De um e-mail que recebi da Lúcia Teixeira:
A minha Casa
"Não sei como são as outras casas de família.Na minha casa todos falam de comida.
- “Esse queijo é seu?”
- “Não, é de todos.”
- “A canjica está boa?”
- “Está ótima”.
- “Mamãe, pede a cozinheira para fazer coquetel de camarão, eu ensino”.
- “Como é que você sabe?”
- “Eu comi e aprendi pelo gosto”.
- ”Quero hoje comer somente sopa de ervilha e sardinha”.
- "Essa carne ficou salgada demais”.
- “Estou sem fome, mas de você comprar pimenta eu como”.
- “Não, mamãe, ir comer no restaurante sai muito caro, e eu prefiro comida de casa. "
- Que é que tem no jantar para comer?”.
Não, minha casa não é metafísica. Ninguém é gordo aqui, mas mal se perdoa uma comida mal feita. Quanto a mim, vou abrindo e fechando a bolsa para tirar dinheiro para as compras.
- “Vou jantar fora, mamãe, mas guarde um pouco do jantar para mim.”
E quanto a mim, acho certo que num lar se mantenha aceso o fogo para o que der e vier. Uma casa de família é aquela que, além de se manter o fogo sagrado do amor bem aceso, mantenham-se as panelas no fogo. O fato é simplesmente que nós gostamos de comer.
Eu sou com orgulho a mãe da casa de comidas. Além de comer, conversamos muito sobre o que acontece no Brasil e no mundo, conversamos sobre que roupa é adequada para determinadas ocasiões...
Nós somos um lar."
Passei parte da manhã na cozinha, após haver lido esse texto da Lúcia. A imagem do fogo aceso (embora eu estivesse apenas cortando frutas para uma salada) me fez lembrar Fustel de Coulanges que conheci no primeiro ano da faculdade, quando ainda se estudava Direito Romano. O professor recomendou a leitura de A Cidade Antiga de sua autoria.
Um dos capítulos, descreve a casa do grego ou do romano que, segundo o Autor, abrigava um altar em que devia haver sempre carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! O fogo não cessava de brilhar diante do altar senão quando se extinguia toda uma família. A extinção do fogo e da família eram expressões sinônimas entre os antigos.
É evidente que esse costume de manter continuamente o fogo aceso diante do altar prendia-se a alguma antiga crença. As regras e ritos então observados mostram que não se tratava de um costume qualquer. Não era permitido alimentar esse fogo com qualquer espécie de madeira. A religião distinguia, entre as árvores, as que podiam ser usadas para esse fim, e aquelas cujo uso era taxado de impiedade (nada com agressão ao meio ambiente). A religião ordenava também que o fogo se mantivesse sempre puro, o que significava, no sentido literal, que nenhum objeto impuro podia ser lançado nele, e, no sentido figurado, que nenhuma ação pecaminosa devia ser cometida em sua presença.
O fogo era algo divino a ser adorado e cultuado. Ofertavam-lhe tudo o que julgavam agradável a um deus: flores, frutos, incenso, vinho. Pediam sua proteção, julgando-o todo-poderoso. Dirigiam-lhe preces ardentes, para dele obter os eternos objetos dos desejos humanos: saúde, riqueza, felicidade. Via-se assim no fogo um deus benfazejo, que mantinha a vida do homem; um deus rico, que o alimentava com seus dons; um deus forte, que protegia a casa e a família. Em presença de algum perigo, procurava-se nele o refúgio.
Era o fogo que enriquecia a família. No infortúnio o homem queixava-se ao fogo e na felicidade dava-lhe graças. O soldado que voltava da guerra agradecia-lhe por haver escapado dos perigos. Ésquilo nos apresenta Agamenon voltando de Tróia, feliz, coberto de glória; ele não agradece a Júpiter, e não é ao templo que vai levar sua alegria e reconhecimento; o sacrifício de ação de graças ele o oferece no altar de sua casa.
Portanto, o deus do fogo era a providência da família. E o banquete o ato religioso por excelência, presidido pelo deus, que havia cozido o pão e preparado os alimentos; dirigiam-lhe também uma prece no princípio e no fim da refeição. Antes de comer, depunham sobre o altar os alimentos e antes de beber, fazia-se a libação do vinho.
O fogo sagrado símbolo de um lar. Hoje, como antigamente.
agosto 21, 2008
agosto 19, 2008
HAMLET na FAAP
Jardim da Fundação Armando Álvares Penteado
Entrada da FAAP e seus maravilhosos vitrais 
HAMLET
Quem sou eu para falar de Shakespeare!
Não há como não reconhecer sua genialidade.
No entanto, na versão de Hamlet,em cartaz no teatro da FAAP , os mais famosos solilóquios da literatura parecem pausas no meio de uma grande e persistente gritaria. O Hamlet berra, sapateia, transpira e cospe,salta, corre, toca os outros efusivamente o tempo todo. Os momentos de reflexão ficam sem peso. É certo que Hamlet exagera sua suposta loucura para levar adiante seu plano de ver estampada nos rostos de seu tio e sua mãe a verdade sobre a morte de seu pai. Mas loucura não se agita sem parar. Daquele modo, levantaria a dúvida dos outros sobre sua veracidade. Por outro lado, a melancolia de Hamlet não se sustenta. Ele demonstra uma energia que não combina com isso. O rei Cláudio não tem nada da pompa que Hamlet tanto satiriza. A loucura de Ofélia, que serve de contraponto para que vejamos o método que existe na de Hamlet, não convence. Enquanto que na dupla Rosencrantz e Guildenstern não pesa a menor culpa pela traição ao amigo.
A tragédia fica encoberta por uma vasta fumaça de piadas e trejeitos, talvez pelo medo de entediar a platéia (que ri ao ouvir “puta”) com o texto elaborado e metafórico de Shakespeare.
Fazer um Hamlet mais informal e acelerado, muito brasileiro em suas demonstrações afetivas, pode até dar certo, mas ainda não foi desta vez.
Vejam quem estava na platéia!!!
Entrada da FAAP e seus maravilhosos vitrais 
HAMLET
Quem sou eu para falar de Shakespeare!
Não há como não reconhecer sua genialidade.
No entanto, na versão de Hamlet,em cartaz no teatro da FAAP , os mais famosos solilóquios da literatura parecem pausas no meio de uma grande e persistente gritaria. O Hamlet berra, sapateia, transpira e cospe,salta, corre, toca os outros efusivamente o tempo todo. Os momentos de reflexão ficam sem peso. É certo que Hamlet exagera sua suposta loucura para levar adiante seu plano de ver estampada nos rostos de seu tio e sua mãe a verdade sobre a morte de seu pai. Mas loucura não se agita sem parar. Daquele modo, levantaria a dúvida dos outros sobre sua veracidade. Por outro lado, a melancolia de Hamlet não se sustenta. Ele demonstra uma energia que não combina com isso. O rei Cláudio não tem nada da pompa que Hamlet tanto satiriza. A loucura de Ofélia, que serve de contraponto para que vejamos o método que existe na de Hamlet, não convence. Enquanto que na dupla Rosencrantz e Guildenstern não pesa a menor culpa pela traição ao amigo.
A tragédia fica encoberta por uma vasta fumaça de piadas e trejeitos, talvez pelo medo de entediar a platéia (que ri ao ouvir “puta”) com o texto elaborado e metafórico de Shakespeare.
Fazer um Hamlet mais informal e acelerado, muito brasileiro em suas demonstrações afetivas, pode até dar certo, mas ainda não foi desta vez.
Vejam quem estava na platéia!!!
PAULA REGO

