fevereiro 25, 2008

O SEGREDO DO PERFUME


A escolha de um perfume que se encaixe com a personalidade e que a potencialize permite fazer uma viagem através dos aromas que não só desperta sensações olfativas como também lembranças

Por trás de um perfume existem histórias e lendas tão sugestivas como uma viagem a um país estrangeiro durante a floração de uma planta exótica, uma etapa da vida, o primeiro amor, o pedido de casamento de Catarina de Médici no século XVI, o presente que Salomão deu à rainha de Sabá para conquistá-la e o segredo das mulheres tuaregue para conquistar seus maridos na cama.

O poder dos perfumes vai além do aroma que desprendem suas notas; eles evocam momentos e pessoas, seduzem, ajudam a potencializar a personalidade e comunicam. "Há mulheres muito femininas que, devido ao seu trabalho, estão acostumadas a conviver com homens, assim é importante compensar suas personalidades com um aroma mais agressivo e masculino", aconselha a responsável pela seleta perfumaria The Ritzy, María de Bagration.

Também existem perfumes marcadamente femininos que são muito procurados pelos homens para suavizar seu caráter; e uma outra opção são os perfumes unissex. De acordo com a família olfativa à qual pertencem, os perfumes podem ser classificados em:
frutados - que podem ser tanto doces, quanto exóticos ou atrevidos-, amadeirados - que podem ser quentes ou então profundos e sensuais -,
florais - que são protagonistas indiscutíveis de muitas fragrâncias - ,
cítricos - muito refrescantes, ideais para pessoas de vida ativa e esportistas-, especiados - somente recomendados para pessoas seguras de si-,
atalcados - com um toque terno de talco que faz lembrar a infância -
espirituais e sintéticos - aromas de vanguarda, para os consumidores mais urbanos.

"O importante é escolher um perfume desenvolvido por um bom perfumista. Um dos meus preferidos é Hemèssanse de Hermès, de Jean-Claude Ellena", diz Inés Berton, que tem um dos melhores olfatos do mundo e usa seu talento trabalhando como especialista em chás, ou tea blender. O chá também é uma fragrância natural utilizada em perfumaria, assim como a doce e exótica baunilha, muito na moda e especialmente recomendada para peles claras.

Durante a escolha, deve-se levar em conta o pH da pele, por causa de sua influência no desenvolvimento aromático de um perfume. A Profvmo, de Silvana Casoli, oferece uma seleção de fragrâncias naturais pensadas para combinarem entre si, sugerindo mesclas que, aliadas ao próprio cheiro de cada pessoa, permitem criar um perfume personalizado e único. "Com duas ou três essências, além do odor da própria pele, podem-se criar combinações para os diferentes momentos do dia; à tangerina da manhã pode-se acrescentar âmbar à tarde e um toque de patchouli para sair à noite", recomenda María de Bagration.

Outras recomendações incluem usar aromas frescos, discretos e limpos durante o dia, além de não se perfumar demais quando sair para jantar, já que isso pode anular os aromas do prato a ser degustado. A memória olfativa bloqueia o odor natural de cada pessoa, o que deve ser lembrado uma vez que não é de bom tom incomodar os outros usando perfume tanto atrás das orelhas quanto nos pulsos, lugares onde a temperatura do corpo é mais alta e ajuda a evaporar o aroma", explica o perfumista Jimmy Boyd. "O perfume é um luxo, um prazer que nos leva a recordar momentos especiais", diz Inés Berton. Saber escolhê-lo, em vez de simplesmente seguir a moda, é importante porque pode fazer com que a pessoa sinta-se bem, até mesmo especial. "Se você se sente sensual, automaticamente essa imagem vai se refletir para as outras pessoas", diz María de Bagration.

O momento de perfumar-se pode ser pensado como um pequeno ritual no qual a pessoa imagina "onde gostaria que lhe beijassem", como dizem os franceses. "Na realidade, deve-se perfumar os pontos onde a irrigação sanguínea está mais próxima da pele. Por exemplo, atrás dos lóbulos da orelha.

Além dos laboratórios que fabricam perfumes para as grandes marcas, o sonho de muitos perfumistas é elaborar sua própria fragrância. Os chamados perfumes de autor são aqueles elaborados de forma artesanal, com conta-gotas, um processo no qual o computador tem uma importância secundária. Esses autores realizam pequenas produções, desconhecidas do público em geral, que só chegam aos clientes mais exclusivos; são as chamadas marcas-nicho.

As colônias frescas assinadas pelo perfumista Jimmy Boyd são as únicas que maceram folhas, pétalas e ramas frescas em seus frascos; Hierbas de Ibiza é uma água de colônia unissex que leva a essência dessa ilha mediterrânea aos pontos de venda mais exclusivos da Europa.

O êxito levou alguns perfumistas à popularidade, como aconteceu com Annick Goutal, cujas criações inspiradas em emoções já são famosas. Também cabe destacar aromas que atravessam a barreira do tempo, como Santa Maria Novella, cuja essência transporta a diferentes épocas da história florentina. Por sua vez, o mítico Chanel Nº 5, que não deixa ninguém indiferente, assim como o Joy, de Jean Patou. Em todo caso, os franceses continuam sendo os mais reconhecidos no ramo por sua vasta tradição, seguidos dos italianos, com seu toque místico. Todo um mundo desconhecido que, com paciência, criatividade e sentimento pode ajudar uma pessoa a ser quem ela é ou quem gostaria de ser.

