março 20, 2008

ANTINOO


"Nenhuma face será mais amada que a tua. Mesmo depois do adeus, desse longuissimo e definitivo adeus que te estarei dizendo sempre, serão os seus amados traços a encher-me de espanto e de tristeza, será a tua ausência a encher-me até não caber mais nada nem ninguém, o teu gesto fantasma a tocar-me ainda.
Amar-te-ei para sempre, mesmo para lá da vida, mesmo para lá do amor, mesmo quando a paixão não for mais que cinzas e depois nem isso, será o teu amado rosto ainda a povoar-me, como um talismã, a única divindade finita que adorarei jamais. Assim é o amor que nos marca, a carne viva, que nos deixa indeléveis os sinais, como aquele teu olhar primeiro num dia longínquo, como aquele teu rosto cheio de sombra, de olhos baixos, a ponto de me cegar. Nunca sobrevivemos ao amor, nunca".

A paixão de Adriano


Semana passada postei a propósito das Memórias de Adriano que estava relendo (a postagem chama-se Bálsamo) . Agora retorno ao tema tão apaixonada fiquei pela paixão de Adriano...


Antinoo foi divinizado após a sua morte por Adriano que criou uma cidade com o seu nome- Antinoupolis- no Egito no mesmo lugar onde ele se afogou. Sua imagem foi representada em numerosissimas esculturas (onde simbolizava divindades como Dionisio e Hermes) e cunhada em moedas. Um obelisco com inscrições em hieróglifos, a ele dedicado, foi encontrado no século XVI. As ciscunstâncias de sua morte são obscuras. Alguns historiadores mencionam apenas a sua morte, o luto do imperador e as honras que lhe foram prestadas. Para outros Antinoo teria se sacrificado espontaneamente, acreditando que prolongaria, com seu sacrifício, a vida do imperador .
A sua divinização depois da morte, reservada somente aos imperadores e aos membros da familia imperial, a forte caracterização egípcia de seu culto, não são um caso único na história romana. Segundo uma tradição religiosa greco-egípcia a morte por imersão comporta a divinização.
Foram identificadas inscrições e representações no obelisco do Pincio e sob o mesmo obelisco encontra-se, segundo algumas interpretações, a sua sepultura, situada num jardim de propriedade do imperador,que veio a ser identificada com os restos de uma edificação descoberta na Vigna Barberini sob o Palatino e que foi mais tarde transformada num templo.
No final de 2005 foi anunciada a descoberta de um monumento funerario junto à entrada da vila adriana de Tivoli. Está sendo analisada a hipótese de que o obelisco possa ter sido originalmente colocado no - ou destinado a - esta tumba, havendo a possiblidade de ser a de Antinoo (ou pelo menos um cenotafio a ele dedicado).
Antinoo foi também homenageado por Adriano quando atribuiu seu nome a uma estrela ao sul da constelação de Aquila que passou a ter o nome de Antinous.
http://it.wikipedia.org/wiki/Antinoo_(Adriano)-Traduçào livre

março 19, 2008

A CONSOLAÇÃO DA FILOSOFIA

Mais do pensamento de Comte-Sponville...