Esta postagem sobre a obra da artista portuguesa PAULA REGO não tem qualquer relação com a minha temporada em Sampa.Fazia tempo que tentava fazer uma postagem com os seus trabalhos. Só hoje descobri (isto mesmo) como trazer em forma de slides .Os dados pessoais da artista, sugiro que perguntem ao google! Vale a pena conhecê-la. Vejam um pouco do que dizem sobre ela:
"Paula Rego é uma talentosa contadora de histórias que eleva a um nível mais alto a tradicional pintura narrativa, colocando figuras audazes em locais misteriosos e criando imagens que são evocativas e de grande apelo"
O uso estratégico e subversivo da violência, como arma de denúncia política, tanto no campo social quanto privado, é uma constante na estética da artista portuguesa Paula Figueiroa Rego, que em suas obras de impacto, transcreve angustiosas histórias contadas por mulheres. Narrativas que há tempos esperavam para serem expostas e que encontraram, através da pintora, vozes para se tornarem públicas."
As reflexões que Paula Rego faz sobre um de seus trabalhos mais expressivos, Mulher-Cão: "Mulher-Cão é a coisa que eu tenho mais orgulho de ter feito, porque é uma mulher sozinha, mas que ainda morde. Uma mulher só, num canto, contra a parede, que não pode fugir, mas que arreganha o dente e que morde! Morde até ao fim, luta até ao fim, apanha pancada, mas lá vai lutando sempre! E depois, essa "Mulher-Cão" apareceu, "apareceu-me"! Essas coisas acontecem, não é? E então eu pensei, esta mulher vai levar-me a sítios onde eu nunca fui, vai ser o meu guia. E assim foi. E comecei através da "Mulher-Cão" a tocar partes da minha vida que eu não tinha tido nunca coragem, nem oportunidade de fazer, nem sabia como lá chegar. Mas com ela, lá fui fazendo: o "Bad Dog", a humilhação, o amor, a lealdade e a submissão cúmplice das mulheres, um certo masoquismo das mulheres, no amor e na traição … O casamento é uma espécie de mortalha, não é? É a "mulher-bicho" que tem força através da sua animalidade, é a parte física, dos instintos, que é muito importante! O silêncio tácito das mulheres, a sua "endurance" e o seu sentido de honra”.
agosto 18, 2008
COM OS PÉS NA ÁGUA
Este é o título do livro do Mário de Lima cujo lançamento ocorreu no sábado (dia 16) na Bienal do Livro em Sampa. 
Conheci esta maravilha de pessoa que é o Mário virtualmmente. Tínhamos um amigo comum de quem fui portadora de mensagem para ele. Meses depois, estava na Provence, quando animada por ele, fui à Barcelona onde ele mora. Além de nossa instantânea afinidade, todos os "desdobramentos" desse nosso encontro fazem parte daqueles momentos mágicos da vida da gente...
Este é o seu primeiro livro (em prosa e impresso), mas o Mário, dotado de uma rara sensibilidade. escreve poemas lindos em seu blog www.euleiomariodelima.blogspot.comAlguns podem ser lidos aqui mesmo. É só clicar o marcador no seu nome.
Para ler a crítica do livro clicar no título da postagem.

