Já escrevi em algum lugar que nunca sei sobre o que versará a próxima postagem. E é verdade. Ontem mencionei aqui (abaixo) Arthur Schnitzler a propósito de seu livro que está sendo lançado no Brasil.
A noite, conversa vai conversa vem, um amigo me lembrou que ele é o autor do conto Traumnovelle em que se baseou Kubrick, para fazer o que foi seu último filme(ele morreu pouco depois do fim da edição). Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) é um filme de 1999, estrelado pelo então casal-na-vida-real Nicole Kidman e Tom Cruise.
Uma das canções do filme é a lindíssima "Valsa 2" da Suíte Jazz 2, de Shostakovitch.
Por que não compartilhá-la com vocês?
As imagens não têm qualquer relação com o filme.
agosto 11, 2008
agosto 10, 2008
DA JANELA DA ALMA
O romance Crônica de uma Vida de Mulher desenvolveu no mundo das artes muitas das idéias pensadas por Freud no campo da ciência. Arthur Schnitzler, seu autor, foi considerado por Freud seu “gêmeo psíquico”, o seu duplo. Compartilha com Freud, a idéia de que a verdadeira motivação humana são os desejos sexuais, desejos capazes de destruir todas as barreiras sociais e morais. Ambos eram médicos, judeus e pessoas de destaque na burguesia de Viena da virada de século (quando era o centro do Império Austro-Húngaro) e marcariam profundamente, o pensamento ocidental nas décadas subseqüentes.
DESEJO (Danae - Klimt)
Arthur Schnitzler (Crônica de uma vida de mulher)
“Para Therese, o olhar da mãe naquele dia pareceu ainda mais zangado e carregado de ódio que de costume, como se ela ainda não tivesse perdoado o esposo pelo fato de ter se aposentado antes do tempo ...Como se ela ainda não tivesse conseguido se esquecer de que há muitos anos havia cavalgado por aí sobre um pônei fogoso, na condição de pequena baronesa na propriedade dos pais, na Eslavônia”.
Sigmund. Freud (Totem e Tabu)
“Uma mulher cujas necessidades psicossexuais deveriam encontrar satisfação no casamento e na vida de família é muitas vezes ameaçada de perigo de ficar insatisfeita porque sua relação matrimonial chegou a um fim prematuro e por causa da monotonia de sua vida emocional. (....) Quando um casamento é estéril, a mulher perde uma das coisas que mais poderiam ajudar a suportar a resignação que o casamento exige dela.”
DUPLO -auto retrato de Egon Schiele
A dualidade do homem
O INCONSCIENTE
Arthur Schnitzler (Breve Romance de Sonho)
“[...] mergulharam ambos numa conversa mais séria sobre os desejos ocultos, quase insuspeitos que, mesmo nas almas mais puras e cristalinas, logram produzir turbilhões perigosos e sombrios; falavam das regiões secretas pelas quais pouco ou quase nada ansiavam e para onde, não obstante, o incompreensível vento do destino poderia, ainda que apenas em sonho, arrrastá-los.”
Sigmund Freud (A Consciência e o que é Inconsciente)
“A divisão do psíquico em o que é consciente e o que é inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise , e somente ela torna possível a esta compreender os processos patológicos da vida mental [...] A psicanálise não pode situar a essência do psíquico na consciência, mas é obrigada a encarar esta como uma qualidade do psíquico, que pode achar-se presente em acréscimo a outras qualidades, ou estar ausente”.
O romance Crônica de uma Vida de Mulher aborda a vida de homens e mulheres em situações de desespero pela ruína financeira ou familiar, pelo jogo, pelo individamento, ou ainda , pelo incesto, adultério e abandono, mas que ainda assim se mantém fiéis aos códigos consagrados de aparência social. Exibe com crueza os desejos e a repressão da mulher e e as relações de fachada dos “bons casamentos”.Evidencia não só a hipocrisia dos princípios religiosos mas também expõe os sentimentos anti-semitas da sociedade vienense
Por enquanto li apenas a resenha na BRAVO.
