O meu amigo Antonio (ele próprio um presente que ganhei do Huguinho), tem me presenteado com o que há de melhor da cultura portuguesa. Através dele conheci o poeta Eugénio de Andrade, a artista plástica Paula Rego, os escritores Vergilio Ferreira, José Luiz Peixoto, Valter Hugo Mãe (de quem estou lendo o recém lançado O Apocalipse dos Trabalhadores), dentre outras figuras maravilhosas, inclusive do cenário musical. Recebi na semana passada O MELHOR DE CARLOS PAREDES e, desde então, não parei de ouvir a sua guitarra . Carlos Paredes(Coimbra 1925/Lisboa 2004) é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e foi grande compositor. Trata-se de "um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - mantém um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação".
BALADA DE COIMBRA
agosto 24, 2008
A beleza em contexto inusitado
Este texto se baseia em artigo do Washington Post e dá o que pensar sobre a arbitrariedade com que atribuimos beleza a determinado objeto e a nossa incapacidade para a reconhecer em contextos inusitados.
Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, uma espécie de 'sex symbol' da música clássica, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metrô de Washington, despertando pouca ou nenhuma atenção. O jornal lançava um debate sobre arte, beleza e contextos.
Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713. Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ignorado pela maioria.
A exceção foram as crianças, que, mesmo com a oposição dos pais, queriam parar para escutar Bell, algo que indicaria que nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de nós (?!).
Bell, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história". Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total. "Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso.
A experiência motiva o debate: É a beleza um fato objetivo que se pode medir ou tão-só uma opinião? Mark Leitahuse, diretor da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar em contexto". E dá um exemplo: "Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará". Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante”
Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, uma espécie de 'sex symbol' da música clássica, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metrô de Washington, despertando pouca ou nenhuma atenção. O jornal lançava um debate sobre arte, beleza e contextos.
Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713. Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ignorado pela maioria.
A exceção foram as crianças, que, mesmo com a oposição dos pais, queriam parar para escutar Bell, algo que indicaria que nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de nós (?!).
Bell, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história". Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total. "Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso.
A experiência motiva o debate: É a beleza um fato objetivo que se pode medir ou tão-só uma opinião? Mark Leitahuse, diretor da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar em contexto". E dá um exemplo: "Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará". Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante”
Una furtiva lagrima - Joshua Bell
L'Elisir d'Amore- Donizetti
DOMINGO“:
A réstea de sol encolhe no chão: tempo . Só esse sol sem cor neste dia sem cor nem jeito de domingo .Idiotice: por que domingo precisa ter um jeito especial, mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado , por isso a gente se decepciona e sofre. Na mesa, os livros oferecem consolo. Vontade de ler um troço decente.. Mas é preciso passar por uma porção de besteiras até chegar ao que interessa. Vontade de ter um pensamento bem profundo, desses que fazem a gente se surpreender que tenham saído da nossa cabeça mesmo , naquela modéstia que só se tem quando se está distraído...Mas o que? Sobre a vida, um combate que aos fracos abate e aos fortes e aos bravos só pode exaltar ? Sobre o amor? Que é isso que você está vendo hoje beija amanhã não beija depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será? Ou sobre a cultura e a civilização, elas que se danem, eu não, contanto que me deixem ficar na minha? Tudo já foi pensado: vida, amor, cultura, liberdade, anticoncepcionais, comunismo, esterilização, Amazônia, exploração das potências estrangeiras, mais que nunca é preciso cantar, guerra fria e vem quente que estou fervendo . Tudo na mesma merda. Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta . Tomar um banho de chuveiro por dentro”.
Do inventário do irremediável (Caio Fernando Abreu)
agosto 23, 2008
Dançarino de boite gay
A professora pergunta na sala de aula:
- Pedrinho qual a profissão de seu pai?-
- Advogado, professora.
- E a do seu pai, Marianinha?
- Engenheiro.
- E o seu, Aninha?
- Ele é médico.
-E o seu pai, Joãozinho, o que faz?
-Ele.... Ele é dançarino numa boate gay!
- Como assim? (pergunta a professora, surpresa)
- Fessora, ele dança na boate vestido de mulher, com uma tanguinha minúscula de lantejoulas, os homens passam a mão nele e põem dinheiro no elástico da tanguinha e depois saem para fazer programa com ele.
