junho 16, 2008

"Agua y Desarrollo Sostenible"

De 14 de junho a 14 de setembro, na cidade espanhola de Zaragoza acontece a exposição “Água e desenvolvimento sutentável“.

Este é o mascote da EXPO
Cerca de 100 nações, regiões, organizações internacionais e empresas tratarão desse tema, em pavilhões próprios. Durante 93 dias, eles mostrarão tecnologias inovadoras e novos desenvolvimentos para um uso responsável da água. Este recurso de importância vital é muito precioso – e escasso. Um terço da população mundial vive sem a quantidade suficiente de água. A escassez de água potável limpa e o mau abastecimento sanitário ou a falta dele são causas de doenças e conflitos sociais. Cientistas supõem que disputas pela água serão as principais causas de conflitos futuros. A escassez de água é um tema sério, mas os visitantes da Expo deverão experimentar com prazer e divertimento os princípios do consumo sustentável da água.
Esperam-se cerca de seis milhões de visitantes durante os três meses da Expo. Muitos deles passarão pelo Pavilhão-ponte, chegando ao terreno da exposição mundial. Esta construção da grande arquiteta de Londres, Zaha Hadid, inspirada na natureza da água, une a cidade, sobre o rio Ebro, ao terreno da exposição, sendo, junto com a Torre Aquática, em forma de gota, o símbolo da exposição. Outra atração da Expo é o Aquarium de 9000 metros quadrados, um dos maiores do mundo, no qual mais de 60 compartimentos mostram a vida nos rios em cinco continentes. Pavilion Aragon Expo 2008
Zaragoza já deu exemplo de como usar a água economicamente. A cidade com 700000 habitantes consome 96 litros per cápita e dia, o mais baixo consumo em toda a Espanha.
A mostra reunirá um fórum de mais de 300 especialistas, chamado Tribuna da Água, que discutirá as soluções globais para os problemas da água visando a obter um compromisso dos governos de todo mundo em relação ao tema.
O PAVILHÃO DE PORTUGAL está assim descrito:
Natureza. Proteger. Consciente. Uma chuva estilizada de palavras, escritas em vários idiomas, corre pelo painel interactivo até cair na água – pingue!. Nascente. Usufrui. Ambiente. Um bando de mãos no ar testa o conceito, apontando o dedo para escolher o mais importante. E a cada selecção, soa a palavra eleita na coluna mais próxima. A ideia é da Ydreams, empresa portuguesa famosa por oferecer as mais imaginativas soluções tecnológicas, e o quadro, 18 metros de parede, representa o culminar de um ciclo.
A viagem por este novo mundo português começa num corredor de espelhos, um espaço tubular onde há imagens refletidas numa geometria irregular e que nos transportam para cenários-limite: fogos, cheias, desertificação.
Na sala seguinte, a da descoberta dos rios transfronteiriços. Douro, Tejo e Guadiana nascem na Espanha e são também as três bacias hidrográficas mais importantes do país. Carregam, por isso, uma importante mensagem: «Água para compartilhar, água para usufruir» é o lema assumido do pavilhão – moderno, contemporâneo e a olhar para o futuro

