fevereiro 19, 2008

Verão I


Todo mundo sabe que Floripa é uma cidade aglutinadora, linda e com praias paradisíacas.
Uma delas é a praia da Daniela. Pouco freqüentada, fora do circuito fashion e, por isto mesmo, preservada e maravilhosa.
As fotos foram captadas pelo olhar sensível do meu amigo Rogério.
Foi na Daniela que, em dezembro, marquei encontro com ele e sua família.









Depois vieram outros que não resistem a dar uma "passadinha" e também chegaram antes do Natal. (Re) encontros... o verão em Floripa favorece estas coisas.


Em dezembro a cidade se enfeita, mas não te impõe a festa. Você pode fazê-la do seu jeito. Ou nem fazer, se preferir. Aqui tudo pode! Gosto muito do pré-Natal!!! Uma comemoração com cada tribo . Nunca é demais! A única coisa chata é que a gente engorda...Tivemos vários pré-natais : na praia, no mercado, na Lagoa, no Sambaqui .


Longe das musiquinhas, sinos e guirlandas, derreter de calor, com pouca roupa, beber caipirinha (lima da pérsia!),fazer tatuagem e tomar muitos banhos de mar.


















Este é o verdadeiro espírito natalino no hemisfério sul!




Mas vem o dia do Natal: família, peru, troca de presentes...














Depois de um dezembro assim, a gente até abre mão de encarar a anunciada falta de água e os engarrafamentos sempre maiores , para ficar quietinha em casa, esperando o calendário mudar. Privilégio de quem mora onde os outros passam as férias!!!

fevereiro 18, 2008

Seriam estes os melhores versos?


1) "Queixo-me às rosas/ Mas que bobagem/ As rosas não falam/ Simplesmente as rosas exalam/ O perfume que roubam de ti." (Cartola)

2) "Quando um deus sonso e ladrão/ Fez das tripas a primeira lira/ Que animou todos os sons." (Chico Buarque)

3) "Quando eu não salário/ Ela sim propina." (Chico Buarque)

4) "Leva os teus sinais/ Que a saudade dói como um barco/ Que aos poucos descreve um arco / E evita atracar no cais." (Chico Buarque)

5) "Tire seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a minha dor." (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito)

6) "A luz negra de um destino cruel/ Ilumina um teatro sem cor/ Onde eu tou representando o papel/ Do palhaço do amor." (Nelson Cavaquinho)

7) "A porta do barraco era sem trinco/ Mas a lua, furando o nosso zinco/ Salpicava de estrelas nosso chão/ Tu pisavas os astros, distraída." (Silvio Caldas e Orestes Barbosa)

8) "Asa da palavra/ Asa parada agora/ Casa da palavra/ Onde o silêncio mora/ Brasa da palavra/ A hora clara, nosso pai." (Caetano Veloso e Milton Nascimento)

9) "O samba é o pai do prazer,/ o samba é o filho da dor/ O grande poder transformador." (Caetano Veloso)

10) "Não me venha falar da malícia de toda mulher/ Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é." (Caetano Veloso)

11) "Tristeza não tem fim/ Felicidade sim/ A felicidade é como a gota/ De orvalho numa pétala de flor/ Brilha tranqüila/ Depois de leve oscila/ E cai como uma lágrima de amor." (Vinicius de Moraes)

12) "Quem nasce lá na Vila/ Nem sequer vacila/ Ao abraçar o samba/ Que faz dançar os galhos/ Do arvoredo e faz a lua/ Nascer mais cedo." (Noel Rosa)

13) "E por maus caminhos de toda sorte/ Buscando a vida, encontrando a morte/ Pela meia rosa do quadrante Norte/ João, João..." (Tom Jobim)

14) "Onde vais morena Rosa/ Com essa rosa no cabelo/ E esse andar de moça prosa?" (Dorival Caymmi)

15) "Meu choro, Boca,/ Dolente, por questão de estilo/ É chula quase raiada/ Solo espontâneo e rude/ De um samba nunca terminado/ Um rio de murmúrios da memória." (Paulinho da Viola)

16) "Clareira no tempo/ Cadeia das horas/ Eu meço no vento/ O passo de agora." (Marcelo Camelo)

17) "Quando vermelha no sertão desponta a lua/ Dentro da alma flutua, também rubra nasce a dor/ E a lua sobe e o sangue muda em claridade/ E a nossa dor muda em saudade/ Branca assim da mesma cor." (Catulo da Paixão Cearense)

18) "Rasgue a camisa, enxugue meu pranto/ Como prova de amor mostre teu novo canto/ Escreva no quadro em palavras gigantes/ Pérola negra, te amo, te amo." (Luiz Melodia)

19) "Eu vim parar na beira do cais/ Onde a estrada chegou ao fim/ Onde o fim da tarde é lilás/ Onde o mar arrebenta em mim/ O lamento de tantos ais." (João Donato e Gilberto Gil)

20) "Que a saudade é o revés de um parto/ A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu" (Chico Buarque)

fevereiro 17, 2008

L'année du rat

...symbole d'intelligence et de richesse! Le nouvel an chinois dans le 13°arrondissement de Paris. Quelques images:








fevereiro 15, 2008

Sobre lembranças, memórias e outros vestígios


Der Wendepunkt”- K. Mann (A Guinada pág. 20-21 - trad. de Tito Lívio Cruz Romão)

"Lembranças são feitas de um material estranho – são enganosas, mas imperiosas, poderosas e vagas. Não se pode confiar na lembrança, mas não existe realidade fora daquela que trazemos na memória. Todo momento que vivenciamos deve seu sentido ao momento que o precede. O presente e o futuro seriam desprovidos de essência, se fosse apagado de nossa consciência o vestígio do passado. Entre nós e o nada, encontra-se nossa memória, um baluarte todavia frágil e de certo modo problemático. [...] Onde existe lembrança, não há felicidade. Lembrar-se das coisas significa ter saudades do passado. Nossa saudade da terra natal começa com nossa consciência."

“Sinfonia Patética: vida de Tchaikovsky” K. Mann (1935), pág. 104 - do mesmo tradutor)

[...] Cada segundo é uma pequena morte, ele mata a vida, mas ao mesmo tempo também é vida, pois a vida se compõe, na verdade, desses segundos fugidios e fatalmente resvaladiços. Restam as lembranças. Do mar de resvalamentos emergem os rostos, de substância mais tenra e mais dura que as coisas de que são sombras. Algo que se resvalou não retorna, mas permanece guardada na lembrança. Gostarias que voltasse? Ah, não quero voltar a viver mais uma vez um minuto sequer de minha vida, mas também não consigo consolar-me de sua perda. Aquilo que é o consolo desta vida, aquilo que só então a torna tolerável em geral – sua efemeridade, o provisório, o fantasmagórico, o impróprio, o resvaladiço e fugidio da essência da vida -, é ao mesmo tempo o pior, o mais amargo nela, sua maldição e a base profunda de toda a sua tristeza.[...]

fevereiro 13, 2008

PORTO SAUDADE


Para ser melhor apreciado, trouxe do "comentário" para cá:

PORTO SENTIDO

Quem vem e atravessa o rio
junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

de Carlos Tê
Cantado por Rui Veloso