A professora rapidamente dispensou toda a classe, menos Joãozinho. Ela caminha até o garoto e novamente pergunta:
- Menino, o seu pai realmente faz isso?
- Não, fessora. Agora que a sala tá vazia, eu posso falar!
Ele é Deputado Federal..... Mas dá uma vergonha falar isso na frente dos outros!!!
- Pedrinho qual a profissão de seu pai?-
- Advogado, professora.
- E a do seu pai, Marianinha?
- Engenheiro.
- E o seu, Aninha?
- Ele é médico.
-E o seu pai, Joãozinho, o que faz?
-Ele.... Ele é dançarino numa boate gay!
- Como assim? (pergunta a professora, surpresa)
- Fessora, ele dança na boate vestido de mulher, com uma tanguinha minúscula de lantejoulas, os homens passam a mão nele e põem dinheiro no elástico da tanguinha e depois saem para fazer programa com ele.
A professora rapidamente dispensou toda a classe, menos Joãozinho. Ela caminha até o garoto e novamente pergunta:
- Menino, o seu pai realmente faz isso?
- Não, fessora. Agora que a sala tá vazia, eu posso falar!
Ele é Deputado Federal..... Mas dá uma vergonha falar isso na frente dos outros!!!
agosto 22, 2008
agosto 21, 2008
O FOGO SAGRADO
De um e-mail que recebi da Lúcia Teixeira:
A minha Casa
"Não sei como são as outras casas de família.Na minha casa todos falam de comida.
- “Esse queijo é seu?”
- “Não, é de todos.”
- “A canjica está boa?”
- “Está ótima”.
- “Mamãe, pede a cozinheira para fazer coquetel de camarão, eu ensino”.
- “Como é que você sabe?”
- “Eu comi e aprendi pelo gosto”.
- ”Quero hoje comer somente sopa de ervilha e sardinha”.
- "Essa carne ficou salgada demais”.
- “Estou sem fome, mas de você comprar pimenta eu como”.
- “Não, mamãe, ir comer no restaurante sai muito caro, e eu prefiro comida de casa. "
- Que é que tem no jantar para comer?”.
Não, minha casa não é metafísica. Ninguém é gordo aqui, mas mal se perdoa uma comida mal feita. Quanto a mim, vou abrindo e fechando a bolsa para tirar dinheiro para as compras.
- “Vou jantar fora, mamãe, mas guarde um pouco do jantar para mim.”
E quanto a mim, acho certo que num lar se mantenha aceso o fogo para o que der e vier. Uma casa de família é aquela que, além de se manter o fogo sagrado do amor bem aceso, mantenham-se as panelas no fogo. O fato é simplesmente que nós gostamos de comer.
Eu sou com orgulho a mãe da casa de comidas. Além de comer, conversamos muito sobre o que acontece no Brasil e no mundo, conversamos sobre que roupa é adequada para determinadas ocasiões...
Nós somos um lar."
Passei parte da manhã na cozinha, após haver lido esse texto da Lúcia. A imagem do fogo aceso (embora eu estivesse apenas cortando frutas para uma salada) me fez lembrar Fustel de Coulanges que conheci no primeiro ano da faculdade, quando ainda se estudava Direito Romano. O professor recomendou a leitura de A Cidade Antiga de sua autoria.
Um dos capítulos, descreve a casa do grego ou do romano que, segundo o Autor, abrigava um altar em que devia haver sempre carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! O fogo não cessava de brilhar diante do altar senão quando se extinguia toda uma família. A extinção do fogo e da família eram expressões sinônimas entre os antigos.
É evidente que esse costume de manter continuamente o fogo aceso diante do altar prendia-se a alguma antiga crença. As regras e ritos então observados mostram que não se tratava de um costume qualquer. Não era permitido alimentar esse fogo com qualquer espécie de madeira. A religião distinguia, entre as árvores, as que podiam ser usadas para esse fim, e aquelas cujo uso era taxado de impiedade (nada com agressão ao meio ambiente). A religião ordenava também que o fogo se mantivesse sempre puro, o que significava, no sentido literal, que nenhum objeto impuro podia ser lançado nele, e, no sentido figurado, que nenhuma ação pecaminosa devia ser cometida em sua presença.
