agosto 25, 2008

Mamma Mia!

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Este é o trailer do filme Mamma Mia! com todas as músicas do ABBA, tendo como cenário nada menos do que a Grécia. Lançado neste verão de 2008 na Europa é possível que em breve chegue por aqui. A conferir!!!

Da minha lista

Estava refletindo sobre o meu frequente retorno a certos lugares e cidades. Eu que sou tão curiosa, tão “novidadeira”, detesto rotina, tenho uma tendência a voltar aos mesmos lugares, a repetir os roteiros de viagens, como se algo tivesse ficado “pendente”. A mais grave manifestação deste comportamento, que dependendo do ponto de vista pode ser considerado esnobe ou conservador, é a minha relação com Paris. Nem sei por que volto. Será que volto por causa das coisas que a gente esquece até tornar a vê-las? Tenho uma lista, tola e sentimental (acredito que cada um tenha a sua), de motivos para voltar. Dela consta o item: pharmacies - pela seriedade (eu não disse que era tola?).
Até pouco tempo elas eram mais definidas com aquela cruz verde, não vendiam tantas tralhas e, absolutamente nenhuma, se auto denominava drugstore. Dentre as muitas vezes que estive em uma delas por problemas mais sérios, lembro de um vez que estava com minha filha, ainda criança, e precisava comprar um creme para o meu rosto que estava avermelhado. O vendedor transformou a compra numa detalhada “consulta” até que ficasse definido, se eu estava a “rougir” por causa do vento ou se o “rougir” era provocado pelo frio. Ou seria “rougir” de alergia? Finalmente, me vendeu algo de uma eau thermale, que nem remédio era, com a garantia de não mais “rougir”. Saí morrendo de rir da expressão intrigada de minha filha que nada tinha entendido do meu “rougido” que, de fato, desapareceu com o uso do produto.
Em outra circunstância, entrei para comprar um band aid. Chegara na véspera e, na primeira caminhada, o sapato confortável, que acreditava ser próprio para flanar , machucou o meu dedinho. O balconista muito sério me perguntou para o que era. Apontei para o meu pé. Ele saiu do balcão, fez com que eu me sentasse, tirasse o sapato, com a ternura de um fetichista obcecado por pés, examinou, limpou, levantou-se e me disse, gravemente: ”Madame, é uma bolha”! Ainda tenho alguns dos seus curativos especiais.
Mais recentemente, estava com um amigo que me pediu para comprar para ele preservativos e lubrificante. Dirigi-me ao balcão, enquanto ele ficou olhando qualquer coisa próximo à saída. O balconista me encaminhou para um colorido e diversificado painel e, muito sério, me perguntou qual o tipo de relação que teríamos. Pensei que não havia entendido e lhe pedi que repetisse. Ficou pior, pois além de esclarecer isto, eu deveria informa-lo se era P, M, G. Ele precisava dos detalhes: onde? quanto? para saber o que devia me vender. Tive que sair para resgatar o meu amigo. Ficou evidente que o meu problema não era com a língua e que eu não iria participar da festa!

agosto 24, 2008

CARLOS PAREDES

O meu amigo Antonio (ele próprio um presente que ganhei do Huguinho), tem me presenteado com o que há de melhor da cultura portuguesa. Através dele conheci o poeta Eugénio de Andrade, a artista plástica Paula Rego, os escritores Vergilio Ferreira, José Luiz Peixoto, Valter Hugo Mãe (de quem estou lendo o recém lançado O Apocalipse dos Trabalhadores), dentre outras figuras maravilhosas, inclusive do cenário musical. Recebi na semana passada O MELHOR DE CARLOS PAREDES e, desde então, não parei de ouvir a sua guitarra . Carlos Paredes(Coimbra 1925/Lisboa 2004) é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e foi grande compositor. Trata-se de "um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - mantém um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação".


