchecos tentam os olhos e o bolso), assiste ao concerto de uma orquestra de câmara no Casino.
O tempo parece escorrer de um conta-gotas, lentamente. Esportistas agitados podem fazer caminhadas ou corridas pelos bosques, jogar golfe ou cavalgar. Mas a principal aventura na cidade é mesmo escolher as atividades diárias nos spas.
Muito bem aparelhados, eles oferecem dezenas de opções: oxigenoterapia, eletroterapia, pneumoacupuntura, exercícios de reabilitação, ioga, tratamento com jatos de água, cuidados faciais e do corpo (peeling, linfodrenagem, hidratação etc.), banhos (herbais, carbônicos, sulfúricos, vulcânicos!), várias ginásticas e massagens.
Há métodos e lugares especializados em doenças musculares, urinárias, dermatológicas, ginecológicas, digestivas, respiratórias e até mentais. Para tratamentos específicos, é preciso aconselhamento médico especializado, o que pode ser feito na própria cidade.
Maria, Francisco e Carlos
Marianske Lazne (nome que significa "termas de Maria") é apenas uma das pontas do chamado "triângulo" das termas da República Tcheca. Frantiskovy Lazne (termas de Francisco) domina uma das outras pontas. E na terceira fica Karlovy Vary (águas de Carlos).
Todas as três se expandiram na mesma época e têm características semelhantes. Mas Karlovy Vary acabou se tornando a maior e a mais famosa cidade da região. Com suas fontes de águas quentes (elas chegam a ter 70ºC), é bem maior que Marianske Lazne (cerca de 55 mil habitantes), mais agitada e também mais rica e variada do ponto de vista arquitetônico.
Tanto assim que, em meio às interessantes construções do século 19, aparecem aqui e ali edifícios do século 20, inclusive da época comunista, como o prédio onde se realiza anualmente o Festival de Cinema de Karlovy Vary. Criado em 48, é a competição mais tradicional do Leste Europeu, onde vários brasileiros já foram premiados, como Glauber Rocha e Andrucha Waddington.
Mas Karlovy Vary não é a única cidade do "circuito das águas" tcheco que deixou sua marca no cinema. A pequena Marianske Lazne também fez a sua parte. O nome alemão da cidade, além de aparecer num maravilhoso e fundamental poema da velhice de Goethe ("Elegia de Marienbad"), surge também no título de uma obra-prima cinematográfica, o intrigante "O Ano Passado em Marienbad", de 1961.
No filme de Alain Resnais, não há nenhuma cena passada em Marianske Lazne -ou Marienbad. A cidade é citada por um dos protagonistas como um dos lugares onde o misterioso casal de amantes teria (talvez) se encontrado no "ano passado". E foi assim que Marienbad, essa encantadora relíquia da idade de ouro européia, acabou se tornando também uma das mais belas charadas da história do cinema."
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Alcino Leite Neto na Revista da FSP

O Discreto Charme da Burguesia

É o filme, vencedor do Oscar em 1973, que acaba de ser lançado em DVD.
É Luis Buñuel em sua melhor forma: na linguagem fluida e livre dos sonhos, um ataque implacável aos donos do poder político, material e moral.
O roteiro (em parceria com Jean-Claude Carrière) não conta propriamente uma história, mas esboça uma série de tramas que se desfazem. Sonhos dentro de sonhos, anedotas e lendas enxertadas, pistas falsas, elipses bruscas.
A primeira seqüência dá a senha da situação que se repetirá com variações, como um pesadelo recorrente: amigos burgueses chegam para jantar na casa de um casal e descobrem que os anfitriões os esperavam apenas para a noite seguinte.
Dali partem todos, incluindo a dona da casa, para um restaurante nas redondezas, onde, quando estão prestes a fazer seus pedidos, descobrem que, num canto do salão, desenrola-se o velório do proprietário. Daí até o final, serão inúmeras as refeições frustradas, pelos motivos mais diversos: batida policial, manobras militares, ataque terrorista.
A figura-chave do grupo de grã-finos é Rafael Acosta (Fernando Rey), embaixador da republiqueta sul-americana de Miranda. Traficante de cocaína em conluio com seus amigos burgueses e com o establishment local, Acosta é o elo entre a Europa supostamente civilizada e o Terceiro Mundo miserável, corrupto e atrasado. Um não vive sem o outro.
Buñuel é impiedoso com o teatro de máscaras das elites.
Numa cena memorável, um homem (Julien Bertheau) passa de bispo a jardineiro numa simples troca de roupa. O hábito desfaz o monge.
Questionado sobre a presença de um antigo chefe de campo de concentração nazista em seu país, Acosta diz: "Chamá-lo de carniceiro é um exagero. Estive com ele um par de vezes e constatei que é um homem simpático e distinto".
São todos simpáticos e distintos nesse grupo de discretos monstros, com a roupa certa, o vinho adequado e as fórmulas de conveniência na ponta da língua.
Buñuel ri deles, de nós e de si próprio.
Pretendo revê-lo!
Resenha da FSP