O fogo era algo divino a ser adorado e cultuado. Ofertavam-lhe tudo o que julgavam agradável a um deus: flores, frutos, incenso, vinho. Pediam sua proteção, julgando-o todo-poderoso. Dirigiam-lhe preces ardentes, para dele obter os eternos objetos dos desejos humanos: saúde, riqueza, felicidade. Via-se assim no fogo um deus benfazejo, que mantinha a vida do homem; um deus rico, que o alimentava com seus dons; um deus forte, que protegia a casa e a família. Em presença de algum perigo, procurava-se nele o refúgio.
Era o fogo que enriquecia a família. No infortúnio o homem queixava-se ao fogo e na felicidade dava-lhe graças. O soldado que voltava da guerra agradecia-lhe por haver escapado dos perigos. Ésquilo nos apresenta Agamenon voltando de Tróia, feliz, coberto de glória; ele não agradece a Júpiter, e não é ao templo que vai levar sua alegria e reconhecimento; o sacrifício de ação de graças ele o oferece no altar de sua casa.
Portanto, o deus do fogo era a providência da família. E o banquete o ato religioso por excelência, presidido pelo deus, que havia cozido o pão e preparado os alimentos; dirigiam-lhe também uma prece no princípio e no fim da refeição. Antes de comer, depunham sobre o altar os alimentos e antes de beber, fazia-se a libação do vinho.
O fogo sagrado símbolo de um lar. Hoje, como antigamente.
A minha Casa
"Não sei como são as outras casas de família.Na minha casa todos falam de comida.
- “Esse queijo é seu?”
- “Não, é de todos.”
- “A canjica está boa?”
- “Está ótima”.
- “Mamãe, pede a cozinheira para fazer coquetel de camarão, eu ensino”.
- “Como é que você sabe?”
- “Eu comi e aprendi pelo gosto”.
- ”Quero hoje comer somente sopa de ervilha e sardinha”.
- "Essa carne ficou salgada demais”.
- “Estou sem fome, mas de você comprar pimenta eu como”.
- “Não, mamãe, ir comer no restaurante sai muito caro, e eu prefiro comida de casa. "
- Que é que tem no jantar para comer?”.
Não, minha casa não é metafísica. Ninguém é gordo aqui, mas mal se perdoa uma comida mal feita. Quanto a mim, vou abrindo e fechando a bolsa para tirar dinheiro para as compras.
- “Vou jantar fora, mamãe, mas guarde um pouco do jantar para mim.”
E quanto a mim, acho certo que num lar se mantenha aceso o fogo para o que der e vier. Uma casa de família é aquela que, além de se manter o fogo sagrado do amor bem aceso, mantenham-se as panelas no fogo. O fato é simplesmente que nós gostamos de comer.
Eu sou com orgulho a mãe da casa de comidas. Além de comer, conversamos muito sobre o que acontece no Brasil e no mundo, conversamos sobre que roupa é adequada para determinadas ocasiões...
Nós somos um lar."
Passei parte da manhã na cozinha, após haver lido esse texto da Lúcia. A imagem do fogo aceso (embora eu estivesse apenas cortando frutas para uma salada) me fez lembrar Fustel de Coulanges que conheci no primeiro ano da faculdade, quando ainda se estudava Direito Romano. O professor recomendou a leitura de A Cidade Antiga de sua autoria.
Um dos capítulos, descreve a casa do grego ou do romano que, segundo o Autor, abrigava um altar em que devia haver sempre carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! O fogo não cessava de brilhar diante do altar senão quando se extinguia toda uma família. A extinção do fogo e da família eram expressões sinônimas entre os antigos.
É evidente que esse costume de manter continuamente o fogo aceso diante do altar prendia-se a alguma antiga crença. As regras e ritos então observados mostram que não se tratava de um costume qualquer. Não era permitido alimentar esse fogo com qualquer espécie de madeira. A religião distinguia, entre as árvores, as que podiam ser usadas para esse fim, e aquelas cujo uso era taxado de impiedade (nada com agressão ao meio ambiente). A religião ordenava também que o fogo se mantivesse sempre puro, o que significava, no sentido literal, que nenhum objeto impuro podia ser lançado nele, e, no sentido figurado, que nenhuma ação pecaminosa devia ser cometida em sua presença.