BALADA DE COIMBRA

A beleza em contexto inusitado

Este texto se baseia em artigo do Washington Post e dá o que pensar sobre a arbitrariedade com que atribuimos beleza a determinado objeto e a nossa incapacidade para a reconhecer em contextos inusitados.
Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, uma espécie de 'sex symbol' da música clássica, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metrô de Washington, despertando pouca ou nenhuma atenção. O jornal lançava um debate sobre arte, beleza e contextos.
Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713. Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ignorado pela maioria.
A exceção foram as crianças, que, mesmo com a oposição dos pais, queriam parar para escutar Bell, algo que indicaria que nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de nós (?!).
Bell, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história". Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total. "Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso.
A experiência motiva o debate: É a beleza um fato objetivo que se pode medir ou tão-só uma opinião? Mark Leitahuse, diretor da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar em contexto". E dá um exemplo: "Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará". Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante

Una furtiva lagrima - Joshua Bell


L'Elisir d'Amore- Donizetti

DOMINGO“:
A réstea de sol encolhe no chão: tempo . Só esse sol sem cor neste dia sem cor nem jeito de domingo .Idiotice: por que domingo precisa ter um jeito especial, mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado , por isso a gente se decepciona e sofre. Na mesa, os livros oferecem consolo. Vontade de ler um troço decente.. Mas é preciso passar por uma porção de besteiras até chegar ao que interessa. Vontade de ter um pensamento bem profundo, desses que fazem a gente se surpreender que tenham saído da nossa cabeça mesmo , naquela modéstia que só se tem quando se está distraído...Mas o que? Sobre a vida, um combate que aos fracos abate e aos fortes e aos bravos só pode exaltar ? Sobre o amor? Que é isso que você está vendo hoje beija amanhã não beija depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será? Ou sobre a cultura e a civilização, elas que se danem, eu não, contanto que me deixem ficar na minha? Tudo já foi pensado: vida, amor, cultura, liberdade, anticoncepcionais, comunismo, esterilização, Amazônia, exploração das potências estrangeiras, mais que nunca é preciso cantar, guerra fria e vem quente que estou fervendo . Tudo na mesma merda. Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta . Tomar um banho de chuveiro por dentro”.
Do inventário do irremediável (Caio Fernando Abreu)

agosto 23, 2008

Dançarino de boite gay

A professora pergunta na sala de aula:
- Pedrinho qual a profissão de seu pai?-
- Advogado, professora.
- E a do seu pai, Marianinha?
- Engenheiro.
- E o seu, Aninha?
- Ele é médico.
-E o seu pai, Joãozinho, o que faz?
-Ele.... Ele é dançarino numa boate gay!
- Como assim? (pergunta a professora, surpresa)
- Fessora, ele dança na boate vestido de mulher, com uma tanguinha minúscula de lantejoulas, os homens passam a mão nele e põem dinheiro no elástico da tanguinha e depois saem para fazer programa com ele.
A professora rapidamente dispensou toda a classe, menos Joãozinho. Ela caminha até o garoto e novamente pergunta:
- Menino, o seu pai realmente faz isso?
- Não, fessora. Agora que a sala tá vazia, eu posso falar!
Ele é Deputado Federal..... Mas dá uma vergonha falar isso na frente dos outros!!!

agosto 22, 2008

Cartier-Bresson - "O Olho do Século".

Se estivesse vivo, o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004) faria cem anos hoje.

