agosto 16, 2008

CORPO

Assisti, no Teatro Alfa, mais um espetáculo do Grupo Corpo.
"Criado em 1975, em Belo Horizonte, o Grupo Corpo é uma companhia onde o Brasil inteiro, com toda sua diversidade, se reconhece. Rodrigo Pederneiras, seu coreógrafo residente, desenvolve um modo singular de contaminar o balé com as raízes brasileiras. Com trilhas musicais especialmente compostas, as produções nascem com um apuro cênico que se transformou numa assinatura." Helena Katz
BREU ( 2007)
A música de Lenine - compositor pernambucano dono de uma sonoridade muito particular e que consegue uma combinação entre o melhor da MPB, do rock e de ritmos populares - Cada corpo, no limite, é um manifesto.

21 (1992) A força contida na tensão entre as cores vermelha, da luz chapada de fundo - e amarela - das malhas utilizadas pelos bailarinos - dá o tom da primeira parte do balé, enquanto uma gigantesca colcha de retalhos, exibindo estampas de colorido vibrante, deixa antever a explosão do momento final do balé, quando os figurinos, sempre colantes, fazem alusão ao patchwork do cenário.

TEMPO E JABUTICABAS

Este texto me foi enviado pela Eunice:

"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"

Pink Martini: Amado Mio


Rita Hayworth e Glenn Ford no clássico GILDA de 1946
Pink Martini é uma banda de 12 membros formada em Portland, Oregon. A banda foi criada pelo pianista Thomas M. Lauderdale em 1994. Eles misturam diversos gêneros musicais como a música latina, lounge, música clássica européia e jazz.

LUSA – a matriz portuguesa

Visitei na Fundação Cultural Banco do Brasil (em São Paulo) a exposição LUSA - a matriz portuguesa, tratando das origens de Portugal, desde a pré-História até 1500.
Esta imersão nas origens de Portugal, da pré-história aos Descobrimentos, é feita através de ambientes históricos e temáticos. Dentre os históricos estão aqueles dedicados aos períodos e influências religiosas: Pré-história, Presença Romana, Alta Idade Média, Presença Islâmica, Cristianismo Medieval e Presença Judaica.
Para contar tudo isso, a exposição traz peças em mármore, pedra, ouro, azulejo, pintura, escultura, achados arqueológicos, mapas, além dos elementos multimídia sobre a formação da língua portuguesa, a arquitetura e a paisagem portuguesa.
A produção desta exposição está a cargo de especialistas brasileiros e tem a curadoria a cargo de responsáveis por museus portugueses e outras entidades públicas e privadas de Portugal, como a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Os espaços temáticos abordam assuntos centrais na história de Portugal, como as Descobertas Científicas e os Descobrimentos, além de destacarem a importância do Comércio e da Língua como elementos de afirmação, identidade e unidade lusitana, motivo e conseqüência da expansão.

As salas traçam um itinerário cronológico e conceitual da mostra. Estão presentes objetos ligados à navegação, pesos e medidas, à matemática, arquitetura, astronomia, agricultura e exemplares que revelam a nova geografia do mundo (“a terra é redonda”).
Já no ambiente dedicado à Língua e Comércio, a exposição apresentará potes de vidro contendo exemplares das especiarias que motivaram tantas jornadas, além de reproduções de livros fundamentais para o entendimento da formação lingüística e cultural portuguesa, como Os Lusíadas, de Luís de Camões, e A formação do Estado de Portugal, considerado um dos primeiros documentos escritos em português, em edições fac-símiles que o público pode manusear.
Ema cada sala há ainda um espaço dedicado à projeção de vídeos com depoimentos de especialistas – historiadores, arqueólogos, lingüistas – que explicam a formação de Portugal e sua própria matriz miscigenada. Os curadores estão “presentes” nas salas, ilustrando o background histórico e cultural das peças em mostra.
Uma beleza!

“Estação Luz da Nossa Língua”.