Conheci esta maravilha de pessoa que é o Mário virtualmmente. Tínhamos um amigo comum de quem fui portadora de mensagem para ele. Meses depois, estava na Provence, quando animada por ele, fui à Barcelona onde ele mora. Além de nossa instantânea afinidade, todos os "desdobramentos" desse nosso encontro fazem parte daqueles momentos mágicos da vida da gente...
Este é o seu primeiro livro (em prosa e impresso), mas o Mário, dotado de uma rara sensibilidade. escreve poemas lindos em seu blog www.euleiomariodelima.blogspot.comAlguns podem ser lidos aqui mesmo. É só clicar o marcador no seu nome.
Para ler a crítica do livro clicar no título da postagem.
Marcel DUCHAMP entre nós
O espírito duchampiano se espalha pelo MAM : Uma obra que não é uma obra "de arte". As características de sua personalidade e seus múltiplos interesses permitem uma melhor compreensão de sua obra misteriosa e contraditória. Duchamp foi um jogador de xadrez obsessivo, tipógrafo, especialista em óptica, bibliotecário, pintor, curador, performer, inventor do museu portátil, dono de um senso de humor nada convencional e, antes de tudo, um homem de inteligência fora do comum. Quarenta anos após sua morte sua obra ainda provoca discussões infindáveis. Unanimidade somente em relação à sua complexidade que desafia a inteligência, o humor e o senso crítico. A mostra é a maior já realizada sobre o artista na América do Sul, quando se comemora os 60 anos do MAM.
BOSSA NA OCA
É como se chama a exposição audiovisual sobre a Bossa Nova que acontece na Oca (Ibirapuera). A mostra é uma das maiores exposições já realizadas no país sobre música e a maior homenagem feita à geração da bossa nova no cinqüentenário do movimento. A Bossa Nova surgiu num momento em que otimismo era a tônica e modernidade a palavra de ordem. Uma linha do tempo contextualiza o momento em que o Brasil e o mundo viviam quando foi criado esse revolucionário estilo musical que cruzou fronteiras, influenciou a música internacional e conquistou intérpretes como Frank Sinatra, Sarah Vaughan, Sting , etc etc...Nomes como Tom Jobim, Astrud Gilberto, Ella Fitzgerald, Vinicius de Moraes, Sammy Davis Jr., Elis Regina e Hermeto Pascoal têm um reencontro virtual inesquecível. Interpretam uma versão "expandida" do clássico Garota de Ipanema que nunca haviam tocado juntos. Sào apresentados filmes, dentre eles o documentário Clarão, e shows.
Imperdível para quem gosta de música, especialmente bossa nova, jazz...
Não entendi porque precisa ser cobrado ingresso tão caro quando tem o patrocínio do banco que apresenta mais lucro em seus resultados.
OSESP no Ibirapuera
No domingo ensolarado de inverno, a OSESP tocou Carmina Burana para um público variado: enquanto os "atletas de fim de semana" trocaram a corrida pelo concerto, os menos afeitos, que apenas passeiam com os cachorros, também encontraram seu lugar, na sombra ou ao sol, entre bicicletas e corpos deitados na grama ...Silêncio absoluto, inimaginável em pleno coração da cidade. Bom de ver e melhor ainda de ouvir!!
O fundo do auditório onde fica a orquestra.
A fachada do auditório