DESEJO (Danae - Klimt)
Arthur Schnitzler (Crônica de uma vida de mulher)“Para Therese, o olhar da mãe naquele dia pareceu ainda mais zangado e carregado de ódio que de costume, como se ela ainda não tivesse perdoado o esposo pelo fato de ter se aposentado antes do tempo ...Como se ela ainda não tivesse conseguido se esquecer de que há muitos anos havia cavalgado por aí sobre um pônei fogoso, na condição de pequena baronesa na propriedade dos pais, na Eslavônia”.
Sigmund. Freud (Totem e Tabu)
“Uma mulher cujas necessidades psicossexuais deveriam encontrar satisfação no casamento e na vida de família é muitas vezes ameaçada de perigo de ficar insatisfeita porque sua relação matrimonial chegou a um fim prematuro e por causa da monotonia de sua vida emocional. (....) Quando um casamento é estéril, a mulher perde uma das coisas que mais poderiam ajudar a suportar a resignação que o casamento exige dela.”
DUPLO -auto retrato de Egon Schiele
A dualidade do homemO INCONSCIENTE
Arthur Schnitzler (Breve Romance de Sonho)
“[...] mergulharam ambos numa conversa mais séria sobre os desejos ocultos, quase insuspeitos que, mesmo nas almas mais puras e cristalinas, logram produzir turbilhões perigosos e sombrios; falavam das regiões secretas pelas quais pouco ou quase nada ansiavam e para onde, não obstante, o incompreensível vento do destino poderia, ainda que apenas em sonho, arrrastá-los.”
Sigmund Freud (A Consciência e o que é Inconsciente)
“A divisão do psíquico em o que é consciente e o que é inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise , e somente ela torna possível a esta compreender os processos patológicos da vida mental [...] A psicanálise não pode situar a essência do psíquico na consciência, mas é obrigada a encarar esta como uma qualidade do psíquico, que pode achar-se presente em acréscimo a outras qualidades, ou estar ausente”.
O romance Crônica de uma Vida de Mulher aborda a vida de homens e mulheres em situações de desespero pela ruína financeira ou familiar, pelo jogo, pelo individamento, ou ainda , pelo incesto, adultério e abandono, mas que ainda assim se mantém fiéis aos códigos consagrados de aparência social. Exibe com crueza os desejos e a repressão da mulher e e as relações de fachada dos “bons casamentos”.Evidencia não só a hipocrisia dos princípios religiosos mas também expõe os sentimentos anti-semitas da sociedade vienense
Por enquanto li apenas a resenha na BRAVO.
agosto 09, 2008
JARDIM DAS DELÍCIAS
agosto 08, 2008
TRES
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Três versões da canção "Três" por três intérpretes distintas: Adriana Calcanhotto, Ana Carolina e Marina Lima
1.
Foi grande o meu amor
não sei o que me deu
quem me inventou fui eu
fiz de você o sol
da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou
2.
se você quer amar
não basta um só amor
não sei como explicar
um só sempre é demais
pra seres como nós
sujeitos a jogar
as fichas todas de uma vez
sem temer naufragar
não há lugar pra lamúrias
essas não caem bem
não há lugar pra calúnias
mas por que não
nos reinventar
3.
eu quero tudo o que há
o mundo e seu amor
não quero ter que optar
quero poder partir
quero poder ficar
poder fantasiar
sem nexo e em qualquer lugar
com seu sexo junto ao mar
Três versões da canção "Três" por três intérpretes distintas: Adriana Calcanhotto, Ana Carolina e Marina Lima
1.
Foi grande o meu amor
não sei o que me deu
quem me inventou fui eu
fiz de você o sol
da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou
2.
se você quer amar
não basta um só amor
não sei como explicar
um só sempre é demais
pra seres como nós
sujeitos a jogar
as fichas todas de uma vez
sem temer naufragar
não há lugar pra lamúrias
essas não caem bem
não há lugar pra calúnias
mas por que não
nos reinventar
3.
eu quero tudo o que há
o mundo e seu amor
não quero ter que optar
quero poder partir
quero poder ficar
poder fantasiar
sem nexo e em qualquer lugar
com seu sexo junto ao mar
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