O fogo era algo divino a ser adorado e cultuado. Ofertavam-lhe tudo o que julgavam agradável a um deus: flores, frutos, incenso, vinho. Pediam sua proteção, julgando-o todo-poderoso. Dirigiam-lhe preces ardentes, para dele obter os eternos objetos dos desejos humanos: saúde, riqueza, felicidade. Via-se assim no fogo um deus benfazejo, que mantinha a vida do homem; um deus rico, que o alimentava com seus dons; um deus forte, que protegia a casa e a família. Em presença de algum perigo, procurava-se nele o refúgio.
Era o fogo que enriquecia a família. No infortúnio o homem queixava-se ao fogo e na felicidade dava-lhe graças. O soldado que voltava da guerra agradecia-lhe por haver escapado dos perigos. Ésquilo nos apresenta Agamenon voltando de Tróia, feliz, coberto de glória; ele não agradece a Júpiter, e não é ao templo que vai levar sua alegria e reconhecimento; o sacrifício de ação de graças ele o oferece no altar de sua casa.
Portanto, o deus do fogo era a providência da família. E o banquete o ato religioso por excelência, presidido pelo deus, que havia cozido o pão e preparado os alimentos; dirigiam-lhe também uma prece no princípio e no fim da refeição. Antes de comer, depunham sobre o altar os alimentos e antes de beber, fazia-se a libação do vinho.
O fogo sagrado símbolo de um lar. Hoje, como antigamente.
agosto 19, 2008
HAMLET na FAAP
Jardim da Fundação Armando Álvares Penteado
Entrada da FAAP e seus maravilhosos vitrais 
HAMLET
Quem sou eu para falar de Shakespeare!
Não há como não reconhecer sua genialidade.
No entanto, na versão de Hamlet,em cartaz no teatro da FAAP , os mais famosos solilóquios da literatura parecem pausas no meio de uma grande e persistente gritaria. O Hamlet berra, sapateia, transpira e cospe,salta, corre, toca os outros efusivamente o tempo todo. Os momentos de reflexão ficam sem peso. É certo que Hamlet exagera sua suposta loucura para levar adiante seu plano de ver estampada nos rostos de seu tio e sua mãe a verdade sobre a morte de seu pai. Mas loucura não se agita sem parar. Daquele modo, levantaria a dúvida dos outros sobre sua veracidade. Por outro lado, a melancolia de Hamlet não se sustenta. Ele demonstra uma energia que não combina com isso. O rei Cláudio não tem nada da pompa que Hamlet tanto satiriza. A loucura de Ofélia, que serve de contraponto para que vejamos o método que existe na de Hamlet, não convence. Enquanto que na dupla Rosencrantz e Guildenstern não pesa a menor culpa pela traição ao amigo.
A tragédia fica encoberta por uma vasta fumaça de piadas e trejeitos, talvez pelo medo de entediar a platéia (que ri ao ouvir “puta”) com o texto elaborado e metafórico de Shakespeare.
Fazer um Hamlet mais informal e acelerado, muito brasileiro em suas demonstrações afetivas, pode até dar certo, mas ainda não foi desta vez.
Vejam quem estava na platéia!!!
Entrada da FAAP e seus maravilhosos vitrais 
HAMLET
Quem sou eu para falar de Shakespeare!
Não há como não reconhecer sua genialidade.
No entanto, na versão de Hamlet,em cartaz no teatro da FAAP , os mais famosos solilóquios da literatura parecem pausas no meio de uma grande e persistente gritaria. O Hamlet berra, sapateia, transpira e cospe,salta, corre, toca os outros efusivamente o tempo todo. Os momentos de reflexão ficam sem peso. É certo que Hamlet exagera sua suposta loucura para levar adiante seu plano de ver estampada nos rostos de seu tio e sua mãe a verdade sobre a morte de seu pai. Mas loucura não se agita sem parar. Daquele modo, levantaria a dúvida dos outros sobre sua veracidade. Por outro lado, a melancolia de Hamlet não se sustenta. Ele demonstra uma energia que não combina com isso. O rei Cláudio não tem nada da pompa que Hamlet tanto satiriza. A loucura de Ofélia, que serve de contraponto para que vejamos o método que existe na de Hamlet, não convence. Enquanto que na dupla Rosencrantz e Guildenstern não pesa a menor culpa pela traição ao amigo.