Para vc que ficou com vontade de ouvir...não é a OSESP!
Carmina Burana (Spanish Lyrics)
"Carmina Burana” são as “Canções de Benediktbeuern” que foram encontradas em 1803, num volume de cerca de 200 poemas e canções medievais, na abadia de Benediktbeuern, na Baviera superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor bavariano em dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a colecção em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, cedo ainda deparou-se com esse códex de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em “canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três secções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na Primavera (“Veris leta facies”), o seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e o seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”).
O fundo do auditório onde fica a orquestra.
A fachada do auditório
Para vc que ficou com vontade de ouvir...não é a OSESP!
Carmina Burana (Spanish Lyrics)
"Carmina Burana” são as “Canções de Benediktbeuern” que foram encontradas em 1803, num volume de cerca de 200 poemas e canções medievais, na abadia de Benediktbeuern, na Baviera superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor bavariano em dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a colecção em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, cedo ainda deparou-se com esse códex de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em “canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três secções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na Primavera (“Veris leta facies”), o seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e o seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”).
agosto 16, 2008
CORPO
Assisti, no Teatro Alfa, mais um espetáculo do Grupo Corpo.
"Criado em 1975, em Belo Horizonte, o Grupo Corpo é uma companhia onde o Brasil inteiro, com toda sua diversidade, se reconhece. Rodrigo Pederneiras, seu coreógrafo residente, desenvolve um modo singular de contaminar o balé com as raízes brasileiras. Com trilhas musicais especialmente compostas, as produções nascem com um apuro cênico que se transformou numa assinatura." Helena Katz
BREU ( 2007)
A música de Lenine - compositor pernambucano dono de uma sonoridade muito particular e que consegue uma combinação entre o melhor da MPB, do rock e de ritmos populares - Cada corpo, no limite, é um manifesto.
21 (1992)
A força contida na tensão entre as cores vermelha, da luz chapada de fundo - e amarela - das malhas utilizadas pelos bailarinos - dá o tom da primeira parte do balé, enquanto uma gigantesca colcha de retalhos, exibindo estampas de colorido vibrante, deixa antever a explosão do momento final do balé, quando os figurinos, sempre colantes, fazem alusão ao patchwork do cenário.
"Criado em 1975, em Belo Horizonte, o Grupo Corpo é uma companhia onde o Brasil inteiro, com toda sua diversidade, se reconhece. Rodrigo Pederneiras, seu coreógrafo residente, desenvolve um modo singular de contaminar o balé com as raízes brasileiras. Com trilhas musicais especialmente compostas, as produções nascem com um apuro cênico que se transformou numa assinatura." Helena Katz
BREU ( 2007)A música de Lenine - compositor pernambucano dono de uma sonoridade muito particular e que consegue uma combinação entre o melhor da MPB, do rock e de ritmos populares - Cada corpo, no limite, é um manifesto.
21 (1992)
A força contida na tensão entre as cores vermelha, da luz chapada de fundo - e amarela - das malhas utilizadas pelos bailarinos - dá o tom da primeira parte do balé, enquanto uma gigantesca colcha de retalhos, exibindo estampas de colorido vibrante, deixa antever a explosão do momento final do balé, quando os figurinos, sempre colantes, fazem alusão ao patchwork do cenário.
TEMPO E JABUTICABAS
Este texto me foi enviado pela Eunice:
"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
Pink Martini: Amado Mio
Rita Hayworth e Glenn Ford no clássico GILDA de 1946
Pink Martini é uma banda de 12 membros formada em Portland, Oregon. A banda foi criada pelo pianista Thomas M. Lauderdale em 1994. Eles misturam diversos gêneros musicais como a música latina, lounge, música clássica européia e jazz.
LUSA – a matriz portuguesa
Visitei na Fundação Cultural Banco do Brasil (em São Paulo) a exposição LUSA - a matriz portuguesa, tratando das origens de Portugal, desde a pré-História até 1500.
Esta imersão nas origens de Portugal, da pré-história aos Descobrimentos, é feita através de ambientes históricos e temáticos. Dentre os históricos estão aqueles dedicados aos períodos e influências religiosas: Pré-história, Presença Romana, Alta Idade Média, Presença Islâmica, Cristianismo Medieval e Presença Judaica.
Para contar tudo isso, a exposição traz peças em mármore, pedra, ouro, azulejo, pintura, escultura, achados arqueológicos, mapas, além dos elementos multimídia sobre a formação da língua portuguesa, a arquitetura e a paisagem portuguesa.
A produção desta exposição está a cargo de especialistas brasileiros e tem a curadoria a cargo de responsáveis por museus portugueses e outras entidades públicas e privadas de Portugal, como a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Os espaços temáticos abordam assuntos centrais na história de Portugal, como as Descobertas Científicas e os Descobrimentos, além de destacarem a importância do Comércio e da Língua como elementos de afirmação, identidade e unidade lusitana, motivo e conseqüência da expansão.

