julho 18, 2008

BOLSHOI



Solistas do balé Bolshoi que participam em Joinville (SC), da Noite de Gala do 26º Festival Internacional de Dança. Natália Osipova e Andrey Bolotin vão fazer os papéis principais do balé "Don Quixote": Kitri e Basílio. A peça é baseada na obra de Miguel de Cervantes e foi montada pela primeira vez em 1869, com coreografia de Marius Petipa e Alexander Gorsky, e música de Ludwig Minkus. A peça foi a estréia dos dois bailarinos como solistas do Bolshoi, há três anos.

julho 14, 2008

Danielle Miterrand

Diante da notícia do lançamento de "Comme si de Rien n'Était" (como se nada tivesse acontecido) da inexpressiva Carla Bruni é inevitável e oportuno relembrar a grandeza de Danielle Miterrand, trazendo o que ela escreveu ao povo francês, após haver recebido críticas impiedosas por ter permitido a presença da amante do marido e de sua filha, Mazarine, na sua cerimônia fúnebre:
"Antes de mais nada devo deixar
claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um
enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou
àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião
dos outros. Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma
existência que é um sulco bem traçado e profundo, já
não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis
enganos. Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e
que as ausências são lindas expressões de perenidade e
criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo
que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os
mais jovens.
Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse
tempo e me coloquei sempre. Há mulheres
que não se colocam, embora estejam; que não se situam
embora componham o cenário da situação presumível. Uma
vida de altos e baixos. Na época da Resistência nunca
sabíamos onde iríamos passar a noite, se na cama, na
prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade.
Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a
consciência de que é preciso viver depressa.
Concentrar talvez seja a palavra. Por
isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua
complexidade, com as variações de sua pessoa e não de
seu caráter...
Quem entende ou, pelo menos luta para
compreender as variações do outro, o ama realmente. E
nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou.
Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital
do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais
os conhecemos, o também, não é um engano. Quem não
conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não
cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade.
Uma relação a dois não deve ser
apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não, enfastiada.
Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante
quanto da política.
Vi, também, que como um homem
sensível poderia se enamorar, se encantar com outras
pessoas, sem deixar de me amar.
Achar que somos feitos para um único e
fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir
docemente que um ser humano é capaz de amar
apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos,
amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do
mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores
que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota
d'água que se incorpora ao nosso lago.
Simone de Beauvoir dizia bem, que temos
amores necessários e amores contingentes ao longo da vida.
Aceitei a filha de meu marido e hoje
recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que
me dizem:
- "Obrigado por ter aberto um
caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao
enterro porque a mulher dele não aceitava ".
É preciso viver sem mesquinhez, sem um
sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos
caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar
tudo.
Espero que as pessoas sejam generosas e
amplas para compreender e amar seus parceiros em suas
dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões.
Isso é amar por inteiro e ter
confiança em si mesmo'.
Deus não prometeu Dias sem Dor; Risos
sem Sofrimentos; Sol sem Chuva.
Ele prometeu Força para o Dia;
Conforto para as Lágrimas e Luz para o Caminho...'

SAPHO

Suposto retrato - pintura proveniente de Pompéia.© Collection Roger-Viollet

Safo, a maior poetisa lírica da Antigüidade, nasceu na ilha grega de Lesbos, por volta do ano de 612 a.C.
Compôs o "Adeus a Átis", considerada até hoje como um dos mais perfeitos versos líricos de todos os tempos.
Segundo a lenda recolhida por Ovídio: na idade madura, Safo teria voltado a amar os homens e se apaixonado por um marinheiro que não lhe correspondeu.Suicidou-se pulando de um rochedo de Leuca. Na outra versão, Safo serenamente resignada com a sua sorte - recusa um pedido de casamento: "Se meu peito ainda pudesse dar leite e meu ventre frutificasse, iria sem temor para um novo tálamo. Mas o tempo já gravou demasiadas rugas sobre minha pele e o amor já não me alcança mais com o açoite de suas deliciosas penas."
A moralidade e a hipocrisia condenam Sapho há 26 séculos. No século XI, teve a sua maior condenação: toda a sua obra (9 vols.) foi queimada pela Igreja...
No final do século XIX, arqueólogos ingleses descobriram sarcófagos envoltos em tiras de pergaminho, numa das quais eram legíveis uns 600 versos de Safo. Isso é tudo o que restou dela.
Pouco, mas o bastante para confirmar o veredicto dos antigos de que Safo foi a maior poetisa lírica da Antigüidade, a “divina hetaira”!!


LESBOS
Deu no DER SPIEGEL de hoje:
Dimitri Lambrou é um orgulhoso lésbico, segundo o qual as "lésbicas" de todo o mundo deveriam deixar de usar o nome de sua ilha natal como marca de sua orientação sexual. O processo que ele apresentou em um tribunal de Atenas o tornou famoso, não só na Grécia. Ele é editor-chefe da revista mensal grega O Davlos ("A Tocha").Sua tese, de forma resumida, é esta: a cristianização da Europa não foi o começo, mas sim o fim da grandeza da Europa. A Grécia antiga teria representado o ponto mais elevado da civilização européia.
Lambrou entrou com uma petição para uma interdição judicial temporária em um tribunal de Atenas. Ele queria impedir que a OLKE, a associação grega de gays e lésbicas continuasse a usar a palavra "lésbica". O próprio Lambrou nasceu na ilha de Lesbos, terra natal da poeta Safo, musa clássica de todas as mulheres que amam mulheres. Acontece que Lambrou adora sua Lesbos natal. A OLKE, segundo ele, roubou a palavra "lésbica". As mulheres de Lesbos são constantemente confundidas com mulheres lésbicas, diz Lambrou, para quem lésbica de verdade só pode existir em Lesbos. Afirma que não é anti-homossexuais e não faz qualquer objeção ao casamento entre mulheres. Mas as palavras, ele diz, e os fatos históricos, precisam ser corrigidos. Ele diz que é ridículo alegar que Safo amava mulheres, por exemplo. Todo mundo - segundo Lambrou - sabe que a poetisa, casada e mãe de uma filha, suicidou-se por causa do amor por um homem.
E como deveriam se chamar as lésbicas, se não puderem mais referir-se a si mesmas como lésbicas? Lambrou sugere o termo "tribades". O verbo "trivo" significa "roçar" em grego. "Aquelas que se roçam", diz ele, "que tal?".