abril 17, 2008

ALDRABAS

Aldrabas (do árabe Ad-Dabbâ) são peças decorativas e funcionais de inegável valor histórico e artístico que caíram em desuso nas últimas décadas substituídas pelas campainhas.
Continham uma rica simbologia, pois conforme o desenho (formas de criaturas marinhas, seres mitológicos, cabeças de leão ou mãos femininas) serviam para anunciar visitas e ao mesmo tempo proteger a casa dos maus olhados e intenções duvidosas, advertindo os intrusos para consequências imprevisíveis, ao exibir sinais de poder.


PARIS
PROVENCE
PARIS

abril 16, 2008

GÂTEAU BASQUE

O Luis, chef no Restaurante Engenho da Panela, no Porto/Portugal, registrou em comentário, na postagem anterior (Bayonne), a sua curiosidade em relação à receita do gâteau basque.
Para atendê-lo, trouxe a de Firmin Arrambide.
La voilá!

C’est le gâteau traditionnel du pays basque dont la pâte est soit fourrée de confiture de cerise noire d’Ixtassou, c’est la version la plus ancienne qui utilise un produit local, soit de crème pâtissière parfumée au rhum ou à la fleur d’oranger, version plus luxueuse et plus moderne.
Difficulté :
Assez facile
Préparation : 30 minutes
Levage de la pâte : 1 heure
Cuisson : 40 minutes.
Pensez à décalez de 3 heures pour que le gâteau soit froid.
Pour la version crème pâtissière, ajoutez 30 minutes, que vous pouvez faire la veille.
Courses pour 6 gourmands ou 8 personnes :
Pour la pâte
300 gr de farine + 1 cuillerée à soupe pour le moule
150 gr de beurre + 20 gr pour le moule
150 gr de sucre en poudre
1 pincée de sel
½ sachet de levure chimique en poudre
1 œuf entier + 3 jaunes dont 1 pour dorer
1 à 2 cuillerées à soupe de rhum (gâteau à la crème)
1 citron non traité (gâteau à la confiture)
Pour la garniture:
1 pot de confiture de cerises noires d’Ixtassou
Ou
25 cl de lait
½ gousse de vanille
1 œuf entier + 2 jaunes
50 gr de sucre en poudre
40 gr de farine
2 cuillerées à soupe de rhum ambré.
Recette :
Si vous choisissez de préparer le gâteau à la crème, faites d’abord la crème pour qu’elle épaississe un peu le temps de faire le gâteau.
Préparation:
Vous faites bouillir dans une casserole le lait avec la gousse de vanille fendue en 2.Vous éteignez le feu.
Dans une terrine, vous fouettez l’œuf entier et les jaunes avec le sucre en poudre pour obtenir un mélange crémeux.
Vous incorporez la farine sans cesser de battre, puis vous délayez avec le lait.
Vous versez dans la casserole et vous faites cuire à feu doux jusqu’à épaississement, sans cesser de remuer avec une spatule.
Vous retirez du feu et parfumez avec le rhum. Vous laissez reposer (toutes ces opérations peuvent aussi se faire la veille)
Pour la pâte : dans une terrine, vous mélangez la farine, le sucre, le sel et la levure.
Vous faites une fontaine, vous y casser l’œuf entier et 2 jaunes, vous ajoutez le beurre ramolli à température ambiante et coupé en petits morceaux et le parfum rhum ou citron.
Vous travaillez à la cuillère en bois puis vous pétrissez à la main jusqu’à ce que la pâte ne colle plus aux doigts et soit bien homogène.
Vous la roulez en boule et vous la mettez 1 h dans un endroit frais.
Au bout d’1 heure, vous divisez la pâte en 2 (2 tiers et 1 tiers) et vous abaissez la plus grosse au rouleau ou à la main en l’écrasant avec le poing car elle s’étale mal.
Vous beurrez et farinez un moule à manqué, vous le garnissez avec la pâte et faisant dépasser la pâte d’1 cm sur tout le tour du moule, vous verser la crème ou la confiture.
Vous abaissez le reste de la pâte, vous la posez sur la garniture et vous soudez bien les 2 bords de pâte en les mouillant.
Cuisson:Vous préchauffez le four à 200° (thermostat 6-7).
Vous dorez au pinceau la surface du gâteau avec le dernier jaune d’œuf délayé avec un peu d’eau et vous faites des stries avec les dents d’une fourchette.
Vous enfournez à mi-hauteur et vous faites cuire pendant 20 mn, puis vous baissez le four à 180° (thermostat 5-6) et vous continuez la cuisson 20 mn.
Vous sortez du four, vous démoulez le gâteau sur une grille et vous le laissez refroidir.

abril 15, 2008

A França basca = Bayonne


Bayonne é uma cidade do sudoeste da França, situada na confluência dos rios Nive e Adur, cuja cultura é marcantemente influenciada por bascos e gascões.

É a capital do pays basque, mas é sobretudo, a cidade onde mora minha amiga Beatrice.
Até sua mudança para lá e minha visita meses depois, nada sabia acerca desta charmosa cidade.
Seu centro histórico medieval, lindamente preservado, é um convite irresistível para uma caminhada em suas ruas estreitas que nos levam às remparts

Bayonne é famosa pela festa que acontece a cada ano, por cinco dias, a partir da primeira quarta-feira de agosto. Nestes dias, as variadas manifestações evidenciam a sua riqueza e diversidade cultural.
A cidade com suas janelas vermelhas (bascas) e azuis(do estilo gascão) enfeitada para a festa.A Catedral de Santa Maria ( iniciada 1213) foi declarada Patrimonio da Humanidade pela Unesco, em 1998, como monumento do Caminho de Santiago na França. O claustro de 1240.Além do Museu Basco, onde se encontram obras representativas da história, tradições, arquitetura e artes decorativas bascas, em Bayonne se encontra o museu mais importante da região franco-basca, o Museu Bonnat, cujo acervo conta com obras do próprio Bonnat e ainda de Botticelli, Rafael, Rembrandt, Ribera, Rubens, El Greco e Ingres.
Não bastasse a doçura da Beatrice,(que me mostrou tudo,com entusiasmo e ainda me levou à Donostia), é de Bayonne o imperdível gateau-basque! com recheio de cerejas.
Frescas, bien sur!!! Huummmm!

abril 13, 2008

O peso ou a leveza?