agosto 21, 2008

O FOGO SAGRADO

De um e-mail que recebi da Lúcia Teixeira:
A minha Casa
"Não sei como são as outras casas de família.Na minha casa todos falam de comida.
- “Esse queijo é seu?”
- “Não, é de todos.”
- “A canjica está boa?”
- “Está ótima”.
- “Mamãe, pede a cozinheira para fazer coquetel de camarão, eu ensino”.
- “Como é que você sabe?”
- “Eu comi e aprendi pelo gosto”.
- ”Quero hoje comer somente sopa de ervilha e sardinha”.
- "Essa carne ficou salgada demais”.
- “Estou sem fome, mas de você comprar pimenta eu como”.
- “Não, mamãe, ir comer no restaurante sai muito caro, e eu prefiro comida de casa. "
- Que é que tem no jantar para comer?”.
Não, minha casa não é metafísica. Ninguém é gordo aqui, mas mal se perdoa uma comida mal feita. Quanto a mim, vou abrindo e fechando a bolsa para tirar dinheiro para as compras.
- “Vou jantar fora, mamãe, mas guarde um pouco do jantar para mim.”
E quanto a mim, acho certo que num lar se mantenha aceso o fogo para o que der e vier. Uma casa de família é aquela que, além de se manter o fogo sagrado do amor bem aceso, mantenham-se as panelas no fogo. O fato é simplesmente que nós gostamos de comer.
Eu sou com orgulho a mãe da casa de comidas. Além de comer, conversamos muito sobre o que acontece no Brasil e no mundo, conversamos sobre que roupa é adequada para determinadas ocasiões...
Nós somos um lar."

Passei parte da manhã na cozinha, após haver lido esse texto da Lúcia. A imagem do fogo aceso (embora eu estivesse apenas cortando frutas para uma salada) me fez lembrar Fustel de Coulanges que conheci no primeiro ano da faculdade, quando ainda se estudava Direito Romano. O professor recomendou a leitura de A Cidade Antiga de sua autoria.
Um dos capítulos, descreve a casa do grego ou do romano que, segundo o Autor, abrigava um altar em que devia haver sempre carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! O fogo não cessava de brilhar diante do altar senão quando se extinguia toda uma família. A extinção do fogo e da família eram expressões sinônimas entre os antigos.
É evidente que esse costume de manter continuamente o fogo aceso diante do altar prendia-se a alguma antiga crença. As regras e ritos então observados mostram que não se tratava de um costume qualquer. Não era permitido alimentar esse fogo com qualquer espécie de madeira. A religião distinguia, entre as árvores, as que podiam ser usadas para esse fim, e aquelas cujo uso era taxado de impiedade (nada com agressão ao meio ambiente). A religião ordenava também que o fogo se mantivesse sempre puro, o que significava, no sentido literal, que nenhum objeto impuro podia ser lançado nele, e, no sentido figurado, que nenhuma ação pecaminosa devia ser cometida em sua presença.
O fogo era algo divino a ser adorado e cultuado. Ofertavam-lhe tudo o que julgavam agradável a um deus: flores, frutos, incenso, vinho. Pediam sua proteção, julgando-o todo-poderoso. Dirigiam-lhe preces ardentes, para dele obter os eternos objetos dos desejos humanos: saúde, riqueza, felicidade. Via-se assim no fogo um deus benfazejo, que mantinha a vida do homem; um deus rico, que o alimentava com seus dons; um deus forte, que protegia a casa e a família. Em presença de algum perigo, procurava-se nele o refúgio.
Era o fogo que enriquecia a família. No infortúnio o homem queixava-se ao fogo e na felicidade dava-lhe graças. O soldado que voltava da guerra agradecia-lhe por haver escapado dos perigos. Ésquilo nos apresenta Agamenon voltando de Tróia, feliz, coberto de glória; ele não agradece a Júpiter, e não é ao templo que vai levar sua alegria e reconhecimento; o sacrifício de ação de graças ele o oferece no altar de sua casa.
Portanto, o deus do fogo era a providência da família. E o banquete o ato religioso por excelência, presidido pelo deus, que havia cozido o pão e preparado os alimentos; dirigiam-lhe também uma prece no princípio e no fim da refeição. Antes de comer, depunham sobre o altar os alimentos e antes de beber, fazia-se a libação do vinho.
O fogo sagrado símbolo de um lar. Hoje, como antigamente.

