março 19, 2008

A CONSOLAÇÃO DA FILOSOFIA

Mais do pensamento de Comte-Sponville...

"Tudo depende do que se entende por felicidade. Se você busca uma alegria contínua e soberana, ou mesmo a ausência total de sofrimento e angústia, certamente nunca será feliz. "Toda vida é sofrimento", dizia Buda. E tinha razão. A felicidade, se a entendemos como uma alegria completa, é apenas um sonho, que nos separa do contentamento verdadeiro. Em busca da felicidade absoluta, nós nos proibimos de viver as felicidades relativas e nos tornamos infelizes. Se, ao contrário, você entender como felicidade o fato de não ser infeliz ou simplesmente de poder desfrutar algumas alegrias, a felicidade não é impossível. E você será feliz somente por não ser triste. À exceção, claro, nos momentos mais difíceis da vida.
* * *
Não há como se sentir alegre permanentemente. Isso é impossível. Mas há como sentir que podemos ser felizes por nós mesmos, sem que nada de essencial mude no mundo. A infelicidade se instala quando nossas alegrias dependem totalmente de circunstâncias externas.
* * *
Existem imbecis felizes e gênios infelizes. Mas a sabedoria é algo distinto da genialidade. Tampouco tem a ver com desatino ou tolice. A sabedoria é, sim, um certo tipo de felicidade. Mas nada tem a ver com a felicidade ilusória, conseguida por drogas ou pela ignorância. A sabedoria é a felicidade dentro da verdade. É o máximo de felicidade associado ao máximo de lucidez. Essa é a meta da filosofia. Nesse caminho, há muitas ilusões a perder e algumas verdades desagradáveis a confrontar. É por isso que a filosofia passa inevitavelmente pela angústia, pela dúvida, pela desilusão. Continua sendo apenas um caminho. Porque o destino é uma felicidade autêntica. É isso que chamamos de sabedoria.
* * *
Filosofar é pensar sua vida e viver seu pensamento. Em que medida isso pode nos aproximar da felicidade? Ficando mais perto da verdade, nós nos libertamos de várias ilusões e esperanças tolas. Isso nos ajuda a amar a vida mais do que amar a felicidade, a verdade mais do que a fantasia, o amor mais do que a fé ou a esperança. Os maiores mestres são, a meu ver, Epicuro (de Samos, filósofo grego dos séculos IV e III a.C.), (Michel) Montaigne (filósofo francês do século XVI) e (Baruch) Spinoza (filósofo holandês do século XVII). Quanto a mim, já me expliquei longamente em meu Tratado do Desespero e da Beatitude e, de maneira mais resumida, em Felicidade, Desesperadamente.
* * *
A fé seria um antídoto à tristeza?
- Isso depende de quem tem fé. Se você acredita que a felicidade eterna o aguarda após a morte, isso pode ajudar a suportar em vida a infelicidade...Como sou ateu, vejo nisso mais uma armadilha que uma tentação. Não vou esperar morrer para ser feliz. O fato de, para mim, nada existir após a morte é um motivo a mais para viver da melhor maneira possível. É o que chamo de desespero alegre. Existe uma vida antes da morte, e é a única que importa.
* * *
Os céticos não seriam mais suscetíveis à depressão ou ao tédio?
- Freud é sem dúvida quem melhor respondeu a essa questão. A depressão ou a melancolia, escreveu ele, "é a perda da capacidade de amar". Não é a fé que falta aos deprimidos, é o amor.
* * *
“Um tristeza autêntica vale mais que uma felicidade mentirosa.” O filósofo prefere a alegria à tristeza, como todo mundo. Mas ele coloca a verdade num patamar mais alto que todo o resto. Isso não quer dizer que seu objetivo seja a infelicidade. É preciso sempre ter coragem para enfrentar a melancolia ou a tristeza quando surgem. É o único caminho.
* * *
Tomo a palavra "desespero" em seu sentido literal: a perda da esperança, que é dolorosa, ou a ausência da esperança, que pode se tornar o núcleo propulsor da felicidade. Nesse sentido, o desespero não é infelicidade, muito ao contrário. Enquanto se espera a felicidade, não se é feliz. Quando somos felizes, não há mais nada a esperar. O que chamei de "desespero feliz" se aproxima do que (o filósofo alemão Friedrich) Nietzsche [1844-1900] considerava "um saber feliz": é alegrar-se com o que é, e não esperar o que não é. Conhecer, mais que crer. Amar e agir, mais que esperar e temer. É a sabedoria dos estóicos e de Spinoza, mas também de Buda, no Oriente.
* * *
Papel do amor na busca da felicidade.
- É crucial. O conteúdo da felicidade é a alegria. Não há alegria maior que amar. Amar é contentar-se com o que existe. A única felicidade está dentro da verdade.
Como podemos preservar a felicidade?
- Renunciando a sua perenidade, aceitando sua fragilidade. Admitindo que a felicidade é fugaz. Adaptando seus desejos às adversidades da existência, amando a vida e o amor.
O ESPÍRITO DO ATEÍSMO
"Sinceramente, será que você precisa acreditar em Deus para pensar que a sinceridade é melhor do que a mentira, que a coragem é melhor do que a covardia, que a generosidade é melhor do que o egoísmo, que a doçura e a compaixão são melhores do que a violência ou a crueldade, que a justiça é melhor que a injustiça, que o amor é melhor que o ódio? Claro que não!
Se você acredita em Deus, você reconhece em Deus esses valores; ou, talvez, você reconhece Deus neles. É a figura tradicional: sua fé e sua fidelidade andam juntas, e não sou eu que vou criticá-lo por isso. Mas os que não têm fé, por que seriam incapazes de perceber a grandeza humana desses valores, sua importância, sua necessidade, sua fragilidade, sua urgência, e respeitá-los por isso?"

