junho 22, 2008

PUDORES


Menos famoso que o David, de Michelangelo, o óleo sobre tela L'Origine du monde pintada por Gustave Courbet (1819-1877) ainda causa desconforto em alguns visitantes do Museu d’Orsay, quando percebem estarem sendo observados enquanto admiram a obra.
O psicanalista Jacques Lacan (1901-1981), autor da teoria do complexo de castração, proprietário do quadro até 1955, não o mostrava para todos, mantinha a tela escondida atrás de uma outra, tal qual um cofre embutido. Mas este pudor não chega nem aos pés da vergonha que a Justiça francesa anda sentindo. O Tribunal de Lille anulou um casamento a pedido de marido muçulmano. Motivo: na noite de núpcias, ele descobriu que a mulher não era mais virgem.
Em que pese ser a França o país onde as mulheres se empenharam de forma contundente pela emancipação, uso de contraceptivos e legalização do aborto, a anulação do casamento caso o cônjuge minta sobre a “qualidade essencial” do relacionamento é admitida!!!

No que dá ter juízo

"TENHO OUVIDO, cada vez mais, homens e mulheres reclamando da vida, dizendo que estão achando tudo chato, que são pouquíssimas as pessoas com quem querem conversar; sair, nem pensar.
Uma vez a cada 15 dias, para não virar bicho do mato de vez, aceitam ir jantar fora com dois, três amigos, e voltam dizendo "eu não tinha nada que ter ido, já sabia que ia ser uma chatice, da próxima não vou mais".
Jantares com mais gente, esses não há hipótese, e se houver pessoas famosas por serem interessantíssimas, mas que você não conhece, aí é que não vai mesmo.
Não há show de Chico Buarque, João Gilberto, Caetano, que entusiasme essa gente. Ah, o flanelinha, ah, a multidão, ah, a confusão da saída; e se alguém propusesse que um desses cantores fizesse um show só para ele, alguma desculpa seria arranjada para não querer. A única coisa que os agrada é ficar em casa, vendo televisão ou lendo um livro, de preferência sós. Mas os que trabalham em alguma coisa interessante têm uma saída: falar de trabalho. A vida vai ficando cada vez mais difícil, as pessoas cada vez mais sós, mas nem por isso infelizes. Qualquer coisa, menos estar com gente.
Dá para entender? Pensando bem, até que dá.
Houve um tempo em que essas mesmas pessoas eram a alegria das festas; dançavam, diziam bobagens, eram engraçadas, todo mundo gostava delas, o telefone não parava de tocar, e a vida era muito divertida. O que aconteceu então? A idade que chegou? Não necessariamente, pois existem reclusos em todas as faixas etárias. As festas são menos animadas? Para eles são, mas há gente que não perde uma e acha todas ótimas.
Mas então que história é essa de não querer sair, não querer ver gente, não querer conhecer ninguém novo, nem -e sobretudo- Gisele Bündchen? Ah, os mistérios dessa vida.
Aí comecei a prestar atenção a essas pessoas, para saber em que elas mudaram -sim, porque está claro que foram elas que mudaram. O mundo continua o mesmo.
Lembrei de cada uma delas, pensando que nenhuma tinha responsabilidades, empresas, mulher, ex-mulher, filho. Todos podiam ir à praia, e há alguma coisa mais irresponsável do que passar a manhã pegando sol e dando um bom mergulho? E uma pessoa queimada de sol pode ser infeliz? Abaixo os dermatologistas, em primeiro lugar a felicidade.
Qual foi a mudança que aconteceu com cada um deles, que se tornaram preocupados com o futuro, com a bolsa, se subiu ou desceu, com os países asiáticos, com o futuro da China?
É que naqueles ótimos tempos ninguém tinha juízo. A vida corria mansa, sem uma só preocupação com o o futuro -futuro? E isso existia?-, mas com o tempo fomos ficando responsáveis e ganhando juízo.
De tanto ouvir nossos pais dizendo "essa menina precisa criar juízo", criamos, e somos hoje uma turma de desanimados, quase deprimidos, pois não temos mais coragem de falar bobagens, cobiçar ostensivamente a mulher do próximo, beber além da conta, dar um grande vexame, e sobretudo, sobretudo, deixar de ir ao trabalho numa quarta-feira para ir à praia, porque criamos juízo.
Como era bom o tempo em que não tínhamos nenhum"
Danuza Leão

junho 21, 2008

Artes japonesas

Okusai (1760-1849) Além do Origami, são artes japonesas :

O Sumi-ê é a pintura em preto e branco,executada rapidamente, jogando apenas com tons claros, escuros e médios, para criar a ilusão de bambus (símbolo do verão), ameixeiras (outono), crisântemos (inverno), e orquídeas (primavera).