Ontem fui conhecer o Museu da Língua Portuguesa. Sua localização não podia ser mais apropriada: a cidade de São Paulo, a maior concentração de falantes (superior à dez milhões) da Língua Portuguesa em todo o mundo. A escolha do local também se revelou muito feliz pois recaiu sobre o admirável edifício da Estação da Luz, daí também se chamar ao museu “Estação Luz da Nossa Língua”. Como é referido no website do Museu “trata-se de um museu vivo da língua, onde os brasileiros podem se reconhecer e se conhecer melhor; lugar que evoca a especificidade e a riqueza da língua portuguesa do Brasil e busca, assim, reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país. O objetivo maior é fazer com que as pessoas se surpreendam e descubram aspectos da língua que falam, lêem e escrevem, bem como da cultura do país em que vivem, nos quais nunca haviam pensado antes. Que se espantem ao descobrir que sua língua tem todos aqueles aspectos ocultos.” O Museu da Língua Portuguesa tem uma característica singular - à diferença dos outros museus, abriga um patrimônio imaterial: a língua.
Está acontecendo, até 26 de outubro, a exposição "Machado de Assis: mas este capítulo não é sério" em homenagem ao centenário da morte desse grande escritor brasileiro. O objetivo da mostra é desfazer a concepção de autor clássico com obras para leitura obrigatória ao vestibular. "Machado de Assis é muito mais divertido que a obrigatoriedade. Essa é a mensagem que queremos passar aos visitantes".
Ao entrar no museu, tem-se a impressão de fazer parte de um livro. Dividido em capítulos, o primeiro corredor da exposição apresenta as muitas facetas de Machado de Assis, de acordo com suas principais obras. Entre tópicos estão sua face jornalista, suas musas e seu principal enredo: a escravidão. Há também um capítulo reservado para a sandice e a loucura.
No fim do primeiro corredor, a gente passa por uma ´biblioteca cinema´ que transmite trechos de obras do autor lidos por diversas personalidades. Já no segundo corredor, há uma cronologia da vida de Machado de Assis. O espaço desemboca em uma sala de leitura, onde se pode pegar um dos 400 livros disponíveis e ler como se estivesse em uma biblioteca.

agosto 15, 2008

TAUNAY na Pinacoteca


Na PINACOTECA (São Paulo) acontece a mostra Nicolas-Antoine Taunay no Brasil - Uma Leitura dos Trópicos
Em 1816, quando embarcou para o Brasil com o grupo chamado de Missão Francesa, Taunay já tinha 60 anos e trazia na bagagem uma sólida carreira na disputada cena neoclássica européia. Difícil saber o que realmente motivou a decisão de passar um tempo nos trópicos; se a necessidade de um refúgio seguro para escapar de eventuais perseguições após a queda de Napoleão ou o alegado anseio por empreender uma viagem que fosse "útil às artes", indo para um lugar cuja natureza o inspiraria, como diz em uma de suas cartas.
O projeto consistia em ensinar artes plásticas no Rio de Janeiro. Entre os missionários estavam o pintor Jean-Baptiste Debret, os escultores Auguste Marie Taunay, Marc e Zéphirin Ferrez e o arquiteto Grandjean de Montigny.
Taunay, que na França tornou-se conhecido como retratista de Napoleão Bonaparte, foi o responsável pela fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Em sua obra, as paisagens cariocas são mostradas à maneira de vila italiana, raros escravos em cena e uma luminosidade um tanto fosca. A pintura Vista do Pão-de-Açúcar a Partir do Terraço de Sir Henry Chamberlain resume bem as marcas de Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830): " um paisagista francês pouco afeito à escravidão e que veio para cá em busca da beleza dos trópicos, durante os tempos de dom João VI."

agosto 11, 2008

DE OLHOS BEM FECHADOS

Já escrevi em algum lugar que nunca sei sobre o que versará a próxima postagem. E é verdade. Ontem mencionei aqui (abaixo) Arthur Schnitzler a propósito de seu livro que está sendo lançado no Brasil.
A noite, conversa vai conversa vem, um amigo me lembrou que ele é o autor do conto Traumnovelle em que se baseou Kubrick, para fazer o que foi seu último filme(ele morreu pouco depois do fim da edição). Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) é um filme de 1999, estrelado pelo então casal-na-vida-real Nicole Kidman e Tom Cruise.
Uma das canções do filme é a lindíssima "Valsa 2" da Suíte Jazz 2, de Shostakovitch.
Por que não compartilhá-la com vocês?