(O espírito do ateísmo, André Comte-Sponville, Martins Fontes)

março 16, 2008

IPÊ REBELDE

Recebi este e-mail da Godiva.
Postei aqui de tão interessante que achei.

"Quem dera tivessem as plantas o poder de se rebelar e nossa Amazônia não estaria tão danificada. Veja como a rebeldia da natureza é incrível.Um Ipê Amarelo foi cortado e teve o tronco transformado em um poste.Após o poste ser fincado na rua,foram instalados os fios da rêde elétrica.
Eis que a árvore se rebela contra a maldade humana e resolve não morrer. Mas a reação foi pacífica, bela e cheia de amor. Rebrotou e encheu-se de flor.
Assim é a natureza...vencedora !
Porto Velho - Rondônia - Amazônia - Brasil"

março 14, 2008

GATO, bom para o coração


Não se trata de um cara lindo, que faz o seu coração funcionar com mais força e vigor. É gato, o bicho mesmo.
Um estudo internacional mostrou que quem tem o bichinho de estimação está menos propenso a morrer de ataques cardíacos e outras doenças cardiovasculares do que aqueles que nunca tiveram um gatinho.
Para chegar a esta conclusão, ( site MedicineNet.com) pesquisadores analisaram quase 4.500 homens e mulheres de 30 a 75 anos de idade.
Mais da metade deles, 55%, disseram ter tido um gato em algum momento de suas vidas. Comparados com os donos de gatos, as pessoas que nunca tiveram um bichano tinham uma chance 40% de morrer de ataque cardíaco num período de 20 anos, que foi o tempo tomado pelo estudo. E ainda tinham 30% mais chances de ter uma doença cardiovascular, incluindo derrame e insuficiência cardíaca.
Para saber outros bens que faz, só tendo um ...

março 13, 2008

TEXTAMENTOS

FOR ONCE IN MY LIFE
">

TEXTAMENTOS
Affonso Romano de Sant'Anna

O livro não tem um tema único, mas flerta, em grande parte dos poemas, com a morte, o amor e a velhice, numa abordagem, digamos, diferente. Em poemas curtos, troca a morbidez e tristeza comuns em textos que falam da passagem do tempo por brincadeiras e uma certa alegria com as novas descobertas.

"Estou vivendo a glória de meu sexo
a dois passos do crepúsculo.
Deus não se escandaliza com isto.
O júbilo maduro da carne me enternece.

Envelheço, sim.
E (ocultamente) resplandeço"

(Velhice erótica)

* * *

"Uns aprendem a nadar
outros a dançar, tocar piano,
fazer tricô e a esperar.

Na infância cai-se
para aprender a andar,
cai-se do cavalo e do emprego
aprendendo a cavalgar.

Em alguns aprendizados
chega-se à perfeição.
Em alguns.
No amor, não"

(Aprendizados)

Assombros

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.

Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.