O Chigiri-ê é uma colagem de papéis coloridos, finíssimos, superpostos e desfiados, que acabam criando um efeito semelhante ao de aquarela:
O Kiri-ê é feito com papel recortado, e às vezes fica parecendo uma xilogravura.

Takô é a arte de fazer papagaios

junho 20, 2008

Fortaleza Europa

Imigração - Sandra Garcia

A DIRETIVA de Retorno aprovada no Parlamento Europeu passa a vigorar só em 2010, mas já está sendo chamada de "Diretiva da Vergonha". Ela ergue novas barreiras contra o belo (e não muito praticado) ideal da livre circulação de pessoas, sob pretexto de tratar com firmeza os imigrantes ilegais.
Na realidade, seu objetivo é conter pela ameaça a imigração crescente para a comunidade do euro forte. A próxima, que já se desenha sobre as muralhas da Europa, será a volta dos vistos de entrada para indesejados, entre eles os sul-americanos.
Em aparência, o que se fez foi padronizar procedimentos para os 27 países-membros da União Européia. Na prática, fica patente o endurecimento das regras. O imigrante flagrado em situação irregular poderá ser deportado para seu país de origem ou qualquer outro com o qual a UE mantenha acordo de repatriação.
Emitida a ordem de expulsão, o ilegal terá de 7 a 30 dias para sair por iniciativa própria. Se não o fizer, pode ser preso sem ordem judicial. A detenção poderá prolongar-se por até 18 meses, quando esse prazo na maioria das nações da EU varia hoje de 1 a 12 meses. O deportado ficará impedido de entrar nos países do bloco por cinco anos ou mais.
Os deputados europeus são políticos profissionais que, como em qualquer parte do mundo democrático, reagem a demandas de seus eleitores. Neste caso, cedem diante da maré montante de chauvinismo na Fortaleza Europa, sob a pressão de um contingente estimado em 8 milhões de imigrantes irregulares.
Quando o desemprego se torna crônico, estrangeiros terminam eleitos como bodes expiatórios. Se trabalham ilegalmente, o racional seria fiscalizar e reprimir os empregadores fora da lei. Vigiar e punir somente os mais fracos mal disfarça a tolerância com um exército de trabalhadores de segunda classe.
Imigrantes são em geral pessoas sem perspectivas, que abandonam suas pátrias em busca de uma vida melhor. Fogem movidas quase sempre pela necessidade ou pelo desespero. A Europa, berço do Iluminismo e da noção de direitos universais, tinha uma tradição de acolher deserdados e refugiados que agora se encolhe diante do ímpeto xenófobo de parte significativa de sua população e do populismo conservador de seus líderes.
Constitui uma ironia que a UE hoje rejeite com zelo especial imigrantes de países que receberam milhões de europeus pobres no século 19, como o Brasil. Não representa atitude diversa de manter além de suas fronteiras, com um sem-número de barreiras protecionistas e subsídios iníquos, os produtos mais competitivos de antigas colônias.
Da globalização, os europeus só querem as vantagens. Por elas, parecem dispostos a sacrificar as suas mais admiradas tradições.
OPINIÃO - Folha de hoje