agosto 30, 2008

Rembrandt Van Rijn



Nascido em Leiden, na Holanda em 1606, seus trabalhos privilegiam a cor, luz, além do caráter psicológico dos personagens. Em sua época,era mais conhecido por suas gravuras, inovando nas técnicas de água forte, sobretudo o uso da ponta–seca. Rembrandt produziu ao todo 290 gravuras. Seu trabalho foi muito influenciado pelo pintor italiano Caravaggio e pelo barroco. A maioria de suas gravuras representam cenas bíblicas, mas concentram-se também, nas intimidades humanas como nos nus, e também na paisagem, alegorias, auto-retratos e natureza-morta. O que reacendeu meu interesse por Rembrandt foi a leitura de EU, A PUTA DE REMBRANDT de Sylvie Matton.Tendo o trabalho de Rembrandt, como pano de fundo , o romance reconstrói a sua trágica existência através dos olhos de Hendrickje Stoffels - sua serviçal, modelo e amante. Através do monólogo interior de Hendrickje, entramos em contato com a fascinante personalidade de Rembrandt. O livro retrata a segunda metade da vida do artista, após a morte de sua primeira mulher e de seus filhos. Cansado e falido, ele volta a se inspirar para o mundo e para a arte após a chegada da moça. Ela se torna a sua grande companheira e modelo preferida, representada em algumas de suas mais belas e famosas pinturas. Eu, a Puta de Rembrandt fornece sangue e lágrimas a essas telas, fazendo com que Hendrickje Stoffels volte à vida ao decorrer de suas páginas.
"Neste romance tudo é verdadeiro, nada é inventado, nem os processos, nem as receitas, nem os cheiros, nem o armário, nem o espelho...Nem as obras, nem a bondade”, afirma a autora Sylvie Matton .
Rembrandt retratou e amou duas mulheres: Saskia com quem casou, e Hendricke Stoffels, que viria a ser a mãe de Cornelia, com quem não chegou a casar. Esta situação, na Holanda puritana da época, lançou a pior das acusações sobre uma jovem culpada por amar e admirar o homem que a imortalizará através da pintura.
Sylvie Matton , junto com seu marido. foi roteirista do filme Rembrandt.

agosto 29, 2008

agosto 28, 2008

ROTEIROS ADAPTADOS

Fellini teria dito que para filmar um livro é preciso jogá-lo fora depois da leitura e filmar só o que ficou na memória.
Sempre que assisto a um filme baseado numa obra literária saio meio frustrada. Ainda que tente respeitar a leitura do roteirista, nem sempre concordo com ela. Se o filme é o que ficou na sua “memória”, em regra, não é o que está na minha.
No assunto do dia da BRAVO! se discute se as adaptações precisam ser fiéis. Há quem defenda que, sendo as linguagens (literária e cinematográfica) tão específicas e diferentes, não há como preservar a história tal qual ela é no original, que num roteiro de cinema ficaria sem força, que muitas vezes a história precisa ser desconstruída para se tornar um bom filme.
É fora de dúvida ser indispensável enxugar texto, fazer ajustes técnicos e sei lá mais o que, ao transpor para outra linguagem. Porém, na maioria das vezes, o que se vê é a história concebida pelo autor ficar desfigurada .
A opinião do Fellini é mesmo a de um roteirista-cineasta. Autores de obras literárias costumam não aprovar adaptações que recriam demais a partir da história original e implicam com as adaptações de seus livros para teatro ou cinema.
Gabriel García Márquez, apesar de ter cedido os direitos autorais de O Amor nos Tempos do Cólera para o cinema, continua a resguardar Cem Anos de Solidão. Toda vez que se interessam em levar esta obra para as telas, ele aumenta o preço dos direitos autorais. Para ele, nada de filmar só com o que ficou registrado na memória.
O compromisso de quem faz cinema é com a bilheteria e com às expectativas do público. E este, quase nunca leu ou lerá o livro.
E la nave va.

