março 04, 2008

BRUGES


BRUGES
O destino era a Antuérpia (visitar uma amiga), mas decidimos incluir Bruges no roteiro. Situada na região de Flandres, é uma das cidades medievais mais bem preservadas do mundo. Tem lindas fachadas em estilos gótico, romanesco e renascentista e é cortada por muitos canais ( razão de sua prosperidade e de sua decadência). O apogeu de Bruges decorreu das inundações de Dunkerque (em 1.100), o que lhe permitiu acesso ao mar. Tornou-se um dos portos mais importantes da Europa, teve um centro financeiro, têxtil e artístico muito desenvolvido e foi onde , no século 14, funcionou a primeira bolsa de valores do mundo. A prosperidade econômica só durou até o final do século 15, quando ocorreu o assoreamento da canal que a ligava ao mar. Com o esvaziamento das atividades econômicas, Bruges se manteve adormecida por mais de 400 anos, o que garantiu a sua preservação. A cidade foi feita para pedestres. O labirinto de ruas faz com que você possa caminhar por horas sem repetir o visual. A sede da Prefeitura está num imponente prédio gótico do século 14, e abriga uma coleção de artefatos históricos. Trabalhos de pintores medievais que viveram no período áureo, como Hans Memling, podem ser vistos em diversos museus. Na Catedral de Nossa Senhora encontra-se uma estátua da Madonna de Michelangelo, de 1504 (dizem ser a única obra dele retirada da Itália, enquanto ele vivia). Na praça central Markt tem um campanário do século 13 onde se pode subir 366 degraus, para apreciar uma vista “deslumbrante”(não me arrisquei). Os bordados de Bruges não são mais bonitos, nem melhores do que os do Ceará. Li, em algum lugar, que estes últimos estão sendo levados para vender lá. Acreditei !

março 02, 2008

DECROISSANCE


Em oposição ao consumismo desenfreado do mundo contemporâneo, há um movimento que vem ganhando força : o da simplicidade voluntária. Tanto para preservar os já escassos recursos naturais do planeta como para promover satisfação pessoal, seus adeptos tentam viver apenas com o necessário. Qualquer semelhança com o movimento hippie dos anos 60 não é mera coincidência. Naqueles tempos, valorizava-se a fraternidade, o convívio com os outros, e o consumo não era tido como a solução dos males.
Na França, o movimento é chamado de décroissance e encabeça até plataformas políticas de partidos que levantam bandeiras ecológicas. Um dos principais teóricos é o cientista social Paul Ariès - autor de Décroissance ou Barbarie que sustenta idéias como a da necessidade de limites, por não ser possível um crescimento infinito num mundo finito.
Em Londres há um evento chamado Buy Nothing Day , que já conta com cerca de 20 mil adeptos.
Definir a quantidade de roupas e calçados de que precisa, doar uma peça se ganhar algo a mais, aplicar o mesmo raciocínio com relação aos livros e CDs: doar os que não ler nem ouve com freqüência, são as regras. Na Europa, homens e mulheres de todas as idades estão adotando o conceito. “Geralmente, são pessoas não conformistas, com senso crítico, que avaliam a própria vida.”

março 01, 2008

Fazer uma parada para refletir sobre os próprios rumos não tem preço.

O termo hebraico "shabat", significa repouso. É o dia de recolhimento semanal dos judeus. No Antigo Testamento há referência ao ano sabático: um ano, a cada seis, em que a terra fica sem cultivo para depois iniciar um novo ciclo de fertilidade. Enquanto na cultura judaica representa um dia de puro descanso durante a semana, passou a ser usado no sentido de pausa para fazer uma profunda reflexão sobre a vida, trabalho, objetivos...
O costume de aplicar essa tradição religiosa para melhorar a produtividade das pessoas surgiu nas universidades americanas no século 19, onde a licença sabática era concedida com o propósito de garantir ao professor o afastamento de suas atividades pelo tempo necessário para uma reciclagem profissional.
Sabático é um conceito ainda pouco conhecido. Pode ser sintetizado
numa frase: coragem para perceber o novo. Muitas vezes é questão de saúde mental e física: há necessidade de romper um ciclo e de permitir que outro se instale.
Muitas pessoas saem em sabático pressionadas por questões emergenciais : estresse, depressão,ansiedade.Outras são movidas pelo desejo de ascensão profissional, refletir sobre o significado social do seu trabalho ou desenvolver um negócio próprio. Saindo do ambiente do dia-a-dia, conseguem ver possibilidades que até então não eram percebidas e retornam mais inteiras para os diversos papéis que exercem na vida.
Não se deve confundir sabático com férias . Sabático é a interrupção planejada das atividades caracterizada pelo propósito de renovação.É diferente de férias ou licenças normais, não pela duração, mas por se tratar de uma oportunidade para o autocrescimento.
Por isso, é tão diversificado quanto os sonhos de cada um: estudo, desenvolvimento, profissional, arte, cultura ou simples retiro. Enfim, um momento especial para se realizar um projeto pessoal ou atividades como aquele curso de culinária francesa, aquela viagem para o Oriente ou mesmo aquelas aulas de pintura em porcelana. Há os que fazem sabático para relaxar e meditar, outros para realizar planos que ficaram anos no pensamento, sem oportunidade de se encaixar na rotina de trabalho. Alguns viajam ao exterior, sozinhos ou com a família, outros permanecem em casa.
Deparando-se consigo mesma, a pessoa tem mais condição de (re) direcionar a carreira a partir do prazer, da busca de realização e da reenergização. Afastar-se da rotina por um período prolongado cria um estado de consciência que traz perspectivas renovadoras não só no âmbito familiar e pessoal, ma sobretudo no desenvolvimento da carreira.
Não existe tempo predeterminado.O afastamento pode não ter tempo definido ou,ao contrário, ser planejado para que as atividades ocupem determinado número de meses. Há períodos sabáticos longos e há também os sabáticos curtos, de alguns dias, passados em lugares que criam condições para a reflexão. Nestes, apesar do pouco tempo, o mergulho em determinadas questões pode ser profundo o suficiente para produzir mudanças.
Há uma infinidade de maneiras de referendar ou de mudar o que se está fazendo. Se a pessoa souber tirar proveito dessa oportunidade preciosa, tecerá um plano para o futuro com base nas suas mais profundas aspirações e saberá melhor aonde quer chegar.