Os diferentes tipos de fragrâncias
Cada perfume tem sua pirâmide olfativa, que é composta pelas notas de saída - as primeiras que se sentem e as que mais se percebem - e pelas notas de base ou de fundo. Além dos óleos essenciais, o perfume é composto por solventes e fixadores, que determinam a duração de seu aroma. A quantidade desses últimos é o aspecto fundamental que diferencia um extrato de perfume, que contém até 40% de óleos essenciais, de um perfume propriamente dito, que têm entre 10% e 30%, uma água-de-toilete, com até 20%, e uma deo-colônia, entre 2 e 5%.

A palavra perfume vem do latim "per fumum", que significa literalmente "através da fumaça". A arte de fazer perfumes nasceu na antiga Mesopotâmia e no Egito - Cleópatra foi uma ardente consumidora de perfumes -, e foi aperfeiçoada pelos persas e romanos. A deo-colônia é uma invenção bem mais recente, criada em Colônia pelo italiano Giovanni Maria Farina, no início do século XVIII. Em comparação aos carregados aromas da época, o de Farina transmitia frescor. Curiosamente, a solução em etanol de Farina não era uma colônia, mas sim uma água-de-toilete, já que continha mais de 5% de compostos aromáticos.

Do La Vanguardia
Judith Martínez
Tradução: Eloise De Vylder

fevereiro 24, 2008

Observações e vivências do solitário .....

/cena do filme de Luchino Visconti

"Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um
sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no
silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A
solidão cria o original, o belo, o ousado e estranho, cria a poesia. Mas cria
também o distorcido,o desproporcionado, o absurdo e o proibido".

Thomas Mann em "Morte em Veneza"

fevereiro 22, 2008

LE LISEUR


Quando li o romance do autor alemão BERNHARD SCHLINK (Folio/Gallimard) pensei, de imediato, que adaptado para o cinema daria um bom filme. No entanto, não o imaginei caindo nas mãos de um diretor americano. Eis que acabo de tomar conhecimento de que o filme já está para ser lançado. E que teria a Nicole Kidman no papel principal, não fosse a sua anunciada gravidez.
Trata-se da estória de um menino de 15 anos que conhece, por acaso, na volta da escola, uma mulher de 35 anos de quem se torna amante. Durante muitos meses ele retorna a casa dela todos os dias e um dos seus rituais consiste em ler para ela. Esta mulher, misteriosa e imprevisível, desaparece do dia para a noite. Sete anos mais tarde, como estudante de direito, assistindo ao julgamento de um grupo de mulheres acusadas de crimes praticados quando eram guardas de um campo de concentração, ele a reconhece entre as rés. Estas a pressionam e ela, mal defendida, é condenada a prisão perpétua... Como se vê, não é a simples estória de um crime, tão ao gosto do cinema americano.
O autor lida com a história alemã recente. E, segundo ele próprio declarou em entrevista: “ ...você não consegue se lembrar de coisas que realmente desempenharam um papel importante na sua vida sem contemplação e reflexão.... não há tal coisa como pura memória”.
De fato, a narração se dá num clima contemplativo e introspectivo. São difíceis as questões morais e éticas levantadas. E essa abordagem de seu passado, como sabemos, ainda é um tema crucial para os alemães.
Existem centenas de livros sobre o Holocausto em si, mas O LEITOR é um dos primeiros livros, penso eu, que aborda a forma como a geração que veio após, lida com aquilo que a geração anterior fez.
É certo existirem novas preocupações e novos interesses na Alemanha atual, moderna e reunificada, mas as questões ligadas ao seu passado ainda estão vivas e são delicadas . Talvez não seja pelas mãos de um diretor americano a melhor forma de levá-las ao cinema. Vamos aguardar,,,
.

fevereiro 21, 2008

"Me Larga!" (e me abraça!)


As separações são decididas por dinâmica que pouco tem a ver com os defeitos do outro