junho 15, 2008

UMA ELEGIA À AMIZADE E À VIDA

Acabo de ler RAVELSTEIN .
O livro seria a “biografia” de Allan Bloom que se tornou celebridade mundial no fim dos anos 80, ao publicar O Declínio da Cultura Ocidental, um ataque virulento às universidades modernas e um lamento em favor das obras clássicas, que teriam sido trocadas por "prazeres mais acessíveis e menos substanciais "
Escrita por Saul Bellow (Prémio Nobel - 1976) seu amigo íntimo, não é, assumidamente, uma biografia. Foi publicada como “romance” e, conforme declaração do autor, é um “testemunho dos meus sentimentos em relação a Blomm”.
Na verdade, é uma homenagem sincera à amizade, sabedoria e amor, recheiada de ironia, muita ironia e, especialmente, inúmeras passagens dignas de registro:
"Com um grande sinal de Não Fumar atrás dele, Ravelstein acendia cigarros com a sua chama Dunhill enquanto perorava, dizendo ‘Se abandonarem a sala porque odeiam o tabaco mais do que amam as ideias, ninguém sentirá a vossa falta»;
«Uma razão pela qual a violência se tornou tão popular talvez seja porque ficamos fartos das grandes tiradas psicológicas e nos dê uma enorme satisfação ver as pessoas a voar pelos ares graças às armas automáticas, ou aos carros que explodem, ou a ser estrangulados e empalhados por taxidermistas. Estamos tão fartos de ter de pensar nos problemas de toda a gente, que uma destruição empolgante digna dos mais truculentos desenhos animados é pouco para os filhos da mãe.»
E ainda: “O legado de Ravelstein para mim era um tema - ele achou que estava me dando um tema , talvez o melhor que eu já tivera - talvez o único realmente importante . Mas o que este legado significava era que morreria antes de mim. Se eu fosse antes dele, ele certamente não escreveria a minha biografia . Qualquer coisa além de uma página para ser lida no velório teria sido impossível. No entanto, nós éramos muito amigos , os melhores possíveis . Nós estávamos rindo era da morte, e é claro que a morte aguça o senso de humor. Mas o fato de estarmos rindo juntos não significava que estávamos rindo pelas mesmas razões”.
“Não é fácil entregar à morte uma criatura como Ravelstein”. Ou, em outras palavras, é difícil reconhecer a nossa própria finitude.
Ao longo do livro o que se acompanha é uma profunda e comovente reflexão, desenvolvida através da troca de idéias entre eles sobre mortalidade, filosofia, história , amor e amizade.
Desperta interesse desde as primeiras páginas!!!.

junho 14, 2008

Too Close For Confort


Marta Hugon -Bernardo Moreira - Filipe Melo - Andre Sousa Machado - jazz

FOME DE AMOR

"Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar:
'Digam o que disserem, o mal do século é a solidão'. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma.
Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais
micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos.
Elas chegam sozinhas.
E saem sozinhas.
Empresários, advogados, engenheiros que estudaram,
trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes,
os novíssimos 'personal dance', incrível.
E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil,
alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas,
dar e receber carinho sem necessariamente ter que
depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico,
fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que
vão 'apenas' dormir abraçados, sabe, essas coisas simples
que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira,
a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados
por não saber como voltar a 'sentir', só isso, algo tão simples
que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:
'Quero um amor pra vida toda!', 'Eu sou pra casar!' até a desesperançada 'Nasci pra ser sozinho!'
Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio
a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos,
quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento
e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos.
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário,
pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras)
é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa
verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia
é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos
fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí?
Seja ridículo, não seja frustrado, 'pague mico', saia
gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais
cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e
cada instante que vai embora não volta.
Mas (estou muito brega!), aquela pessoa que passou
hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la,
quem sabe ali estivesse a oportunidade de
um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza?
Um ditado tibetano diz que se um problema é grande
demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê
pensar nele.
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o
dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si
mesma por ser estabanada; o que realmente não dá
é continuarmos achando que viver é out, que o vento
não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso
me aventurar a dizer pra alguém:
'vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra,
um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora,
mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que
vou me arrepender pelo resto da vida'.