As salas traçam um itinerário cronológico e conceitual da mostra. Estão presentes objetos ligados à navegação, pesos e medidas, à matemática, arquitetura, astronomia, agricultura e exemplares que revelam a nova geografia do mundo (“a terra é redonda”).
Já no ambiente dedicado à Língua e Comércio, a exposição apresentará potes de vidro contendo exemplares das especiarias que motivaram tantas jornadas, além de reproduções de livros fundamentais para o entendimento da formação lingüística e cultural portuguesa, como Os Lusíadas, de Luís de Camões, e A formação do Estado de Portugal, considerado um dos primeiros documentos escritos em português, em edições fac-símiles que o público pode manusear.
Ema cada sala há ainda um espaço dedicado à projeção de vídeos com depoimentos de especialistas – historiadores, arqueólogos, lingüistas – que explicam a formação de Portugal e sua própria matriz miscigenada. Os curadores estão “presentes” nas salas, ilustrando o background histórico e cultural das peças em mostra.
Uma beleza!
Esta imersão nas origens de Portugal, da pré-história aos Descobrimentos, é feita através de ambientes históricos e temáticos. Dentre os históricos estão aqueles dedicados aos períodos e influências religiosas: Pré-história, Presença Romana, Alta Idade Média, Presença Islâmica, Cristianismo Medieval e Presença Judaica.

Para contar tudo isso, a exposição traz peças em mármore, pedra, ouro, azulejo, pintura, escultura, achados arqueológicos, mapas, além dos elementos multimídia sobre a formação da língua portuguesa, a arquitetura e a paisagem portuguesa.

A produção desta exposição está a cargo de especialistas brasileiros e tem a curadoria a cargo de responsáveis por museus portugueses e outras entidades públicas e privadas de Portugal, como a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Os espaços temáticos abordam assuntos centrais na história de Portugal, como as Descobertas Científicas e os Descobrimentos, além de destacarem a importância do Comércio e da Língua como elementos de afirmação, identidade e unidade lusitana, motivo e conseqüência da expansão.

As salas traçam um itinerário cronológico e conceitual da mostra. Estão presentes objetos ligados à navegação, pesos e medidas, à matemática, arquitetura, astronomia, agricultura e exemplares que revelam a nova geografia do mundo (“a terra é redonda”).