"Tudo depende do que se entende por felicidade. Se você busca uma alegria contínua e soberana, ou mesmo a ausência total de sofrimento e angústia, certamente nunca será feliz. "Toda vida é sofrimento", dizia Buda. E tinha razão. A felicidade, se a entendemos como uma alegria completa, é apenas um sonho, que nos separa do contentamento verdadeiro. Em busca da felicidade absoluta, nós nos proibimos de viver as felicidades relativas e nos tornamos infelizes. Se, ao contrário, você entender como felicidade o fato de não ser infeliz ou simplesmente de poder desfrutar algumas alegrias, a felicidade não é impossível. E você será feliz somente por não ser triste. À exceção, claro, nos momentos mais difíceis da vida.
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Não há como se sentir alegre permanentemente. Isso é impossível. Mas há como sentir que podemos ser felizes por nós mesmos, sem que nada de essencial mude no mundo. A infelicidade se instala quando nossas alegrias dependem totalmente de circunstâncias externas.
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Existem imbecis felizes e gênios infelizes. Mas a sabedoria é algo distinto da genialidade. Tampouco tem a ver com desatino ou tolice. A sabedoria é, sim, um certo tipo de felicidade. Mas nada tem a ver com a felicidade ilusória, conseguida por drogas ou pela ignorância. A sabedoria é a felicidade dentro da verdade. É o máximo de felicidade associado ao máximo de lucidez. Essa é a meta da filosofia. Nesse caminho, há muitas ilusões a perder e algumas verdades desagradáveis a confrontar. É por isso que a filosofia passa inevitavelmente pela angústia, pela dúvida, pela desilusão. Continua sendo apenas um caminho. Porque o destino é uma felicidade autêntica. É isso que chamamos de sabedoria.
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Filosofar é pensar sua vida e viver seu pensamento. Em que medida isso pode nos aproximar da felicidade? Ficando mais perto da verdade, nós nos libertamos de várias ilusões e esperanças tolas. Isso nos ajuda a amar a vida mais do que amar a felicidade, a verdade mais do que a fantasia, o amor mais do que a fé ou a esperança. Os maiores mestres são, a meu ver, Epicuro (de Samos, filósofo grego dos séculos IV e III a.C.), (Michel) Montaigne (filósofo francês do século XVI) e (Baruch) Spinoza (filósofo holandês do século XVII). Quanto a mim, já me expliquei longamente em meu Tratado do Desespero e da Beatitude e, de maneira mais resumida, em Felicidade, Desesperadamente.
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A fé seria um antídoto à tristeza?
- Isso depende de quem tem fé. Se você acredita que a felicidade eterna o aguarda após a morte, isso pode ajudar a suportar em vida a infelicidade...Como sou ateu, vejo nisso mais uma armadilha que uma tentação. Não vou esperar morrer para ser feliz. O fato de, para mim, nada existir após a morte é um motivo a mais para viver da melhor maneira possível. É o que chamo de desespero alegre. Existe uma vida antes da morte, e é a única que importa.
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Os céticos não seriam mais suscetíveis à depressão ou ao tédio?
- Freud é sem dúvida quem melhor respondeu a essa questão. A depressão ou a melancolia, escreveu ele, "é a perda da capacidade de amar". Não é a fé que falta aos deprimidos, é o amor.
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“Um tristeza autêntica vale mais que uma felicidade mentirosa.” O filósofo prefere a alegria à tristeza, como todo mundo. Mas ele coloca a verdade num patamar mais alto que todo o resto. Isso não quer dizer que seu objetivo seja a infelicidade. É preciso sempre ter coragem para enfrentar a melancolia ou a tristeza quando surgem. É o único caminho.
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Tomo a palavra "desespero" em seu sentido literal: a perda da esperança, que é dolorosa, ou a ausência da esperança, que pode se tornar o núcleo propulsor da felicidade. Nesse sentido, o desespero não é infelicidade, muito ao contrário. Enquanto se espera a felicidade, não se é feliz. Quando somos felizes, não há mais nada a esperar. O que chamei de "desespero feliz" se aproxima do que (o filósofo alemão Friedrich) Nietzsche [1844-1900] considerava "um saber feliz": é alegrar-se com o que é, e não esperar o que não é. Conhecer, mais que crer. Amar e agir, mais que esperar e temer. É a sabedoria dos estóicos e de Spinoza, mas também de Buda, no Oriente.
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Papel do amor na busca da felicidade.
- É crucial. O conteúdo da felicidade é a alegria. Não há alegria maior que amar. Amar é contentar-se com o que existe. A única felicidade está dentro da verdade.
Como podemos preservar a felicidade?
- Renunciando a sua perenidade, aceitando sua fragilidade. Admitindo que a felicidade é fugaz. Adaptando seus desejos às adversidades da existência, amando a vida e o amor.
O ESPÍRITO DO ATEÍSMO
"Sinceramente, será que você precisa acreditar em Deus para pensar que a sinceridade é melhor do que a mentira, que a coragem é melhor do que a covardia, que a generosidade é melhor do que o egoísmo, que a doçura e a compaixão são melhores do que a violência ou a crueldade, que a justiça é melhor que a injustiça, que o amor é melhor que o ódio? Claro que não!
Se você acredita em Deus, você reconhece em Deus esses valores; ou, talvez, você reconhece Deus neles. É a figura tradicional: sua fé e sua fidelidade andam juntas, e não sou eu que vou criticá-lo por isso. Mas os que não têm fé, por que seriam incapazes de perceber a grandeza humana desses valores, sua importância, sua necessidade, sua fragilidade, sua urgência, e respeitá-los por isso?"

(O espírito do ateísmo, André Comte-Sponville, Martins Fontes)

março 16, 2008

IPÊ REBELDE

Recebi este e-mail da Godiva.
Postei aqui de tão interessante que achei.

"Quem dera tivessem as plantas o poder de se rebelar e nossa Amazônia não estaria tão danificada. Veja como a rebeldia da natureza é incrível.Um Ipê Amarelo foi cortado e teve o tronco transformado em um poste.Após o poste ser fincado na rua,foram instalados os fios da rêde elétrica.
Eis que a árvore se rebela contra a maldade humana e resolve não morrer. Mas a reação foi pacífica, bela e cheia de amor. Rebrotou e encheu-se de flor.
Assim é a natureza...vencedora !
Porto Velho - Rondônia - Amazônia - Brasil"

março 14, 2008

GATO, bom para o coração


Não se trata de um cara lindo, que faz o seu coração funcionar com mais força e vigor. É gato, o bicho mesmo.
Um estudo internacional mostrou que quem tem o bichinho de estimação está menos propenso a morrer de ataques cardíacos e outras doenças cardiovasculares do que aqueles que nunca tiveram um gatinho.
Para chegar a esta conclusão, ( site MedicineNet.com) pesquisadores analisaram quase 4.500 homens e mulheres de 30 a 75 anos de idade.
Mais da metade deles, 55%, disseram ter tido um gato em algum momento de suas vidas. Comparados com os donos de gatos, as pessoas que nunca tiveram um bichano tinham uma chance 40% de morrer de ataque cardíaco num período de 20 anos, que foi o tempo tomado pelo estudo. E ainda tinham 30% mais chances de ter uma doença cardiovascular, incluindo derrame e insuficiência cardíaca.
Para saber outros bens que faz, só tendo um ...