março 31, 2008

COLECIONADOR DE DESTINOS


Sem dúvida, uma das peças mais interessantes do Festival de Curitiba que se encerrou ontem. O Colecionador de Destinos foi encenada num lugar que não podia ser mais adequado: o museu ferroviário. Num ambiente onde autênticas chegadas e partidas já definiram muitos destinos.
O texto de Maria Inés Gutierrez(que também atua), nos remete à “viagem” da nossa vida e às suas diversas “estações”:caminhos, desvios, desejos, encontros...ou a falta deles.
A reflexão sobre o destino, a possibilidade (ou não) de alterá-lo, o que já fizemos de nossas vidas e o que faríamos se pudéssemos alterá-la é levada ao extremo quando, no fim do primeiro ato, o público ao se deslocar para outra sala, passa pelo guichê da antiga Estação Ferroviária e recebe um "bilhete” contendo a indagação: o que vc. deseja como destino?
As respostas são colocadas na caixa onde seriam recolhidas as “passagens” e , num dado momento do final, são lidas, inclusive por algumas pessoas da platéia, que assim interagem com os atores, expressando suas emoções.
Muito lindo mesmo! Merece voltar para uma temporada mais longa, uma vez que a peculiaridade do espaço onde acontece, não comporta mais do que umas 20 pessoas a cada sessão.

março 27, 2008

CAMPANHAS DE PREVENÇÃO


SIDACTION - NA TV FRANCESA

Da página do Ministério da Saúde - aqui
"Plano inédito estabelece metas para combater a aids entre gays, HSH e travestis".


Desde quando aqui se reconhece os HSH? Abordagem inédita do programa, ou não?

março 25, 2008

Virgínia Wolf faz medo?


Com muitos anos de atraso, assiti, muito recentemente, ao filme ORLANDO, o que me motivou a ler mais a respeito...
Deparei-me com uma biografia - As mulheres de Virginia Wolf - (de autoria de Vanessa Curtis), concentrada em suas amizades íntimas e inspiradoras com mulheres incomuns, enigmáticas e, ocasionalmente, trágicas, que influenciaram em sua formação De sua tia avó, à fotógrafa Julia Margaret Cameron, à sua mãe são analisadas também as mulheres de sua vida adulta:a artista Dora Carrington, a escritora Katherine Mansfield, a novelista e aristocrata Vita Sackville-West (que serviu de modelo para o personagem Orlando) e a compositora Ethel Smyth.
À Virginia Woolf se deve o tratamento mais sublime que, na literatura, foi dado ao tema da bissexualidade. Em Orlando,a bissexualidade aparece travestida na androgenia do protagonista, que percorre quatro séculos numa busca incessante da sua identidade, primeiro como homem, depois como mulher.
Orlando é o arquétipo da dualidade sexual do ser humano. (Olhando-se no espelho, após se ter metamorfoseado em mulher, diz: «A mesma pessoa. Apenas um sexo diferente.»)
Ao escrever Orlando, Virginia Woolf selou o amor que a uniu a Vita Sackville-West, ofereceu-lhe a sua melhor biografia e deu-lhe a posteridade que foi negada à sua obra, ao imortalizá-la na pequena dedicatória de seu livro.
Extremamente sensível e frágil, mulher talentosa e que amava outras mulheres, em um tempo em que as mulheres tinham pouquíssimos direitos, Virginia Wolf é uma das maiores escritoras de todos os tempos.