Já no ambiente dedicado à Língua e Comércio, a exposição apresentará potes de vidro contendo exemplares das especiarias que motivaram tantas jornadas, além de reproduções de livros fundamentais para o entendimento da formação lingüística e cultural portuguesa, como Os Lusíadas, de Luís de Camões, e A formação do Estado de Portugal, considerado um dos primeiros documentos escritos em português, em edições fac-símiles que o público pode manusear.

Ema cada sala há ainda um espaço dedicado à projeção de vídeos com depoimentos de especialistas – historiadores, arqueólogos, lingüistas – que explicam a formação de Portugal e sua própria matriz miscigenada. Os curadores estão “presentes” nas salas, ilustrando o background histórico e cultural das peças em mostra.
Uma beleza!
“Estação Luz da Nossa Língua”.

Ontem fui conhecer o Museu da Língua Portuguesa. Sua localização não podia ser mais apropriada: a cidade de São Paulo, a maior concentração de falantes (superior à dez milhões) da Língua Portuguesa em todo o mundo. A escolha do local também se revelou muito feliz pois recaiu sobre o admirável edifício da Estação da Luz, daí também se chamar ao museu “Estação Luz da Nossa Língua”.
Como é referido no website do Museu “trata-se de um museu vivo da língua, onde os brasileiros podem se reconhecer e se conhecer melhor; lugar que evoca a especificidade e a riqueza da língua portuguesa do Brasil e busca, assim, reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país. O objetivo maior é fazer com que as pessoas se surpreendam e descubram aspectos da língua que falam, lêem e escrevem, bem como da cultura do país em que vivem, nos quais nunca haviam pensado antes. Que se espantem ao descobrir que sua língua tem todos aqueles aspectos ocultos.”
O Museu da Língua Portuguesa tem uma característica singular - à diferença dos outros museus, abriga um patrimônio imaterial: a língua. Está acontecendo, até 26 de outubro, a exposição "Machado de Assis: mas este capítulo não é sério" em homenagem ao centenário da morte desse grande escritor brasileiro. O objetivo da mostra é desfazer a concepção de autor clássico com obras para leitura obrigatória ao vestibular. "Machado de Assis é muito mais divertido que a obrigatoriedade. Essa é a mensagem que queremos passar aos visitantes".
Ao entrar no museu, tem-se a impressão de fazer parte de um livro. Dividido em capítulos, o primeiro corredor da exposição apresenta as muitas facetas de Machado de Assis, de acordo com suas principais obras. Entre tópicos estão sua face jornalista, suas musas e seu principal enredo: a escravidão. Há também um capítulo reservado para a sandice e a loucura.
No fim do primeiro corredor, a gente passa por uma ´biblioteca cinema´ que transmite trechos de obras do autor lidos por diversas personalidades. Já no segundo corredor, há uma cronologia da vida de Machado de Assis. O espaço desemboca em uma sala de leitura, onde se pode pegar um dos 400 livros disponíveis e ler como se estivesse em uma biblioteca.
agosto 15, 2008
TAUNAY na Pinacoteca

Na PINACOTECA (São Paulo) acontece a mostra Nicolas-Antoine Taunay no Brasil - Uma Leitura dos Trópicos

Em 1816, quando embarcou para o Brasil com o grupo chamado de Missão Francesa, Taunay já tinha 60 anos e trazia na bagagem uma sólida carreira na disputada cena neoclássica européia. Difícil saber o que realmente motivou a decisão de passar um tempo nos trópicos; se a necessidade de um refúgio seguro para escapar de eventuais perseguições após a queda de Napoleão ou o alegado anseio por empreender uma viagem que fosse "útil às artes", indo para um lugar cuja natureza o inspiraria, como diz em uma de suas cartas.

O projeto consistia em ensinar artes plásticas no Rio de Janeiro. Entre os missionários estavam o pintor Jean-Baptiste Debret, os escultores Auguste Marie Taunay, Marc e Zéphirin Ferrez e o arquiteto Grandjean de Montigny.
Taunay, que na França tornou-se conhecido como retratista de Napoleão Bonaparte, foi o responsável pela fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Em sua obra, as paisagens cariocas são mostradas à maneira de vila italiana, raros escravos em cena e uma luminosidade um tanto fosca. A pintura Vista do Pão-de-Açúcar a Partir do Terraço de Sir Henry Chamberlain resume bem as marcas de Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830): " um paisagista francês pouco afeito à escravidão e que veio para cá em busca da beleza dos trópicos, durante os tempos de dom João VI."
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