junho 19, 2008

Bastidores de Hollywood

"Junho é o mês do orgulho gay e, assim como a data pede, muitos atores e atrizes ativistas levantam a bandeira homossexual em busca de direitos iguais a esses grupos. No último dia 9, personalidades como T.R. Knight, Ellen Degeneres, Portia de Rossi e Neil Patrick Harris, entre outras figuras assumidas da cena hollywoodiana, comemoraram a permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Se esta condição hoje recebe um tratamento mais natural, é seguro que nem sempre foi assim.
Desde seu início, a indústria cinematográfica esconde escândalos. Isso já foi retratado em diversas teses apresentadas nos últimos anos, especialmente no polêmico livro Bastidores de Hollywood, do jornalista americano William J. Mann, que fez um estudo completo da cena artística norte-americana entre os anos de 1910 e 1969.
Mann tira do armário atores como Gary Cooper, Cary Grant, Marlene Dietrich, Burt Lancaster e Greta Garbo, entre outros. Enquanto estavam vivos, a sexualidade de tais artistas era apenas questionada fora dos estúdios. No entanto, depois que a maioria deles morreu, alguns dos mistérios foram divulgados amplamente.
Um dos casos mais curiosos sobre homossexualidade que assolou a indústria hollywoodiana foi o do ator Gary Cooper, um verdadeiro exemplo do homem 'másculo' nos cinemas.
Em 1961, dias após sua morte, foi divulgado que, nos anos 20, Cooper teve seu nome ligado a outro conhecido de Hollywood, Anderson Lawler, com quem trocava cartas de amor. Essa informação só foi descoberta com estudos como o de Mann e por declarações de pessoas que conviveram com o astro.
Na década de 30, Cary Grant foi proibido de aparecer diante da imprensa sem uma companhia feminina, não importando quem fosse. Posteriormente, foi forçado a se separar do ator Randolph Scott, com quem morava, e se casou por obrigação de seus agentes com Virginia Cherrill. Ele chegou a tentar suicídio.
Nesta época, um resquício de boato questionando a sexualidade de determinada personalidade já significava assinar o óbito da carreira. Nada podia levantar a fama 'destruída' desta forma.
Muitas vezes, os estúdios assinavam cheques de valores altíssimos para manter o segredo distante dos grandes jornais. Quando o assunto era evidente, repórteres usavam códigos como 'solteirão convicto' e abusavam da ironia para desmitificar seus entrevistados.
Foi assim que Marlene Dietrich, Rock Hudson, Burt Lancaster e Alla Nazimova, entre outros, preservaram sua imagem por toda a vida. A cada ameaça de um novo escândalo, o dinheiro ajudava a mantê-los no armário.
A sexualidade de outra lenda do cinema, James Dean, nunca foi abertamente divulgada. Segundo o diretor Jonathan Gilmore, o astro era um 'multissexual', que não se preocupava com quem mantinha relações. Os estúdios até que tentaram conter este lado rebelde, mas pouco antes de morrer, em 1955, Dean se envolveu em diversas polêmicas.
Passada a época de crise, alguns astros da geração atual conseguiram falar abertamente no assunto, porém alguns ainda sofreram as conseqüências da ousadia. Na década de 80, Dick Sargent - mais conhecido por seu papel como Darrin Stephens em A Feiticeira - contou que era homossexual em uma campanha, o suficiente para que ele não ganhasse mais papéis de destaque.
De astro aclamado, Billy Zane foi responsabilizado pelo fracasso de bilheterias do filme O Fantasma, na década de 90. Na ação de marketing para divulgar o longa-metragem, deixou escapar em uma entrevista que era homossexual. Depois do escândalo, nunca mais tocou no assunto e até ficou noivo da atriz Kelly Brooks em 2002, embora assuma a imagem de 'ícone gay'.
Ainda segundo Mann, até hoje a indústria de Hollywood esconde seus segredos a sete chaves. Esses mesmos segredos só deverão vir à tona em anos, quando muitos dos astros atuais já estarão esquecidos pela grande mídia."
Do site www.terra.com.br

TOM LISBOA e suas Polaróides Invisíveis

O site é: www.sinTOMnizado.com.br/tomlisboa
As polaroides (in)visíveis são fotografias "instantâneas" feitas sem câmera, papel fotográfico ou imagem. Estas “falsas polaroides”, na verdade, são textos escritos por um fotógrafo que prefere não entregar imagens prontas para o espectador. Ao invés disto, ele prefere que, a partir dos seus textos, o público seja instigado a olhar ao redor e procurar paisagens quase ocultas do meio que o cerca.
Como todas as polaroides (in)visíveis são fixadas com fita adesiva, elas desaparecem muito rapidamente da cidade. Por isso, todo os locais percorridos com suas respectivas polaroides são documentados e disponibilizados no que se chamou Guia de Visitação On-line : escolha a cidade em que deseja fazer a intervenção: Curitiba, Porto Alegre ou Buenos Aires.
Isto permite que a "intervenção" possa ser realizada por qualquer pessoa, a qualquer hora. Basta acessar o Guia, imprimir em o roteiro de visitação e ir para a cidade ver as imagens de cada obra.