As imagens não têm qualquer relação com o filme.

agosto 10, 2008

DA JANELA DA ALMA

O romance Crônica de uma Vida de Mulher desenvolveu no mundo das artes muitas das idéias pensadas por Freud no campo da ciência. Arthur Schnitzler, seu autor, foi considerado por Freud seu “gêmeo psíquico”, o seu duplo. Compartilha com Freud, a idéia de que a verdadeira motivação humana são os desejos sexuais, desejos capazes de destruir todas as barreiras sociais e morais. Ambos eram médicos, judeus e pessoas de destaque na burguesia de Viena da virada de século (quando era o centro do Império Austro-Húngaro) e marcariam profundamente, o pensamento ocidental nas décadas subseqüentes.
DESEJO (Danae - Klimt)
Arthur Schnitzler (Crônica de uma vida de mulher)
“Para Therese, o olhar da mãe naquele dia pareceu ainda mais zangado e carregado de ódio que de costume, como se ela ainda não tivesse perdoado o esposo pelo fato de ter se aposentado antes do tempo ...Como se ela ainda não tivesse conseguido se esquecer de que há muitos anos havia cavalgado por aí sobre um pônei fogoso, na condição de pequena baronesa na propriedade dos pais, na Eslavônia”.

Sigmund. Freud (Totem e Tabu)
“Uma mulher cujas necessidades psicossexuais deveriam encontrar satisfação no casamento e na vida de família é muitas vezes ameaçada de perigo de ficar insatisfeita porque sua relação matrimonial chegou a um fim prematuro e por causa da monotonia de sua vida emocional. (....) Quando um casamento é estéril, a mulher perde uma das coisas que mais poderiam ajudar a suportar a resignação que o casamento exige dela.”

DUPLO -auto retrato de Egon Schiele
A dualidade do homem

O INCONSCIENTE
Arthur Schnitzler (Breve Romance de Sonho)
“[...] mergulharam ambos numa conversa mais séria sobre os desejos ocultos, quase insuspeitos que, mesmo nas almas mais puras e cristalinas, logram produzir turbilhões perigosos e sombrios; falavam das regiões secretas pelas quais pouco ou quase nada ansiavam e para onde, não obstante, o incompreensível vento do destino poderia, ainda que apenas em sonho, arrrastá-los.”

Sigmund Freud (A Consciência e o que é Inconsciente)
“A divisão do psíquico em o que é consciente e o que é inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise , e somente ela torna possível a esta compreender os processos patológicos da vida mental [...] A psicanálise não pode situar a essência do psíquico na consciência, mas é obrigada a encarar esta como uma qualidade do psíquico, que pode achar-se presente em acréscimo a outras qualidades, ou estar ausente”.

O romance Crônica de uma Vida de Mulher aborda a vida de homens e mulheres em situações de desespero pela ruína financeira ou familiar, pelo jogo, pelo individamento, ou ainda , pelo incesto, adultério e abandono, mas que ainda assim se mantém fiéis aos códigos consagrados de aparência social. Exibe com crueza os desejos e a repressão da mulher e e as relações de fachada dos “bons casamentos”.Evidencia não só a hipocrisia dos princípios religiosos mas também expõe os sentimentos anti-semitas da sociedade vienense
Por enquanto li apenas a resenha na BRAVO.

OLIMPIADAS ( doodles)