
Li na FSP que acaba de ser publicado um ensaio inédito do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, um dos maiores pensadores do século 20, sobre o significado de Papai Noel e do Natal.
"O Suplício do Papai Noel" é de 1952 e nele Papai Noel surge , em notícia de jornal, com as barbas e o resto do corpo queimados. A Igreja Católica francesa, pouco depois do final da Segunda Guerra, incomodada com o crescimento em importância desta figura ao mesmo tempo pagã e norte-americana, andou promovendo umas cerimônias curiosas, em que ateava fogo ao barbudo, dentro de igrejas e diante de criancinhas órfãs."
Fiquei perplexa! Isto se dava quando pouco tempo fazia que os americanos (aliados a ingleses e canadenses)haviam libertado a França da ocupação alemã. Que eles se comportem hoje como se abominassem os ícones da cultura americana (cocacola,fast foods, por ex) até tenho boa vontade para entender, embora considere tal comportamento, em algumas situações, injurioso (como quando se recusam a falar ingles com os turistas). Fico pensando em que medida atitudes como esta foram contribuindo para gerar no imaginário frances a falsa idéia de que quem libertou o País foi o De Gaulle...
A igreja não costuma errar ao atribuir valores significativos a manifestações sociais, felizmente que nem sempre tem êxito. Papai Noel que o diga.
Daqui um tempo estaremos lendo sobre a sua vã tentativa de interferir na cama das pessoas (com quem deitam e como gozam).
Quanto aos franceses, passaram a festejar, não faz tempo, o halloween . Apresentam uma versão de que a "tradição" entre eles, teria origem nos celtas para não assumir que copiam os americanos.
Voltando ao ensaio:
"Observemos os ternos cuidados que temos com Papai Noel, as precauções e os sacrifícios que aceitamos para manter seu prestígio intocado junto às crianças. Não será porque, lá no fundo de nós, ainda persiste a vontade de acreditar, por pouco que seja, numa generosidade irrestrita, numa gentileza desinteressada, num breve instante em que se suspende qualquer receio, qualquer inveja, qualquer amargura?
Não surpreende, pois, que o Natal e o Ano Novo (seu duplo) sejam festas de presentes: a festa dos mortos é, na essência, a festa dos outros, visto que o fato de ser outro é a primeira imagem aproximada que podemos construir a respeito da morte ."
trechos extraídos de "O Suplício do Papai Noel"
Um comentário:
Oi Zélia, vc esta cada vez melhor, no seu blog. Isto seria um comentário, mas como tem a opinião da minha sobrinha, resolvi, enviar pra vc em off.
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