ÀS VEZES , milagrosamente, um psicanalista consegue transmitir os resultados de sua experiência clínica do jeito certo: sem simplificar, mas sendo mais cuidadoso com o leitor leigo do que preocupado em impressionar a turma dos colegas.
É o caso do livro de Marcel Rufo, "Me Larga! Separar-se para Crescer", recentemente traduzido em português pela Martins Fontes.
Rufo, 62, francês, terapeuta de crianças e adolescentes, segue passo a passo as peregrinações pelas quais o indivíduo conquista sua autonomia, ou seja, o difícil caminho que leva da fusão inicial com a mãe à independência rebelde do adolescente.
Ao longo do percurso, ele apresenta inúmeras vinhetas clínicas: crianças agressivas, infelizes na escola, com enuresia, pré-adolescentes adotados ou que se imaginam sê-lo, outros que fogem sem parar, jovens que se drogam ou querem acabar com sua vida, assim como pais que largam os filhos cedo demais e outros que não os largam nunca.
Mas "Me Larga!" não é apenas um livro para pais e filhos sobre as dores do crescimento. A leitura é, para qualquer um, uma ocasião imperdível para refletir um pouco sobre o conflito (que nunca pára de nos assolar) entre nossos sonhos de sossego e nossos anseios de independência -conflito especialmente complicado, aliás, porque ele se repete dentro de cada um dos campos que nele se enfrentam: o amparo da dependência é também o porto seguro que (mesmo remoto e fantasiado) nos dá a força de continuar navegando para o largo, e não há liberdade sem a nostalgia de um lar que nos prenderia. Como escreve Rufo: "Prender-se, desprender-se, voltar, sair novamente, encontrar, abandonar... Toda a nossa vida segue esse movimento permanente". E relacionar-se significa encontrar um mágico equilíbrio nesse movimento: "Cada qual precisa do outro para se construir e se conquistar, para se tranqüilizar às vezes, e para compartilhar momentos, idéias e desejos. O outro é precioso na medida em que representa uma abertura para o mundo".
Ou seja: a solução do conflito entre dependência e autonomia nunca é definitiva e é um paradoxo. Como é possível encontrar amarras que nos libertem?
Em suma, o conflito entre nossa necessidade de amparo e apego e, do outro lado, nossa sede de separação e independência é central na constituição de nossa subjetividade e continua crucial durante a vida toda. Sugiro um exemplo.
Em geral, atribuímos tanto os apaixonamentos quantos as separações de nossa vida amorosa ao outro, que se revela, segundo os casos, sublime, incompetente ou sacana. Ou então, às circunstâncias, facilitadoras ou infelizes. Mas talvez os percalços de nossa vida amorosa sejam decididos por uma luta que se trava dentro de nós e que pouco tem a ver com as qualidades e os defeitos do outro ou com as adversidades do mundo.
Talvez a gente se apaixone e se separe sobretudo conforme o ritmo do antigo e inesgotável conflito interno entre nossas aspirações de navegador solitário (a imagem é de Rufo) e nossa nostalgia de uma fusão na qual, enfim, poderíamos descansar de vez. Prova disso?
Primeiro, obviamente, pense nas separações, por assim dizer, "abstratas": aquelas que acontecem em razão de um surto irresistível de independência num dos dois ou em ambos e, inversamente, naquelas que são maneiras de manter o conforto de outro apego: "Gosto de você, mas me largue, porque você me leva para liberdade demais; prefiro ficar aqui no quentinho".
Logo, lendo o livro de Rufo, é fácil reencontrar as modalidades da ruptura amorosa na lista dos percalços das separações pelas quais a criança conquista sua autonomia: separar-se para não ser abandonado, separar-se para crescer e medir o alcance de nossa liberdade, separar-se para testar o outro, para verificar que ele não nos deixará por isso, e por aí vai. É como se os altos e baixos de nossa vida amorosa fossem, antes de mais nada, a expressão de um conflito entre liberdade e apego que está em nosso âmago e nunca se resolve.
À primeira vista, muitos acharão essa idéia incongruente com sua experiência. Mas, antes de descartá-la, façam o seguinte. Depois de uma separação, quando os "erros" e as "falhas" do outro se afastaram um pouco na memória e começam a parecer irrelevantes, pergunte-se, por exemplo: "Mas, afinal, por que nós nos separamos?" Na maioria dos casos, a gente não sabe responder.
CONTARDO CALLIGARIS



--------------------------------------------------------------------------------
ccalligari@uol.com.br

fevereiro 19, 2008

Verão I


Todo mundo sabe que Floripa é uma cidade aglutinadora, linda e com praias paradisíacas.
Uma delas é a praia da Daniela. Pouco freqüentada, fora do circuito fashion e, por isto mesmo, preservada e maravilhosa.
As fotos foram captadas pelo olhar sensível do meu amigo Rogério.
Foi na Daniela que, em dezembro, marquei encontro com ele e sua família.









Depois vieram outros que não resistem a dar uma "passadinha" e também chegaram antes do Natal. (Re) encontros... o verão em Floripa favorece estas coisas.


Em dezembro a cidade se enfeita, mas não te impõe a festa. Você pode fazê-la do seu jeito. Ou nem fazer, se preferir. Aqui tudo pode! Gosto muito do pré-Natal!!! Uma comemoração com cada tribo . Nunca é demais! A única coisa chata é que a gente engorda...Tivemos vários pré-natais : na praia, no mercado, na Lagoa, no Sambaqui .


Longe das musiquinhas, sinos e guirlandas, derreter de calor, com pouca roupa, beber caipirinha (lima da pérsia!),fazer tatuagem e tomar muitos banhos de mar.


















Este é o verdadeiro espírito natalino no hemisfério sul!




Mas vem o dia do Natal: família, peru, troca de presentes...














Depois de um dezembro assim, a gente até abre mão de encarar a anunciada falta de água e os engarrafamentos sempre maiores , para ficar quietinha em casa, esperando o calendário mudar. Privilégio de quem mora onde os outros passam as férias!!!