agosto 19, 2008

HAMLET na FAAP

Jardim da Fundação Armando Álvares Penteado
Entrada da FAAP e seus maravilhosos vitrais
HAMLET
Quem sou eu para falar de Shakespeare!
Não há como não reconhecer sua genialidade.
No entanto, na versão de Hamlet,em cartaz no teatro da FAAP , os mais famosos solilóquios da literatura parecem pausas no meio de uma grande e persistente gritaria. O Hamlet berra, sapateia, transpira e cospe,salta, corre, toca os outros efusivamente o tempo todo. Os momentos de reflexão ficam sem peso. É certo que Hamlet exagera sua suposta loucura para levar adiante seu plano de ver estampada nos rostos de seu tio e sua mãe a verdade sobre a morte de seu pai. Mas loucura não se agita sem parar. Daquele modo, levantaria a dúvida dos outros sobre sua veracidade. Por outro lado, a melancolia de Hamlet não se sustenta. Ele demonstra uma energia que não combina com isso. O rei Cláudio não tem nada da pompa que Hamlet tanto satiriza. A loucura de Ofélia, que serve de contraponto para que vejamos o método que existe na de Hamlet, não convence. Enquanto que na dupla Rosencrantz e Guildenstern não pesa a menor culpa pela traição ao amigo.
A tragédia fica encoberta por uma vasta fumaça de piadas e trejeitos, talvez pelo medo de entediar a platéia (que ri ao ouvir “puta”) com o texto elaborado e metafórico de Shakespeare.
Fazer um Hamlet mais informal e acelerado, muito brasileiro em suas demonstrações afetivas, pode até dar certo, mas ainda não foi desta vez.
Vejam quem estava na platéia!!!

PAULA REGO




Esta postagem sobre a obra da artista portuguesa PAULA REGO não tem qualquer relação com a minha temporada em Sampa.Fazia tempo que tentava fazer uma postagem com os seus trabalhos. Só hoje descobri (isto mesmo) como trazer em forma de slides .Os dados pessoais da artista, sugiro que perguntem ao google! Vale a pena conhecê-la. Vejam um pouco do que dizem sobre ela:
"Paula Rego é uma talentosa contadora de histórias que eleva a um nível mais alto a tradicional pintura narrativa, colocando figuras audazes em locais misteriosos e criando imagens que são evocativas e de grande apelo"
O uso estratégico e subversivo da violência, como arma de denúncia política, tanto no campo social quanto privado, é uma constante na estética da artista portuguesa Paula Figueiroa Rego, que em suas obras de impacto, transcreve angustiosas histórias contadas por mulheres. Narrativas que há tempos esperavam para serem expostas e que encontraram, através da pintora, vozes para se tornarem públicas
."

As reflexões que Paula Rego faz sobre um de seus trabalhos mais expressivos, Mulher-Cão: "Mulher-Cão é a coisa que eu tenho mais orgulho de ter feito, porque é uma mulher sozinha, mas que ainda morde. Uma mulher só, num canto, contra a parede, que não pode fugir, mas que arreganha o dente e que morde! Morde até ao fim, luta até ao fim, apanha pancada, mas lá vai lutando sempre! E depois, essa "Mulher-Cão" apareceu, "apareceu-me"! Essas coisas acontecem, não é? E então eu pensei, esta mulher vai levar-me a sítios onde eu nunca fui, vai ser o meu guia. E assim foi. E comecei através da "Mulher-Cão" a tocar partes da minha vida que eu não tinha tido nunca coragem, nem oportunidade de fazer, nem sabia como lá chegar. Mas com ela, lá fui fazendo: o "Bad Dog", a humilhação, o amor, a lealdade e a submissão cúmplice das mulheres, um certo masoquismo das mulheres, no amor e na traição … O casamento é uma espécie de mortalha, não é? É a "mulher-bicho" que tem força através da sua animalidade, é a parte física, dos instintos, que é muito importante! O silêncio tácito das mulheres, a sua "endurance" e o seu sentido de honra”.