Me deixas louca

A diva em sua última apresentação na TV


O PESO OU A LEVEZA?
Não acreditava possível, mas cheguei à fase de releituras. A falta de pressa me permite certos prazeres...Assim, a cada pelo menos dois ou tres livros novos releio um outro. Acabei de reler A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER (me dei conta de que não conheço outro autor checo além do Kundera).
Tendo como pano de fundo o episódio que ficou conhecido como "Primavera de Praga" - quando os soviéticos invadiram a, então Checoslováquia, em 1968 - o enredo, altamente sensual e conflituoso, faz uma espécie de analogia com o que ocorria no país. A versão cinematográfica não ficou à altura .
A história não é narrada de forma linear: na primeira parte somos envolvidos pela libertinagem de Tomas, depois entramos no mundo conflituoso de Teresa, seguido pela vida descompromissada da sensual Sabina.
O tema principal se concentra em torno de dois conceitos:o do peso e o da leveza.Tomas vive de uma forma que a sua leveza (não viver em plenitude )o leva ao vazio . Do outro lado, está o peso de Teresa que vê a vida com um certo amargor, como um fardo a ser carregado.
Este contraste faz todo o sentido ante a situação enfrentada pelo país na época: envolver-se com o peso da repressão e contestá-la? Ou ser submisso e leve?

"(...)Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez, sem preparação. Como se o ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é esboço de nada, é um esboço sem quadro(...)"

O autor nega a idéia do eterno retorno, ou seja, que todos os acontecimentos, da vida de cada um e da história da humanidade, irão repetir-se inúmeras vezes; que tudo o que acontece já aconteceu antes e irá se repetir. Para Milan Kundera, o eterno retorno é o mais pesado dos fardos e a ausência total de fardo faz com que os movimentos humanos sejam tão livres quanto insignificantes.
Fiz bem em lê-lo de novo!

abril 11, 2008

MENINA EM AZUL JACINTO

Uma menina de vestido azul, olhando através da janela, a sonhar quando deveria remendar a roupa que está em cima da mesa à sua frente, com um perfil que revela "um olho azul como uma pérola" é o Vermeer imaginário que serve de fio condutor para a história narrada no romance O QUADRO DA MENINA DE AZUL (Girl in hyacinth blue) de Susan Vreeland.(Foi adaptado para o cinema com o título Brush with Fate. O quadro ao lado, pintado por Jonathan Janson, representa no filme o suposto Vermeer).
No romance, essa pintura, "possivelmente um Vermeer", sobrevive a três séculos e meio de perda, inundação, anonimato, roubo, segredo e ao Holocausto.É a história de seus proprietários cujas vidas são influenciadas por sua beleza e mistério, de nossos dias até o século XVII,(alcança o momento em que Vermeer a concebeu). São pessoas comuns cujas existências foram, de certa forma, afetadas pelo quadro e cada uma delas nos mostra o significado da arte e de seu valor monetário, artístico ou sentimental e o poder que a arte tem de transformar a existência humana.
Achei bem interessante!

VERMEER

Em 1902, Proust foi a uma exposição em Haia, que o marcou para o resto da vida."Vi o quadro mais bonito do mundo", diria.Ficou tão impressionado que, em seu romance Em Busca do Tempo Perdido, incluiu um personagem que morre ao constatar que jamais seria capaz de escrever com a beleza com que Vermeer pintava.


A grandeza de Vermeer foi reconhecida tardiamente. Johannes Vermeer (1632–1675), conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer foi esquecido após sua morte e teve alguns de seus quadros vendidos com a assinatura de outro pintor para lhe aumentar o valor.
No princípio do século XX, havia rumores de que ainda existiriam quadros por descobrir.O certo é que, hoje apenas 35 a 40 trabalhos são atribuídos ao pintor,calculando-se que cerca de 20 estejam perdidos.
A pintura de Vermeer é admirada pelo colorido particular: fusões de azul e amarelo, objetos pontilhados de dourado, composições inteligentes e brilhante uso da luz. Há nela uma obsessão de retratar figuras femininas absortas em alguma tarefa trivial , como despejar leite numa tigela, ler cartas ou beber vinho, parecendo instantâneos da vida doméstica.
Vermeer amava a luz e era capaz de fazer miséria ao mostrar como as cores e as texturas se modificam quando atingidas pela luminosidade.
Pouco se sabe sobre sua real inspiração. Isso porque a sua vida é envolta em mistério.Essa névoa biográfica foi suficiente para que a escritora Tracy Chevalier escrevesse o romance "Moça com Brinco de Pérola", uma fantasia sobre o que levou Vermeer a realizar sua obra-prima. A versão do livro para o cinema, fiel à publicação, apresenta um Vermeer angustiado pelas pressões da sogra, a comerciante de suas obras. Naquela época, pintar era um trabalho artesanal realizado por encomenda.
Moça com Brinco de Pérola é considerada a Mona Lisa holandesa.