A tragédia fica encoberta por uma vasta fumaça de piadas e trejeitos, talvez pelo medo de entediar a platéia (que ri ao ouvir “puta”) com o texto elaborado e metafórico de Shakespeare.
Fazer um Hamlet mais informal e acelerado, muito brasileiro em suas demonstrações afetivas, pode até dar certo, mas ainda não foi desta vez.
Vejam quem estava na platéia!!!
PAULA REGO

Esta postagem sobre a obra da artista portuguesa PAULA REGO não tem qualquer relação com a minha temporada em Sampa.Fazia tempo que tentava fazer uma postagem com os seus trabalhos. Só hoje descobri (isto mesmo) como trazer em forma de slides .Os dados pessoais da artista, sugiro que perguntem ao google! Vale a pena conhecê-la. Vejam um pouco do que dizem sobre ela:
"Paula Rego é uma talentosa contadora de histórias que eleva a um nível mais alto a tradicional pintura narrativa, colocando figuras audazes em locais misteriosos e criando imagens que são evocativas e de grande apelo"
O uso estratégico e subversivo da violência, como arma de denúncia política, tanto no campo social quanto privado, é uma constante na estética da artista portuguesa Paula Figueiroa Rego, que em suas obras de impacto, transcreve angustiosas histórias contadas por mulheres. Narrativas que há tempos esperavam para serem expostas e que encontraram, através da pintora, vozes para se tornarem públicas."
As reflexões que Paula Rego faz sobre um de seus trabalhos mais expressivos, Mulher-Cão: "Mulher-Cão é a coisa que eu tenho mais orgulho de ter feito, porque é uma mulher sozinha, mas que ainda morde. Uma mulher só, num canto, contra a parede, que não pode fugir, mas que arreganha o dente e que morde! Morde até ao fim, luta até ao fim, apanha pancada, mas lá vai lutando sempre! E depois, essa "Mulher-Cão" apareceu, "apareceu-me"! Essas coisas acontecem, não é? E então eu pensei, esta mulher vai levar-me a sítios onde eu nunca fui, vai ser o meu guia. E assim foi. E comecei através da "Mulher-Cão" a tocar partes da minha vida que eu não tinha tido nunca coragem, nem oportunidade de fazer, nem sabia como lá chegar. Mas com ela, lá fui fazendo: o "Bad Dog", a humilhação, o amor, a lealdade e a submissão cúmplice das mulheres, um certo masoquismo das mulheres, no amor e na traição … O casamento é uma espécie de mortalha, não é? É a "mulher-bicho" que tem força através da sua animalidade, é a parte física, dos instintos, que é muito importante! O silêncio tácito das mulheres, a sua "endurance" e o seu sentido de honra”.
agosto 18, 2008
COM OS PÉS NA ÁGUA
Este é o título do livro do Mário de Lima cujo lançamento ocorreu no sábado (dia 16) na Bienal do Livro em Sampa. 
Conheci esta maravilha de pessoa que é o Mário virtualmmente. Tínhamos um amigo comum de quem fui portadora de mensagem para ele. Meses depois, estava na Provence, quando animada por ele, fui à Barcelona onde ele mora. Além de nossa instantânea afinidade, todos os "desdobramentos" desse nosso encontro fazem parte daqueles momentos mágicos da vida da gente...
Este é o seu primeiro livro (em prosa e impresso), mas o Mário, dotado de uma rara sensibilidade. escreve poemas lindos em seu blog www.euleiomariodelima.blogspot.comAlguns podem ser lidos aqui mesmo. É só clicar o marcador no seu nome.
Para ler a crítica do livro clicar no título da postagem.