BOLO DE ROLO


Bolo de Rolo é uma especialidade dos pernambucanos que o Brasil todo adora. Recentemente foi reconhecido como patrimônio do estado. É considerado muito "trabalhoso". Para "montar" o bolo-de-rolo camadas finíssimas de uma massa de farinha de trigo, manteiga, ovos e açúcar são espalhadas em assadeiras baixas e, depois, enroladas com doce de goiaba.

junho 16, 2008

"Agua y Desarrollo Sostenible"

De 14 de junho a 14 de setembro, na cidade espanhola de Zaragoza acontece a exposição “Água e desenvolvimento sutentável“.

Este é o mascote da EXPO
Cerca de 100 nações, regiões, organizações internacionais e empresas tratarão desse tema, em pavilhões próprios. Durante 93 dias, eles mostrarão tecnologias inovadoras e novos desenvolvimentos para um uso responsável da água. Este recurso de importância vital é muito precioso – e escasso. Um terço da população mundial vive sem a quantidade suficiente de água. A escassez de água potável limpa e o mau abastecimento sanitário ou a falta dele são causas de doenças e conflitos sociais. Cientistas supõem que disputas pela água serão as principais causas de conflitos futuros. A escassez de água é um tema sério, mas os visitantes da Expo deverão experimentar com prazer e divertimento os princípios do consumo sustentável da água.
Esperam-se cerca de seis milhões de visitantes durante os três meses da Expo. Muitos deles passarão pelo Pavilhão-ponte, chegando ao terreno da exposição mundial. Esta construção da grande arquiteta de Londres, Zaha Hadid, inspirada na natureza da água, une a cidade, sobre o rio Ebro, ao terreno da exposição, sendo, junto com a Torre Aquática, em forma de gota, o símbolo da exposição. Outra atração da Expo é o Aquarium de 9000 metros quadrados, um dos maiores do mundo, no qual mais de 60 compartimentos mostram a vida nos rios em cinco continentes. Pavilion Aragon Expo 2008
Zaragoza já deu exemplo de como usar a água economicamente. A cidade com 700000 habitantes consome 96 litros per cápita e dia, o mais baixo consumo em toda a Espanha.
A mostra reunirá um fórum de mais de 300 especialistas, chamado Tribuna da Água, que discutirá as soluções globais para os problemas da água visando a obter um compromisso dos governos de todo mundo em relação ao tema.
O PAVILHÃO DE PORTUGAL está assim descrito:
Natureza. Proteger. Consciente. Uma chuva estilizada de palavras, escritas em vários idiomas, corre pelo painel interactivo até cair na água – pingue!. Nascente. Usufrui. Ambiente. Um bando de mãos no ar testa o conceito, apontando o dedo para escolher o mais importante. E a cada selecção, soa a palavra eleita na coluna mais próxima. A ideia é da Ydreams, empresa portuguesa famosa por oferecer as mais imaginativas soluções tecnológicas, e o quadro, 18 metros de parede, representa o culminar de um ciclo.
A viagem por este novo mundo português começa num corredor de espelhos, um espaço tubular onde há imagens refletidas numa geometria irregular e que nos transportam para cenários-limite: fogos, cheias, desertificação.
Na sala seguinte, a da descoberta dos rios transfronteiriços. Douro, Tejo e Guadiana nascem na Espanha e são também as três bacias hidrográficas mais importantes do país. Carregam, por isso, uma importante mensagem: «Água para compartilhar, água para usufruir» é o lema assumido do pavilhão – moderno, contemporâneo e a olhar para o futuro