dezembro 26, 2008

D U R A R

Fui presenteda pelo Artur Brito com A Vida Humana do A.Comte-SPONVILLE. O livro retrata doze etapas da vida humana ilustradas cada uma delas pelos desenhos de Sylvie Thybert que vem a ser a sua mulher.
Do capítulo X (fls 86) colhi este trecho de um tema que tem me ocupado o pensamento com uma certa frequência ...

"...Durar? É estar no tempo,mas na continuidade do tempo. É ter um passado que cresce. É ter cada vez menos futuro.É levar a peito o presente, em vez de ser levado por ele como uma criança. É levar a peito a própria morte. É amadurecer, caso se consiga. É envelhecer, pois é preciso. É continuar vivendo, lutando, agindo, amando. É superar a fadiga, o tédio, o desgosto, o pavor, o horror.E de quanta coragem precisamos apesar de tudo! Banalidade de tudo, exceto do pior. Fastio de tudo, exceto do melhor.Isso não impede a felicidade, aquela de que continuamos capazes, ou de que nos tornamos capazes (bem mais, para alguns, do que 20 anos antes). Isso não impede a doçura, a alegria, a curiosidade, a emoção, o afeto e o desejo. Não impede, às vezes, alguma descoberta ou ruptura, algum remanejamento ou reviravolta ...
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No entanto, sentimos claramente que o essencial já aconteceu, que é inútil esperar por ele, que, no melhor dos casos, ele pode apenas continuar ..."

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