Conheci esta maravilha de pessoa que é o Mário virtualmmente. Tínhamos um amigo comum de quem fui portadora de mensagem para ele. Meses depois, estava na Provence, quando animada por ele, fui à Barcelona onde ele mora. Além de nossa instantânea afinidade, todos os "desdobramentos" desse nosso encontro fazem parte daqueles momentos mágicos da vida da gente...
Este é o seu primeiro livro (em prosa e impresso), mas o Mário, dotado de uma rara sensibilidade. escreve poemas lindos em seu blog www.euleiomariodelima.blogspot.comAlguns podem ser lidos aqui mesmo. É só clicar o marcador no seu nome.
Para ler a crítica do livro clicar no título da postagem.
Marcel DUCHAMP entre nós
O espírito duchampiano se espalha pelo MAM : Uma obra que não é uma obra "de arte". As características de sua personalidade e seus múltiplos interesses permitem uma melhor compreensão de sua obra misteriosa e contraditória. Duchamp foi um jogador de xadrez obsessivo, tipógrafo, especialista em óptica, bibliotecário, pintor, curador, performer, inventor do museu portátil, dono de um senso de humor nada convencional e, antes de tudo, um homem de inteligência fora do comum. Quarenta anos após sua morte sua obra ainda provoca discussões infindáveis. Unanimidade somente em relação à sua complexidade que desafia a inteligência, o humor e o senso crítico. A mostra é a maior já realizada sobre o artista na América do Sul, quando se comemora os 60 anos do MAM.
BOSSA NA OCA
É como se chama a exposição audiovisual sobre a Bossa Nova que acontece na Oca (Ibirapuera). A mostra é uma das maiores exposições já realizadas no país sobre música e a maior homenagem feita à geração da bossa nova no cinqüentenário do movimento. A Bossa Nova surgiu num momento em que otimismo era a tônica e modernidade a palavra de ordem. Uma linha do tempo contextualiza o momento em que o Brasil e o mundo viviam quando foi criado esse revolucionário estilo musical que cruzou fronteiras, influenciou a música internacional e conquistou intérpretes como Frank Sinatra, Sarah Vaughan, Sting , etc etc...Nomes como Tom Jobim, Astrud Gilberto, Ella Fitzgerald, Vinicius de Moraes, Sammy Davis Jr., Elis Regina e Hermeto Pascoal têm um reencontro virtual inesquecível. Interpretam uma versão "expandida" do clássico Garota de Ipanema que nunca haviam tocado juntos. Sào apresentados filmes, dentre eles o documentário Clarão, e shows.
Imperdível para quem gosta de música, especialmente bossa nova, jazz...
Não entendi porque precisa ser cobrado ingresso tão caro quando tem o patrocínio do banco que apresenta mais lucro em seus resultados.
OSESP no Ibirapuera
No domingo ensolarado de inverno, a OSESP tocou Carmina Burana para um público variado: enquanto os "atletas de fim de semana" trocaram a corrida pelo concerto, os menos afeitos, que apenas passeiam com os cachorros, também encontraram seu lugar, na sombra ou ao sol, entre bicicletas e corpos deitados na grama ...Silêncio absoluto, inimaginável em pleno coração da cidade. Bom de ver e melhor ainda de ouvir!!
O fundo do auditório onde fica a orquestra.
A fachada do auditório

Para vc que ficou com vontade de ouvir...não é a OSESP!
Carmina Burana (Spanish Lyrics)
"Carmina Burana” são as “Canções de Benediktbeuern” que foram encontradas em 1803, num volume de cerca de 200 poemas e canções medievais, na abadia de Benediktbeuern, na Baviera superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor bavariano em dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a colecção em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, cedo ainda deparou-se com esse códex de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em “canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três secções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na Primavera (“Veris leta facies”), o seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e o seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”).
O fundo do auditório onde fica a orquestra.
A fachada do auditório
Para vc que ficou com vontade de ouvir...não é a OSESP!
Carmina Burana (Spanish Lyrics)
"Carmina Burana” são as “Canções de Benediktbeuern” que foram encontradas em 1803, num volume de cerca de 200 poemas e canções medievais, na abadia de Benediktbeuern, na Baviera superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor bavariano em dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a colecção em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, cedo ainda deparou-se com esse códex de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em “canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três secções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na Primavera (“Veris leta facies”), o seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e o seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”).
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