Antes idiota que infeliz!"
Arnaldo Jabor

junho 12, 2008

FLUIDEZ


Bi The Way - Trailer

Deu no New York Times em 12/06/2008
O que excita as mulheres? Não, não é um homem nu
Mulheres! Vejam o esplendor da forma nua masculina: esbelta e poderosa, um milagre de músculos esculpidos, caminhando confiante pela areia ou alongando-se na sua frente em sua glória deslumbrante.
Pensando bem, talvez vocês prefiram outra coisa. Assim dizem os cientistas nas fronteiras da pesquisa em torno da eterna questão do que as mulheres acham erótico. A mais recente resposta parece ser: homens nus não ou ao menos não simplesmente homens nus.
"Para as mulheres heterossexuais, olhar para um homem nu caminhando na praia é tão excitante quanto ver uma paisagem", diz a pesquisadora Meredith Chivers em um novo documentário sobre bissexualidade chamado "Bi the Way", apresentado no festival de cinema de Nova York NewFest, no dia 6 de junho.
Chivers, pesquisadora do Centro de Vício e Saúde Mental da Universidade de Toronto, diz que tem dados para corroborar sua afirmativa. Recentemente, ela publicou resultados de um estudo no qual ela mostrava vídeos de homens e mulheres nus em várias situações sexuais e não sexuais e media a excitação genital de quem assistia as cenas.
As mulheres heterossexuais não ficavam mais excitadas por homens atléticos nus fazendo ioga ou jogando pedras no oceano do que ficavam com as cenas controle: imagens dos Himalaias cobertos de neve. Quando as mulheres heterossexuais viam um vídeo de uma mulher nua fazendo ginástica, por outro lado, seu fluxo sanguíneo aumentava significativamente.
O que realmente importa para as mulheres, ao menos no ambiente artificial do estudo em que a voluntária assistia a filmes ligada intimamente e a um aparelho chamado photoplethysmograph, não é o gênero do ator, mas seu grau de sensualidade, disse Chivers. Ainda mais do que pessoas nuas fazendo exercícios, elas ficavam excitadas com vídeos de masturbação e mais ainda por vídeos gráficos de casais fazendo amor. Mulheres com mulheres, homens com homens, homens com mulheres: não importava muito para as mulheres, disse Chivers.
"As mulheres parecem fisicamente não diferenciar entre os sexos em suas respostas sexuais, ao menos as mulheres heterossexuais", disse ela. "Para as mulheres heterossexuais, o gênero não importa. Elas responderam ao nível de atividade".
O trabalho de Chivers acrescenta a um corpo crescente de evidências científicas que coloca a sexualidade feminina em uma continuidade entre a heterossexualidade e a homossexualidade, em vez de um fenômeno excludente. "Ela está assinalando o que é meio óbvio e ainda assim não explorado: que as mulheres são fluidas em sua sexualidade", disse uma das diretoras de "Bi the Way", Josephine Decker, em uma festa após a apresentação do filme em um bar de temática russa.
Mesmo em uma cultura em que muitas vezes ser bissexual passa a ser chique - Britney e Madonna deixam o lugar para Lindsay Lohan e Samantha Ronson (fotografadas se beijando em Cannes, França)- e apesar dos dados da pesquisa mostrarem que os jovens, em particular, estão abertos à experimentação sexual, a bissexualidade ainda tende a ser tratada como novidade, como casualidade excitante, uma fase ou até uma forma de esconder a homossexualidade. A própria Chivers foi autora de um estudo de 2005 usando métodos similares que revelaram que os homens que se diziam bissexuais eram significativamente mais excitados por um único sexo, em geral o masculino.
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As mulheres, contudo, são fundamentalmente diferentes, dizem alguns pesquisadores.
"Concluir que as mulheres são bissexuais com base em sua resposta sexual seria negar a complexidade e as várias dimensões da sexualidade feminina", escreveu em seu artigo Chivers. Ela admitiu, contudo, que a aparente flexibilidade das mulheres "esteja relacionada a um maior potencial de bissexualidade nas mulheres do que nos homens".
Os produtores de "Bi the Way" tiraram suas próprias conclusões. "O que começou com uma moda pode ter se tornado uma revolução. Mas, de qualquer forma, está claro que os jovens estão refazendo o mapa da sexualidade", disse a diretora Brittany Blockman no filme, que traça as peregrinações românticas de cinco membros da chamada Geração do Tantofaz.
"Você passa a vida procurando aquela pessoa", disse Ouzoonian, 29. "As genitais não devem importar tanto assim."
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Andy Newman
Tradução: Deborah Weinberg