fevereiro 29, 2008

BISSEXTO

Conheço quem só aniversaria a cada 4 anos...Que ótimo!
Sabia que uns ajustes no calendário lunar, ou coisa que o valha, faziam com que o ano tivesse um dia a mais, a cada quatro anos...
Mas por que então o nome ano bissexto?
Enfim a explicação.

Primeiro, em um ano bissexto, o dia extra não é o 29. Uau!!

No império romano, época dos primeiros anos bissextos, a intersecção era feita de acordo com os interesses do Impeardor, claro! O primeiro mês do ano era março, quando começava a primavera (prima= primeira + vera = estação).
O primeiro dia de março se chamava calendas de março (origem da palavra calendário).
Fevereiro era o mês de virada de ano e o costume era festejar o ano novo durante os últimos cinco dias do mês. Se o dia extra fosse colocado no fim de fevereiro, o período de folga seria prolongado demais.
A idéia não agradou ao Imperador que decidiu que a intersecção aconteceria no meio dos dias de trabalho.O dia 23 de fevereiro era o sexto dia antes do ano novo.
Quando o ano era bissexto, um dia útil a mais era colocado na seqüência e tanto o 23 quanto o 24 eram chamados de sexto dia antes da calendas de março” (em latim, antediem sextum Calendas Martii).
Veio daí o nome bissexto: o ano tinha dois sextos antes da calendas de março.

fevereiro 28, 2008

O tempero da vida

Os filmes de Antonioni e do Bergman que a gente via e discutia com tanta seriedade anos atrás também eram uma forma de escapismo.Tanto quanto o musical e a comédia, aquelas histórias de tédio e indagações existenciais nos distraíam das exigências menores do cotidiano. Fugíamos não para um mundo cor-de-rosa, mas para outro matiz do preto, bem mais fascinante do que o nossas pequenas aflições. Nenhum dos personagens do Antonioni ou do Bergman, embora enfrentassem seu vazio interior e a frieza de um universo indiferente, parecia ter qualquer problema com o aluguel.
Claro, o deserto emocional em que viviam os personagens do Antonioni, por exemplo, era o deserto metafórico do capitalismo, de uma civilização arrasada por si mesma. Mas estavam todos empregados e ganhando bem. E como era fotogênico o seu suplício. Com Bergman experimentamos o horror de existir, a terrível verdade de que somos uma espécie corrupta sem redenção possível e que a morte torna tudo sem sentido. Hoje suspeitamos de que se não vivesse na Suécia, com educação, saúde e bem-estar garantidos do ventre até o túmulo, ele não diria isso. É preciso estar livre das dificuldades da vida para poder concluir, com um mínimo de estilo, que a vida é impossível. Tínhamos uma secreta inveja desses europeus tão bem sucedidos no seu desespero. Não tínhamos a mesma admiração por filmes em que as pessoas se preocupavam não com a ausência de Deus , mas de um contracheque no fim do mês.
Os que condenam as sociedades assistenciais costumam dizer que o Estado superprotetor rouba dos cidadãos as dificuldades que os desafiam e que são, afinal, o tempero da vida. E sempre citam as célebres estatísticas sobre suicídios na Escandinávia como prova do que acontece numa sociedade sem desafios. Pessoas morrem, sim, de autofastio ou porque Deus não existe , mas morrem por decisão própria . Nada decide por elas, nem a omissão de um governo nem o azar de ter nascido no lugar errrado, na época errada . Não há equivalência possível entre morrer de tédio e morrer de fome. Está certo, o assistencialismo não funciona, o socialismo morreu, os liberais ganharam e a história acabou. Mas às vezes eu ainda me pego sonhando em sueco com uma sociedad pronta, sem qualquer destes desafios tropicais , em que a gente pudesse finalmente ser um personagem do Bergman, enojado apenas apenas com tudo e nada mais.
L.F. Verissimo (Banquete com os deuses)