Livros infantis liberais

Li na BBC a notícia de que estão sendo lançados, na Suécia, livros infantis que desafiam os conceitos tradicionais de família e os papéis normalmente atribuídos a meninos e meninas. Neles, os meninos usam sandálias cor-de-rosa, meninas querem ser bombeiros quando crescerem e papai não é, necessariamente, quem sai para trabalhar enquanto a mamãe fica em casa cuidando do jantar.
O objetivo, segundo a escritora Karin Salmson seria “ dar às crianças a liberdade de criar sua própria identidade, sem padrões pré-concebidos e sem preconceitos de sexo, raça e sexualidade. Famílias com pais gays, mães solteiras e crianças adotadas também são famílias normais. Temos várias assim na Suécia, mas esta realidade não está refletida nos livros infantis. Mostrá-las em histórias nas quais o enredo não é simplesmente sobre famílias gays ou mães solteiras demonstra que essas famílias existem, que são normais e que precisam ser aceitas"
No livro "Magic, Cilla & Baby", de Eva Lundgren, o menino Kasper é ruim de bola e o garoto Olle gosta de maquiagem, enquanto a menina Inger é famosa por seus gols de placa no hóquei e a amiga Ellinor passa os dias tocando guitarra elétrica. Em outro,o personagem Imannuel é um menino que adora suas sandálias cor-de-rosa.
A filosofia das editoras, embora não esteja livre de críticas, reflete em grande parte as atitudes na Suécia, considerado um dos países mais avançados e liberais em questões de igualdade sexual e direitos de minorias.

agosto 26, 2008

ADRIANO

A abertura de uma megaexposição pelo British Museum há um mês, um documentário da BBC e a adaptação para o cinema do romance de Marguerite Yourcenar ("Memórias de Adriano") jogam o controverso imperador romano do século 2 no centro das releituras históricas e culturais da temporada.
Publicado em 1951, "Memórias de Adriano" foi um sucesso de vendas mundial e transformou Marguerite Yourcenar (1903-1987) na primeira mulher eleita para a Academia Francesa de Letras, em 1980 (qdo o li pela primeira vez).
A Autora se coloca na pele do imperador e o livro toma a forma de uma carta escrita por Adriano, já no fim da vida, ao seu sucessor, Marco Aurélio.
"É difícil permanecer imperador na presença do médico e mais difícil permanecer homem. [...] Esta manhã, pela primeira vez, ocorreu-me a idéia de que meu corpo, este fiel companheiro, este amigo mais seguro e mais conhecido do que minha própria alma, não é senão um monstro sorrateiro que acabará por devorar seu próprio dono", escreveu, numa das primeiras páginas.
Para o curador Thorsten Opper, "o Adriano de Yourcenar reflete o líder que a Europa precisava no pós-Segunda Guerra. Um homem culto, pacifista, exercendo o poder de maneira esclarecida e sem esconder seus sentimentos".
Um artigo do "Sunday Times" comenta a transformação de Adriano em símbolo gay contemporâneo, graças à relação declarada e expansiva com o jovem grego Antínoo -grande paixão do imperador, a quem dedicou templos e uma cidade perto do local de sua morte.
O filme do britânico John Boorman, esperado para 2010, tem Antonio Banderas previsto para o papel do imperador e filmagens na Itália, na Espanha e no Marrocos.